terça-feira, 21 de agosto de 2007

INTRODUÇÃO


"Dominando o espaço-tempo: coletânea de artigos e cenas sobre edição"


Michelangelo dizia que, ao fazer suas esculturas, bastava apenas liberar a estátua que já habitava o interior do bloco informe de mármore.
E o que isso tem a ver com edição?
O cineasta Andrei Tarkovski, já falando sobre cinema, escreve um livro chamado Esculpir o tempo.
E o que isso tem a ver com edição?

Ora, dominar e criar significados a partir do espaço sem forma de um bloco de mármore ou do aparentemente inapreensível tempo parece ser justamente o que faz o cinema: recortar significativamente esse binômio interdependente: o espaço-tempo. E a edição tem papel preponderante nessa tarefa, que pode até ganhar ares mágicos (afinal, quem controla o tempo e o espaço, quem consegue realizar esse sonho?), mas que nada mais é do que árduo trabalho humano, prenhe de suor e criatividade.
Apreender o espaço e o tempo já é atribuição fenomenal. Mas é preciso ir além, afinal, é também preciso condensar nessa captura fragmentos de intenso sentido humano, pois, se espaço e tempo foram capturados, é para que a imaginação, os sonhos e aflições humanas ganhem liberdade, para que possam povoar a razão e a sensibilidade do homem. Corações e mentes livres, fantasias realizadas (sim, todas!), identificações e estranhamentos, ódios e amores emoldurados numa tela branca, emanando reflexão, diversão, encantamento. É a moldura até então inerte que espalha sentidos e também os recebe, ligada aos olhos do espectador por um fio tênue e invisível.
E como manter esse fio? Como fazer para que esse fascínio não se rompa? Esculpir tempo e espaço, recortar fragmentos e montar seus retalhos para que formem sentido de interesse humano: eis o que parece ser, enfim, o trabalho da edição.
Mas há pedras no meio do caminho. A demora em um corte pode intensificar o suspense ou causar fastio. A entrada de uma intervenção sonora pode complementar a fascinação pela imagem, agregando um outro estímulo, ou pode quebrar a interlocução ativa que se estabelecia entre espectador e obra. A utilização de um flashback pode dar ao público essa ilusão tão sonhada pela humanidade de dominar o tempo, assim como pode fazê-lo involuntariamente perder-se da trama e olhar o relógio... não basta, portanto, esculpir tempo e espaço. É preciso esculpi-lo compondo habilmente seus detalhes. Afinal, começar a rir antes de terminar de contar uma piada pode estragar toda a graça (pior: riremos do contador, não da piada).

É por tudo isso que, a fim de estudarmos estratégias de edição e também compartilhá-las com o público, lançamos esta pequena coletânea de cenas cinematográficas e textos. São filmes dos mais diversos gêneros, dos também mais diversos diretores. Um esforço de equipe, como deve ser o cinema. Aqui, você encontrará uma contribuição para o seu conhecimento, seja você estudante de cinema ou apenas (e esse “apenas” não é pejorativo) um curioso amante da sétima arte, que chegou para ser a arte dos séculos XX e XXI. São cenas centradas sobretudo na edição de diálogos, trilhas sonoras e flashbacks. Você certamente aprenderá vendo as cenas, lendo os textos, concordando com eles ou discordando frontalmente. Importante é ser ativo, pensar, analisar, acolher e refutar.
Esperamos, enfim, ser aquela pedra minúscula jogada no lago. Ela, em si, pode parecer pequena, mas reverbera em ondas e atinge raios amplos de discussão, conhecimento e diversão.

Nilton Cezar Tridapalli

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

SINAIS

Título Original: Signs/Gênero: Suspense/Duração: 107 minutos/Ano (EUA): 2002/ Direção: M. Night Shyamalan/Roteiro: M. Night Shyamalan/Produção: Frank Marshall, M. Night Shyamalan e Sam Mercer/Música: James Newton Howard/Fotografia: Tak Fujimoto/Direção de Arte: Keith P. Cunningham/Figurino: Ann Roth/Edição: Barbara Tulliver/Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic

M. Night Shyamalan (escritor, diretor e produtor):
Em cada filme que faço, nos meus últimos três filmes, tem um momento que digo, "não teremos trilha sonora". Mas meu processo é sempre assim. "Não teremos nenhuma música nesse filme. James [compositor], não se preocupe." E depois o James entende a história que estamos contando tão bem que pergunto à ele: "O que você faria aqui?".
James Newton Howard (compositor):
Seguimos uma idéia em "Sinais". A música principal que aparece no começo do filme foi escrita antes das filmagens começarem e foi baseada num tema de três notas. E esse tema foi reprisado por todo o filme de modos muito diferentes: benevolentes, hostis, ameaçadores, misteriosos. Ela não tinha sido escrita necessariamente para ser a música principal. Quando a escutamos pela 1ª vez, pensamos se realmente teríamos um lugar para ela no filme, apesar de que nós dois achamos que ela fosse relacionada. Mas aconteceu como uma sorte genial, porque ela começa* o filme de um modo tão explosivo, e o nível de intensidade é muito inesperado. Ela prepara o contexto de expectativas, então sabemos que o que escutamos nessa música acontecerá em algum ponto no filme, só não sabemos onde ou como, mas ela informa as pessoas sobre o que eles verão.
Shyamalan:
Eu disse para o James: "Tudo virá dessa música", e ele não escreveu mais nada por muito tempo, na verdade ele fez outro filme. E eu fiz o filme, editei ele, e quando eu desisti da mania de "sem música", perguntei ao James o que ele faria. Então ele começou a tirar coisas daqueles dois minutos e meio, e a elaborá-los.
James:
A última sequência* com certeza foi a música mais difícil que eu já escrevi, foi um grande desafio. Começou com um momento de dúvida e choque e terror... e passa por momentos de reconhecimento, preparando para depois das memórias. Quando ele [Mel Gibson] vê o bastão na parede, ainda é o tema de três notas. E rapidamente passa para outra fase, e termina num momento muito terno. Tudo tinha a ver com a estrutura, que é o segredo com qualquer escrita, quer seja música ou palavras. Eu estava tentando voltar ao meu tema de três notas o máximo possível. É aí que a música realmente se estende e as três notas são unificadas em uma só força. Foi o processo mais difícil, meticuloso, pelo qual eu já passei.

Os comentários/críticas foram transcritos do making of do filme “Sinais” (Signs, 2002), de M. Night Shyamalan

SINAIS

Título Original: Signs/Gênero: Suspense/Duração: 107 minutos/Ano (EUA): 2002/ Direção: M. Night Shyamalan/Roteiro: M. Night Shyamalan/Produção: Frank Marshall, M. Night Shyamalan e Sam Mercer/Música: James Newton Howard/Fotografia: Tak Fujimoto/Direção de Arte: Keith P. Cunningham/Figurino: Ann Roth/Edição: Barbara Tulliver/Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic


M. Night Shyamalan:
Começamos a filmagem dois dias depois do dia 11 de setembro, então nós e o mundo estávamos tentando lidar com a repercussão daquele evento e também que estávamos trabalhando em algo importante. Eu nunca tinha trabalhado com o Mel Gibson antes, e eu queria descontrair desde o começo e fazer uma das cenas mais importantes, senão a mais importante, já no primeiro dia; para terminarmos com isso, passar por esse processo e chegar ao âmago da coisa. Era uma filmagem noturna e eu tinha ido dormir muito tarde, para que meu corpo se acostumasse com a noite sem sofrer muito, então tentei dormir mas não pude porque estava muito ansioso, então levantei e olhei para as anotações que tínhamos preparado -porque nos preparamos muito para isso-, e fui para a floresta onde filmaríamos. Foi muito mágico quando começamos naquele dia, fizemos uma vigília a luz de velas antes de começarmos a filmar. Todos tinham uma vela. E começamos a chorar naquele ponto, mesmo antes de começar a filmar uma cena... onde um homem e uma mulher têm sua última conversa um com o outro antes dela morrer. O ar estava super carregado, e o Mel Gibson vem para o cenário vestindo sua roupa de pastor pela primeira vez, todos provavelmente lembrarão desse dia como um grande dia. Tecnicamente, em ordem cronológica, a primeira cena que acontece na vida dos personagens foi a primeira cena que filmamos, a morte da mãe, que tinha acontecido seis meses atrás. Mas o filme na verdade começa com o Mel acordando com uma má sensação sobre alguma coisa, e assim somos apresentados aos personagens um por um. Tendo em vista que tal flashback é mostrado em partes ao longo do filme, o vídeo postado na internet é uma compilação de todas essas partes, na ordem em que aparece no filme.

Os seguintes comentários/críticas foram transcritos do making of do filme “Sinais” (Signs, 2002), de M. Night Shyamalan.

SINAIS

Título Original: Signs/Gênero: Suspense/Duração: 107 minutos/Ano (EUA): 2002/ Direção: M. Night Shyamalan/Roteiro: M. Night Shyamalan/Produção: Frank Marshall, M. Night Shyamalan e Sam Mercer/Música: James Newton Howard/Fotografia: Tak Fujimoto/Direção de Arte: Keith P. Cunningham/Figurino: Ann Roth/Edição: Barbara Tulliver/Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic


M. Night Shyamalan:
Essa foi uma daquelas cenas que nos deixa sem fôlego, porque é uma das coisas que não se faz mais hoje em dia... escrever seis ou sete páginas de diálogo, sem nada acontecer, onde eles só conversam. Então a ação e os efeitos especiais é o diálogo e a atuação. E o Joaquin não gosta muito de ensaiar, então falávamos sobre o espírito da coisa. O grande discurso do Mel foi tão difícil de dizer, porque era “grupo A, grupo B, discurso número 1 e número 2”, e é bem confuso e longo e não sabíamos se funcionaria... então filmamos a parte do Joaquin primeiro, e ele foi ótimo. Quando nos viramos para filmar a parte do Mel, ele tinha que ir para a Casa Branca, para fazer um outro filme, sobre soldados, e eu disse à ele: “Não vamos fazer isso hoje. Voltaremos e faremos amanhã”. Mas ele disse: “Faremos essa cena agora”. Foi um grande momento, onde um ótimo artista inspirou outro ótimo artista, que me inspiraram, e todos ficaram inspirados. Quando ele levantou nos demos conta de por que ele é uma estrela.

Os seguintes comentários/críticas foram transcritos do making of do filme “Sinais” (Signs, 2002), de M. Night Shyamalan.

domingo, 19 de agosto de 2007

PSICOSE

Título Original: Psycho/Gênero: Suspense/Duração: 107 minutos/Ano (EUA): 1960/Direção: Alfred Hitchcock/Roteiro: Joseph Stefano, baseado em livro de Robert Bloch/Produção: Alfred Hitchcock/Música: Bernard Herrmann/Direção de Fotografia: John L. Russell/Direção de Arte: Robert Clatworthy e Joseph Hurley/Figurino: Helen Colvig e Rita Riggs/Edição: George Tomasini


Thiago Benites - Trilha Sonora
Colocado por cinetvpr

Dizem que somente aquelas musiquinhas de refrão fácil é que entram na nossa cabeça. Não é bem assim. Alguns sons afiados como faca (e a associação com faca aqui não é gratuita), associados a imagens que impregnam a nossa retina imaginativa, também são capazes de ficar ressoando na nossa caixa acústica. Bons filmes fazem isso. Trilha em perfeita harmonia com a imagem, com os cortes das cenas se eternizam... por que um aparentemente simples feixe de sons continua reverberando? O músico e estudante de artes Alfredo Werney ajuda a entender. Veja:
“O banho, todos hão de concordar, é um dos momentos mais relaxantes do nosso dia (principalmente no caso de Marion, que vinha de uma fuga). Porém a condução de Hitchcock nos surpreendeu: o banho foi o instante fatal e mais violento de todo o enredo. Notemos que a música entra com o abrir das cortinas, como se fosse iniciar um espetáculo circense, e os violinos tocam (glissandos) notas fortíssimas (molto sforzato) no registro agudo. Os sons se (con) fundem com os gritos da atriz. Relação entre a trilha sonora e a faca – Em alguns planos o ritmo das punhaladas está sincronizado com o ritmo das notas agudas do violino. Além disso, há uma relação com a textura da faca. Da mesma forma que a faca é bem fina as notas são bem agudas. A intensidade das punhaladas é reforçada pelas arcadas intensas dos violinos. “São os acordes musicais que fazem o corte no corpo de Marion”, nos disse Heitor Capuzzo em seu trabalho “Alfred Hitchcock: o cinema em construção”; O som em Psicose é construído a partir da densidade psicológica da obra. Torna-se praticamente impossível esquecermos alguns trechos de sua música penetrante. Basta citar o trecho dos violinos na reverenciada “cena do banheiro”. O fragmento musicalmente é simples: os violinos são friccionados fortemente na mesma nota com a célula rítmica repetitiva, enquanto os outros instrumentos (cellos e baixos) fazem o contraponto com notas mais graves, que vão ralentando. Mesmo o fragmento musical sendo simples, ele fica reverberando em nossa consciência. A intenção do diretor era nítida: ele
queria que este assassinato ficasse marcado por todas as outras seqüências do filme.”


(Alfredo Werney em FONTE)

Pois bem, o assassinato não só ficou marcado “por todas as seqüências do filme”, mas saiu da tela e continua ribombando por aí... cuidado!



LAVOURA ARCAICA

Título Original: Lavoura Arcaica/Gênero: Drama/Duração: 163 minutos/Ano (Brasil): 2001/Direção: Luiz Fernando Carvalho/Roteiro: Luiz Fernando Carvalho/Produção: Luiz Fernando Carvalho/Música: Marco Antônio Guimarães/Fotografia: Walter Carvalho/Direção de Arte: Yurika Yamasaki/Figurino: Beth Filipecki


Thiago Benites - Diálogo
Colocado por cinetvpr

Diálogos e contradiálogos brilhantes. Planos e contraplanos simples, mas eficazes, respeitando a força do texto e dando força a ele. A tensão que se acentua nos diálogos também explode na edição e nos cortes das cenas. Assim é o diálogo acima, de Lavoura arcaica. Mas o aparente tom monocórdio da alternância desses planos parece estratégico, pois acentua a explosão que está por vir, quando o personagem de Selton Melo despeja palavras duras sobre o amor familiar e o pai, interpretado por Raul Cortez, incontido, grita para o filho se calar, estendendo a mão nervosa quando, subitamente, aparece a mão dolente da mãe, ouvindo tudo em silêncio, atônita, triste, descobridora de segredos.
Nas palavras de Daniela Sandler:
“Lavoura Arcaica impressiona para além do formalismo e fornece momentos memoráveis, em especial o diálogo entre André (Selton Mello) e o pai (Raul Cortez). Raul Cortez consegue manter, ao mesmo tempo, a teatralidade das falas e o naturalismo do meio (cinema): declama o texto respeitando sua complexidade e o artifício da cena, mas as palavras soam inatas, inevitáveis, como se outra coisa não pudesse sair de seus lábios. É teatral, não forçado. A isso, junta expressividade física que, mesmo com o personagem sentado e quase imóvel, comunica imensa variação e intensidade emocionais (excelente exemplo de virtuosismo contido, talento e concisão). Sua interpretação vale o filme.”

(Daniela Sandler, em FONTE)

Enfim, esse parece ser um dos muitos exemplos de como a edição contribui ou, mais do que simplesmente contribui, tem papel também principal na construção dramática da cena.

PULP FICTION

Título Original: Pulp Fiction/ Gênero: Policial/ Duração: 154 minutos/Ano (EUA): 1994/Direção: Quentin Tarantino/Roteiro: Quentin Tarantino, baseado em estória de Roger Avary e Quentin Tarantino/Produção: Lawrence Bender/Direção de Fotografia: Andrzej Sekula/ Direção de Arte: Charles Collum/Figurino: Betsy Heimann/Edição: Sally Menke


Meados dos anos 90 e todos que assistiram a Pulp Fiction inevitavelmente comentavam a respeito desse filme “muito louco”, que costurava seu enredo com retalhos de tempos distintos, em um vaivém que obrigava a uma ginástica mental fascinante. O trabalho de edição foi sem dúvida o responsável por essa sensação, e o recurso do flashback sem avisos prévios ao espectador acentuava o clima de excitação e estranhamento. Acompanhe dois comentários que corroboram com essa visão:

“Por que Tarantino escolheu fazer seu filme assim? Recursos de flashback e flash forward não são nada novos em narrativas cinematográficas, mas seu uso em Pulp Fiction deixa os espectadores desnorteados com os ladrões que somem após a seqüência de abertura, os personagens que morrem e reaparecem, etc. Lendo o roteiro, fica claro que isso foi planejado desde sua redação. Ainda assim, podemos remontar o filme em grandes blocos, 14 como se estivéssemos em um processador de textos.”
"A diferença na estrutura de Cães de Aluguel para Pulp Fiction está, basicamente, que no primeiro há um presente que vai nos guiando pelos flashbacks que o filme dá para nos explicar o que está acontecendo (no caso, o galpão usado como escape caso alguma coisa desse errado no plano). Já em Pulp, Tarantino simplesmente conta sua história de maneira completamente não
linear, sem um tempo definido para nos servir de base e, mesmo assim, não nos perdemos dentro da história.
"Não há moral, complacência ou autocomiseração em Pulp Fiction. Tudo é efêmero e gratuito, embora Tarantino invista os diálogos de uma pátina filosófica que disfarça bem as reais intenções por trás de cada frase. A narrativa é entrecortada por elipses e flashbacks e intermediada por seguimentos autônomos, o que faz o espectador não se dar conta das duas horas e meia de duração do filme."Quando tudo sinaliza uma enfiada de tiros e sangue, Tarantino contrapõe com a história do lutador de boxe Butch Coolidge (Bruce Willis em grande forma) que trava um embate com sua consciência. Subornado por Wallace para perder sua próxima luta, ele relembra a vida honrada de seu pai, morto na Guerra do Vietnã. "O orgulho magoa", afirma um mefistofélico Wallace, para quem honra e orgulho são facilmente comprados com alguns maços de dólares. Butch aceita o dinheiro, mas no ringue massacra seu adversário, quebrando uma regra de ouro no submundo do crime: não trair. Por meio de um flash back, a memória do pai se oferece como uma justificativa para seu ato."


(Roberto Tietzmann, em FONTE)

(Samir Thomaz, em FONTE)

SÃO PAULO S.A

Título Original: São Paulo S.A./Direção: Luís Sérgio Person/Roteiro: Luís Sérgio Person/ Gênero: Drama/Ano: (Brasil): 1965/ Duração: 111 minutos


SÃO PAULO S.A.

Título Original: São Paulo S.A./Direção: Luís Sérgio Person/Roteiro: Luís Sérgio Person/ Gênero: Drama/Ano: (Brasil): 1965/ Duração: 111 minutos



SÃO PAULO S.A.

Título Original: São Paulo S.A./Direção: Luís Sérgio Person/Roteiro: Luís Sérgio Person/ Gênero: Drama/Ano: (Brasil): 1965/ Duração: 111 minutos


ZATOICHI

Título Original: Zatoichi/Gênero: Ação/Duração: 115 minutos/Ano (Japão): 2003/Direção: Takeshi Kitano/Roteiro: Takeshi Kitano, baseado em conto de Kan Shimozawa/Produção: Masayuki Mori/Música: Keiichi Suzuki/Fotografia: Katsumi Yanagishima/Figurino: Yohji Yamamoto/Edição: Takeshi Kitano e Yoshinori Oota


O cinema vem questionando, através de grandes filmes, o retorno à sua tarefa primordial de simplesmente recortar um pedaço do mundo e entregá-lo ao olhar em condições privilegiadas de atenção e visibilidade. Zatoichi é mais um filme em que o (re)ver o mundo está sendo posto em causa a todo segundo, mas com um detalhe: Kitano não abre mão de ser um fabulista. Se em Dolls ele construiu um universo que parecia de brinquedo e compôs uma melodia visual das mais melancólicas, em Zatoichi sua busca pela canção natural que exala das coisas resulta em vivacidade e alegria, culminando na dança triunfante do final. A cegueira de seu personagem, ao aguçar os sentidos que lhe restam, justamente ressalta esse murmúrio do entorno. Zatoichi recolhe os sons emitidos pelo mundo e os devolve a ele em forma de música (a seqüência do mutirão é bastante significativa, com marretadas e barulhos metálicos se harmonizando até compor a trilha sonora da cena), atitude que ilustra bem o cinema de Kitano, voltado para a complexa melodia da vida de quem está sempre no limite – o que não impede a recorrência daqueles teclados sentimentais, timbre musical mor de sua obra.

(Por Luiz Carlos de Oliveira Jr. em FONTE)


ANTES DO PÔR-DO-SOL

Título Original: Before Sunset/Gênero: Comédia Romântica/Duração: 80 minutos/Ano (EUA): 2004/Direção: Richard Linklater/Roteiro: Richard Linklater, Julie Delpy e Ethan Hawke, baseado em estória de Richard Linklater e Kim Krizan e nos personagens criados por Richard Linklater e Kim Krizan/Produção: Richard Linklater e Anne Walker-McBay/Fotografia: Lee Daniel/Edição: Sandra Adair/Efeitos Especiais: Custom Film Effects



Nilton Cezar - Diálogo
Colocado por cinetvpr



“Interpretar o extenso diálogo do filme foi um desafio que no fim se revelou recompensador para Julie Delpy. ‘O objetivo é conversar tão naturalmente quanto possível – ela diz – como se tivéssemos acabado de começar um papo. Mas é difícil, cada linha está escrita. Nós não improvisamos na hora H, mas tem que parecer quase tudo improvisado’. O diálogo em Antes do Pôr-Do-Sol é virtualmente ininterrupto, diferente do primeiro filme. ‘O primeiro tinha tanto romantismo, grande parte do filme acontece em uma noite. – Ethan Hawke compara – É mais difícil ter um filme que acontece em noventa minutos. Nós não temos distrações. No primeiro filme, tínhamos poetas de rua, dança do ventre, rodas-gigantes e trens. Nesse, tudo é super econômico, mais maduro e esperamos, mais próximo do coração’.”

(Diego Castro, em FONTE)
Confira também a entrevista do diretor Richard Linklater em: FONTE1

A cena que pode ser vista é apenas um dos múltiplos exemplos de diálogos bem encaixados e “naturais” do filme. No fundo, o filme todo é o diálogo – ele muda sutilmente seus cenários – que desvela e esconde desejos e intenções nem sempre muito claros para os espectadores e para os personagens, o que é um grande mérito.
Confira um minuto e quarenta de um longo plano-seqüência em que os personagens confundem ficção e vida real. Ele (Jesse), um escritor lançando seu romance na França, reencontra Céline, agora uma ativista ambiental. Após uma frustrada promessa de reencontro anos antes, eles passeiam pelas ruas de Paris.
O diálogo é um interessante caso de ficção dentro da ficção, já que conversam a respeito da obra de Jesse e buscam fazer as relações com suas vidas “reais”, que, por sua vez, nada mais é do que ficção, cinema. A partir da obra de Jesse, pensam a respeito de si mesmos. A confusão de Céline ao se referir à personagem do livro como “eu” ou “ela” demonstra bem o conflito. E ser lida por olhos de um escritor que, ao mesmo tempo, lhe é pessoalmente muito especial, reflete a velha questão filosófica a respeito do olhar do outro como elemento fundamental na identidade do indivíduo.
Vale lembrar que editar não significa necessariamente cortar imagens e juntá-las. Uma edição hábil também pode ser aquela que deixa o diálogo mostrar o seu vigor realista. A fim de interferir o mínimo possível e de buscar atenção total do espectador, uma boa opção parece ter sido a utilização do plano-seqüência. Acompanhe a cena acima e veja como funciona.


O PODEROSO CHEFÃO II

Título Original: The Godfather: Part II/Gênero: Drama/Duração: 200 minutos/Ano(EUA): 1974/Direção: Francis Ford Coppola/Roteiro: Mario Puzo e Francis Ford Coppola, baseado em livro de Mario Puzo/Produção: Francis Ford Coppola/Música: Nino Rota e Carmine Coppola/Direção de Fotografia: Gordon Willis/Direção de Arte: Angelo P. Graham/Figurino: Theadora Van Runkle/Edição: Barry Malkin, Richard Marks e Peter Zinner




Poderoso Chefão II intercala duas narrativas, apresentando a saga de duas gerações “Corleone”. A narrativa mais atual comanda o filme, e submete a do tempo passado por meio do uso intenso de flashbacks, com imagens de cor levemente mais quentes e, em alguns momentos, utilizando-se de fusões como transição entre as imagens do tempo presente e as do passado. Na cena reproduzida aqui, a edição trabalha com uma fusão bastante longa de imagens, como se a lembrança do protagonista estivesse realmente pairando ao seu redor ou dentro de sua cabeça e extrapolando seus limites. Ao final da cena, o filme nos brinda com um terceiro tempo narrativo. Portanto, será possível vislumbrar um flashback dentro de outro. Há, ainda, uma curiosidade a respeito do último flashback do filme (que é o apresentado acima). Acompanhe:
“No final do segundo filme há uma cena de flashback, em que toda a família está reunida para celebrar o aniversário de Don Vito. Durante as gravações desta cena, Marlon Brando não apareceu, como era o combinado. A solução foi fazer com que todos estivessem esperando ele chegar em casa numa festa surpresa. A seqüência é impressionante, pois mesmo sem Brando, Coppola consegue transmitir sua presença, apenas com o suspense de sua chegada”.

FONTE

KILL BILL 2

Título Original: Kill Bill: Vol. 2/Gênero: Ação/Duração: 134 minutos/Ano (EUA): 2004/Direção: Quentin Tarantino/Roteiro: Quentin Tarantino, baseado em personagem criado por Quentin Tarantino e Uma Thurman/Produção: Lawrence Bender e Quentin Tarantino/Música: RZA e Robert Rodriguez/Fotografia: Robert Richardson/Direção de Arte: Daniel Bradford/Figurino: Kumiko Ogawa e Catherine Marie Thomas/Edição: Sally Menke/Efeitos Especiais: K.N.B. EFX Effects Inc.


Mariane Cordeiro - Trilha Sonora
Colocado por cinetvpr

A trilha sonora de Kill Bill vol.2 é tudo! Ela casa com o clima e o trabalho de edição ganha mais vida com a impecável trilha. Nessa cena ocorrem dois tempos de música, e ele é quebrado com uma audácia perfeita. Quebra mas não te tira do filme.

AUTOR: Mariane Cordeiro


KILL BILL 2

Título Original: Kill Bill: Vol. 2/Gênero: Ação/Duração: 134 minutos/Ano (EUA): 2004/Direção: Quentin Tarantino/Roteiro: Quentin Tarantino, baseado em personagem criado por Quentin Tarantino e Uma Thurman/Produção: Lawrence Bender e Quentin Tarantino/Música: RZA e Robert Rodriguez/Fotografia: Robert Richardson/Direção de Arte: Daniel Bradford/Figurino: Kumiko Ogawa e Catherine Marie Thomas/Edição: Sally Menke/Efeitos Especiais: K.N.B. EFX Effects Inc.


Mariane Cordeiro - Flashback
Colocado por cinetvpr

O flashback que inicia o filme é diferente pelo fato que ele não acorre anteriormente, digamos que tivesse acontecido em Kill Bill 1, mas não ocorreu. È um flashback criativo, ele acontece fora do filme, um suposto momento, que apenas Tarantino. O espectador vive aquele passado naquele momento e o aceita como se já tivesse visto no filme anterior. O flashback prossegue mas então na igreja onde ocorre o casamento, mas a parte que mais me impressiona é esse início, totalmente diferente, um começo que faz a mente que está ligada na história viajar mais, muito mais além do filme.

AUTOR: Mariane Cordeiro


KILL BILL 2

Título Original: Kill Bill: Vol. 2/Gênero: Ação/Duração: 134 minutos/Ano (EUA): 2004/Direção: Quentin Tarantino/Roteiro: Quentin Tarantino, baseado em personagem criado por Quentin Tarantino e Uma Thurman/Produção: Lawrence Bender e Quentin Tarantino/Música: RZA e Robert Rodriguez/Fotografia: Robert Richardson/Direção de Arte: Daniel Bradford/Figurino: Kumiko Ogawa e Catherine Marie Thomas/Edição: Sally Menke/Efeitos Especiais: K.N.B. EFX Effects Inc.


Mariane Cordeiro - Diálogo
Colocado por cinetvpr

Esse diálogo é brilhante, pois remete ao teatro. Além do diálogo comum, há um diálogo de corpos. Os três contracenam como se estivessem em um grande palco. A cena é divertida e comovente ao mesmo tempo. Depois de tanta violência sangrenta Tarantino mostra que pode ser mais humano.

AUTOR: Mariane Cordeiro

RASHMON

Título Original: Rashômon/Gênero: Drama/Duração: 88 minutos/Ano (Japão): 1950/Direção: Akira Kurosawa/Roteiro: Akira Kurosawa e Shinobu Hashimoto, baseado em estórias de Ryunosuke Akutagawa /Produção: Minoru Jingo /Música: Fumio Hayasaka /Fotografia: Kazuo Miyagawa /Edição: Akira Kurosawa

Harebell Suzuki - Flashback
Colocado por cinetvpr

“Eu não vejo a natureja como ela é. Ela é como eu a veja”, já dizia ninguém menos do que Pablo Picasso. E Akira Kurosawa, em Rashmon, envereda por essa trilha, discutindo o problema da verdade absoluta, que é inexistente, pois é sempre construída por olhares e pontos de vista humanos; portanto, subjetivos; portanto, parciais e detentores de visões particulares que não conseguem dar conta de abarcar os infinitos olhares sobre um objeto ou sobre um fato (no caso do filme, o assassinato). Em Rashmon, Kurosawa abusa dos flashbacks, como bem traz Márcio Mota, no blogspot “Hipertexto e cultura”. Acompanhe:
“A hipertextualidade no filme Rashomon é obtida durantes as várias e sucessivas utilizações de técnicas de flashback, aonde os personagens vão contando seus pontos de vista a partir de lembranças sobre um crime o qual envolve quatro personagens principais: o nobre marido assassinado, sua esposa violentada, um famoso bandido, um modesto lenhador e um monge Budista. Todos esses personagens possuem suas versões e justificativas, de forma que, ao longo do filme podemos comparar quais delas poderia ser a mais verdadeira”. E continua: “Essa técnica chamada de “Recolection” por Kurosawa faz com que o espectador vire testemunha do crime dramático, assim como leva o espectador a tomar o papel de Juiz na trama. Isso ocorre devido à força interativa que o filme propõe, mais precisamente quando a direção decide posicionar os personagens de frente para a câmera fazendo, com isso, que tanto o publico quanto os personagens troquem olhares diretos; como uma espécie de confessionário”.

(Publicado por Márcio Mota em FONTE)

Ou seja, ao buscar a suposta verdade por meio das diversas versões acerca do assassinato, os flashbacks ajudam a compor um mosaico de visões de mundo, marcadas por lembranças que nem sempre são fiéis à realidade. Assim, não só os personagens perseguem a pretensa verdade, mas Kurosawa coloca o próprio espectador como intérprete e para onde convergem os múltiplos pontos de vista. Nada de assistir passivamente!

GAROTA INTERROMPIDA

Título Original: Girl, Interrupted/Gênero: Drama/Duração: 127 minutos/Ano(EUA): 1999/Direção: James Mangold/Roteiro: James Mangold, Lisa Loomer e Anna Hamilton Phelan,baseado em livro de Susanna Kaysen/Produção: Cathy Konrad e Douglas Wick/Música: Mychael Danna/Direção de Fotografia: Jack N. Green/Direção de Arte: Jeff Knipp/Figurino: Arianne Phillips/Edição: Kevin Tent



Muitos filmes já buscaram perscrutar o universo dos jovens. Alguns fizeram isso repetindo chavões que apenas reforçam estereótipos e apagam as individualidades. Outros, com Garota, interrompida partem dos transtornos sociais e psíquicos de três jovens garotas para criar uma narrativa tensa e repleta de frases cortantes. Para um diálogo cortante e tenso, uma edição à altura. Simples, sem planos rebuscados, ela repete a secura dos diálogos. O diálogo acima revela bem isso. Planos médios e planos próximos acompanham o duelo das palavras também com duelo de olhares, de réplicas, tréplicas e súplicas. Inseguras e ferozes, as personagens ganham muita intensidade com os cortes precisos da edição, sem contorcionismos, e, talvez por isso, eficazes aqui. Alguém já disse por aí, sobre os diálogos: O roteiro é muito bom, adaptado do livro "Garota, interrompida" da própria Kaysen. Tem ótimos diálogos e frases marcantes. Destaque para "A man is a dick is a man is a dick, is a chicken, a Valium, a speculum, whatever..." . O enredo se desenvolveu muito bem mostrando a história quase com perfeição. Talvez esteja aí o único defeito do filme. Ele deveria ser um pouco maior, mas isso não tira seu brilho.
(FONTE)
O ar aparentemente blasé com que é dita a frase tenta esconder personalidades atormentadas por seus distúrbios psicossociais. Os planos próximos nas personagens que falam (mas também nas que ouvem) ajudam a perceber que o duelo de olhares acompanha o duelo de palavras. Você percebeu que, ao ser ferida pelas palavras, a personagem que fica na escada (Daisy) não sustenta o seu olhar até então pretensamente superior? Não? Então veja de novo.

BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇA

Título Original: Eternal Sunshine of the Spotless Mind/ Gênero: Comédia Romântica/ Duração: 108 minutos/ Ano (EUA): 2004/ Direção: Michel Gondry/ Roteiro: Charlie Kaufman, baseado em estória de Charlie Kaufman, Michel Gondry e Pierre Bismuth/ Produção: Anthony Bregman e Steve Golin/ Música: Jon Brion/ Fotografia: Ellen Kuras/ Figurino: Melissa Toth/ Edição: Valdís Óskarsdóttir.

Harebell Suzuki - Trilha Sonora
Colocado por cinetvpr

Brilho eterno de uma mente sem lembrança traz um insólito enredo cujo centro gira em torno da possibilidade de apagarmos de nossa memória as lembranças que nos são dolorosas. Parece fácil, não? O filme, porém, mostra o lado das conseqüências que são ofuscadas pela aparente solução simplista. Porém, Brilho eterno... não consegue mostrar isso apenas por meio de seu roteiro. Vários fatores, como é mister acontecer na boa cinematografia, contribuem para acentuar o drama e a angústia dessa invasão mais extrema de privacidade: aquela que entra em nossa mente e vasculha os segredos mais escondidos. A trilha sonora, por exemplo, é um primor na execução dessa tarefa de intensificar os conflitos. Conforme diz Bernardo Krivochein:
“Brilho eterno... é um triunfo de direção e de estilo. Vai da direção de arte, passa pela fotografia (que estiliza um refletor acoplado a câmera!), pela trilha sonora (a cover de "Everybody's gotta learn sometimes", do Corgis, cantada pelo Beck, é uma facada no coração), um amálgama de escolhas ousadas, porém conscientes. Com o maior respeito ao que está querendo ser transmitido. A sensação passada por Brilho eterno... é a de alguém que, para consolá-lo, simplesmente colocou a cabeça sobre seu ombro, sem ter que dizer nada. Não é aquele filme que te faz se acabar de chorar dentro do cinema; ele te acompanha até em casa, dorme contigo e ainda te leva café na cama a semana inteira. Um filme tanto para se admirar quanto se apaixonar. Assista ou sua vida terá sido uma experiência incompleta.”

( Por Bernardo Krivochein, em FONTE)

Para aqueles que acham que a tecnologia carrega só as maravilhas e os potenciais criativos positivos do homem, Brilho eterno... pode ser um bom começo para rever o assunto. Afinal, mexer na consciência humana é mexer no que há de mais misterioso e... obviamente... humano. O título da canção já nos alerta: “Everybody’s gotta learn sometimes”...

NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA

Título Original: Annie Hall/Gênero: Comédia/Duração: 94 minutos/Ano (EUA): 1977/Direção: Woody Allen/Roteiro: Woody Allen e Marshall Brickman/Produção: Charles H. Joffe e Jack Rollins/Direção de Fotografia: Gordon Willis/Direção de Arte: Mel Bourne/Figurino: Ralph Lauren e Ruth Morley/Edição: Wendy Greene Bricmont e Ralph Rosenblum


Jansen Hinkel - Diálogo
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VELUDO AZUL

Título Original: Blue Velvet/Gênero: Suspense/Duração: 115 minutos/Ano (EUA): 1986/Direção: David Lynch/Roteiro: David Lynch/Produção: Fred C. Caruso/Música: Angelo Badalamenti/Direção de Fotografia: Frederick Elmes/Figurino: Gloria Laughride/Edição: Duwayne Dunham


ERA UMA VEZ NO OESTE

Título Original: C'era una Volta il West/Gênero: Faroeste/Duração: 166 minutos/Ano (Itália / EUA): 1969/Direção: Sergio Leone/Roteiro: Sergio Donati e Sergio Leone, baseado em estória de Dario Argento, Sergio Leone e Bernardo Bertolucci/Produção: Fulvio Morsella/Música: Ennio Morricone/Fotografia: Tonino Delli Colli/Figurino: Carlo Simi/Edição: Nino Baragli

Flavio Stankoski - Flashback
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Interessante que há algumas cenas que são flashbacks, sempre aparece um homem que vem andando ao encontro (da tela), porém, as primeiras vezes não é possível uma identificação, mas na última fica nítido o rosto de Frank. Gaita todas as vezes que se deparava com Frank, citava os nomes de grandes pistoleiros que o bandido já assassinara. Enqanto que Frank, cada vez mais curioso em saber a identidade do ousado forasteiro. E só no duelo final entre os dois, que Gaita revela que era o menino que ele havia deixado sozinho no deserto após matar o irmão, e Gaita voltara somente para se vingar. Um detalhe curioso, que na cena (flashback) em que Frank mata o irmão de Gaita e o deixa ali sozinho, coloca-lhe na boca uma gaita, impedindo o menino de chorar. Quando Gaita mata Frank, faz o mesmo, coloca a mesma gaita que levava consigo o tempo todo para poder nesse momento, deixar na boca de Frank, e o largar ali.

(Por Lilian Biork em FONTE)



ERA UMA VEZ NO OESTE

Título Original: C'era una Volta il West/Gênero: Faroeste/Duração: 166 minutos/Ano (Itália / EUA): 1969/Direção: Sergio Leone/Roteiro: Sergio Donati e Sergio Leone, baseado em estória de Dario Argento, Sergio Leone e Bernardo Bertolucci/Produção: Fulvio Morsella/Música: Ennio Morricone/Fotografia: Tonino Delli Colli/Figurino: Carlo Simi/Edição: Nino Baragli


Flavio Stankoski - Trilha Sonora
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As músicas exercem uma função inexplicável nesse filme, que se tornam parte do enredo. Os quatro personagens além de suas características pessoais, cada um é marcado por uma música. Por exemplo, a música tocada nas cenas em que Frank aparece, a música é preenchida com o som de guitarra com trompete, ou seja, liderança, rispidez, um personagem temido, o som da guitarra é pesado e forte como ele, e há quem diz ser o trompete um instrumento ‘líder’, ele é responsável por puxar a música onde está presente. No caso do Gaita, é o som da própria gaita mesmo, um som misterioso, melódico e melancólico, astuto e ágil, esse som da gaita é fantástico. E em algumas vezes se assemelha ao choro (ou até representa ele), principalmente na cena em que Frank coloca-a na boca do Gaita ainda criança, e o menino cai chorando, o som da gaita está presente nessa cena simbolizando o pranto doloroso do garoto. Com a personagem Jill o som é de uma cantora de ópera cantando à capela, e por incrível que pareça, o som se assemelha muito, lembra as mulheres da vida, os bordéis e cabarés já vistos em outras obras (pelo menos eu tive essa sensação). Quanto ao Cheyenne, a música é de uma graça profunda, meio lenta meio rápida, com um toque de humor (parece música de desenho infantil), completamente ligada ao personagem.

( Por Lilian Biork em FONTE )

ERA UMA VEZ NO OESTE

Título Original: C'era una Volta il West/Gênero: Faroeste/Duração: 166 minutos/Ano (Itália / EUA): 1969/Direção: Sergio Leone/Roteiro: Sergio Donati e Sergio Leone, baseado em estória de Dario Argento, Sergio Leone e Bernardo Bertolucci/Produção: Fulvio Morsella/Música: Ennio Morricone/Fotografia: Tonino Delli Colli/Figurino: Carlo Simi/Edição: Nino Baragli


Flavio Stankoski - Diálogo
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Os diálogos são marcados pelos olhares dos atores em closes que esperam numa estação ferroviária para fazer uma tocaia para o personagem de Bronson, que rouba as cenas com sua gaita sempre tocando uma mesma música conferindo a ele uma certa tranqüilidade e controle sobre suas ações, sempre com um semi-sorriso estampado na cara.

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HULK

Título Original: Hulk/Gênero: Aventura/Duração: 135 minutos/Ano (EUA): 2003/ Direção: Ang Lee/Roteiro: James Schamus, baseado nos personagens criados por Stan Lee e Jack Kirby/Produção: Avi Arad, Larry J. Franco, Gale Anne Hurd e James Schamus /Música: Danny Elfman/Fotografia: Frederick Elmes/Direção de Arte: John Dexter/Figurino: Marit Allen/Edição: Tim Squyres/Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic / K.N.B. EFX Group Inc.

Aline Woinarovicz - Flashback
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A IDENTIDADE BOURNE

Título Original: The Bourne Identity/Gênero: Ação/Duração: 118 minutos/Ano (EUA): 2002/Direção: Doug Liman/Roteiro: Tony Gilroy e W. Blake Herron, baseado em livro de Robert Ludlum/Produção: Patrick Crowley, Richard N. Gladstein e Doug Liman/Música: John Powell/Fotografia: Oliver Wood/Direção de Arte: Laurent Piron e Bettina von den Steinen/Figurino: Pierre-Yves Gayraud/Edição: Saar Klein



Um homem encontrado boiando no mar Mediterrâneo carrega em seu corpo duas balas e o número de uma conta na Suíça. São as únicas pistas que ele tem sobre sua identidade. Jason Bourne, como é revelado (a ele e aos espectadores, mais tarde), começa então uma busca frenética para reconstruir sua vida. A Identidade Bourne, filme de espionagem baseado na obra do escritor Robert Ludlum, poderia ser mais um filme de intrigas+pancadaria. Mas não é. Matt Damon encarna com a competência e o charme de sempre o papel do homem que, sem saber quem é, não tem escrúpulos, freios e só é guiado por uma diretriz: descobrir seu passado, nem que para isso tenha que passar por cima até mesmo de quem era antes seu aliado.
A trilha sonora mistura elementos da música eletrônica com pop, para combinar com o cenário europeu que, de Paris a Zurique, traça um perfil da infiltração norte-americana pelo mundo. Há, em todo o filme, apenas uma cena que mostra uma paisagem americana. Justamente, a do Quartel-General da CIA. Tanto melhor. Até porque espanta a obviedade dos filmes de espionagem norte-americanos.


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CÃES DE ALUGUEL

Título Original: Reservoir Dogs /Gênero: Policial/Duração: 99 minutos/Ano (E.U.A.): 1992/Direção: Quentin Tarantino /Roteiro: Quentin Tarantino /Produção: Lawrence Bender /Fotografia: Andrzej Sekula /Departamento de ArteJonathan Bobbitt /Edição: Sally Menke





O filme conta a história de um grupo de assaltantes que, logo após um trabalho mal sucedido, reencontram-se em um galpão abandonado. Lá eles entram em conflito em função de um clima mútuo de desconfiança, já que surge a idéia que existe um traidor entre eles. Aos poucos conhecemos melhor o que se passou, enquanto a tensão no galpão vai ficando insuportável, à medida que a identidade do traidor não é revelada. Violento, engraçado, original, ousado, arrebatador, surpreendente, obra-prima. Isso é Cães de Aluguel. O filme de estréia do diretor que, com apenas dois filmes, iria sacudir os alicerces de toda uma indústria bilionária; é uma obra de arte em todos os sentidos. Cães de Aluguel é um exercício sublime da linguagem cinematográfica, um filme inovador que conseguiu arrancar risadas do público em meio a um banho de sangue exagerado e surreal. Originalidade é o nome do meio do gênio que é Quentin Tarantino. E os diálogos disparados pelos personagens em Cães de Aluguel são sensacionais. Seja quando um dos personagens explica porque não distribui gorjetas ou quando um dos homens do grupo reclama do nome que recebeu para o trabalho (Mr. Pink), as falas criadas por Tarantino, mesmo que pouco tenham a ver com a trama principal, são de uma originalidade extrema e realmente ajudam a compreender melhor cada personagem – além de, é claro, serem um prazer de se assistir. O começo de “Cães de Aluguel” mostra os bandidos (cães) conversando sobre tudo que eu nunca tinha visto algum bandido conversar em um filme. Falavam sobre a música da Madonna, “Like a Virgin”. Mas espera um pouco! Os caras são bandidos, deveriam falar sobre como vão cometer algum crime. Mas não, falavam sobre a Madonna! Na hora virei fã do roteiro. Falar que os filmes do Tarantino se diferenciam pelos diálogos é lugar comum, mas também não posso deixar de destacá-los.

( Silvio Pilau em FONTE e também FONTE1 )



MARRY POPPINS

Título Original: Mary Poppins/ Gênero: Musical/ Duração: 139 minutos/ Ano (EUA): 1964/ Direção: Robert Stevenson/ Roteiro: Bill Wash e Don DaGradi, baseado em livro de P.L. Travers/ Produção: Walt Disney/ Música: Richard M. Sherman e Robert B. Sherman/ Fotografia: Edward Colman/ Figurino: Tony Walton/ Edição: Cotton Warburton.


"Mary Poppins" é um musical no melhor estilo Disney. Canções alegres, personagens cativantes, lições sobre o amor e a amizade. Tudo isso com o talento de Julie Andrews e Dick Van Dyke. Um grande filme que marcou gerações e ainda permanece vivo na memória dos fãs.(...) (...)Bem clássico, pouco inovador na linguagem, mas cheio de efeitos fantásticos, é filme para a família, sem o menor risco.(...) As canções do filme são, na verdade, nada mais que lições de vida e moral para os pequenos. Assim como “just a spoon full of sugar helps the medicine goes down”, é mais fácil aprender com música. Afinal, quem não se lembra de “feed the birds, two pences a bag” ou “supercalifragilisticoespealidous” e mesmo “Chim Chim Chirree”. Ora “Mary Poppins” nos ensina a ser solidários com os mais pobres, cantando sobre a senhora que ajuda os pássaros, ora como a responsabilidade pode ser cumprida com prazer e não como um fardo e etc.(...) Clássicas, com sonoridade limpa e harmônica, condizente ao restante do filme, as canções são todas orquestradas, conferindo a grandiosidade dos musicais dessa época. O coro cantando o refrão de “Lets Go Fly a Kite” dá um final apoteótico ao filme.(...) Outros recursos muito utilizados nas canções é a citação. As músicas do Sr. Banks são mais citadas que cantadas, dando aquela cara de severidade (afinal não fica bem para um pai de família sair cantarolando por aí) assim como a contraposição de um personagem que tenta falar ao outro enquanto o ouvinte está imerso na canção e não ouve o que o primeiro tenta lhe explicar, como uma certa noção de que aquilo é falso e irreal. Não deixa de ser uma suspensão explicitada da história para que aconteça o número musical.(...) "The Perfect Nanny", cantada pelas crianças Jane e Michael não teria com ser mais graciosa, com a melodia em volume mais baixo para valorizar as vozes dos pequenos Banks embaladas docemente.Contrasta com os tambores, caixas e notas secas que dá a sensação de disciplina na canção sobre esse tema que “dita” o pai. O coral em “ooo” dá enorme dramaticidade à imagem da pobre mulher vendendo alpiste nas escadas da catedral e a harmonia repetitiva e sem graça dos diretores do banco colabora para não simpatizarmos com os mesmos.

FONTE
e também FONTE1

E O VENTO LEVOU

Título Original: Gone With The Wind/ Gênero: Drama/ Duração: 241 minutos/Ano (EUA): 1939/Direção: Victor Fleming/ Roteiro: Sidney Howard, baseado em livro de Margaret Mitchell/ Produção: David O. Selznick/ Música: Max Steiner/ Fotografia: Ernest Haller e Ray Rennahan/ Figurino: Walter Plunkett/ Edição: Hal C. Kern.


Como acontece muitas vezes em empreendimentos gigantes, “E Tudo o Vento Levou” teve um processo de produção que se tornou lendário pelos problemas sistemáticos que teve de contornar. Mas o resultado final excedeu todas as expectativas e tornou-se num dos mais importantes filmes da história, onde tudo parece estar no lugar certo.(...) A história do filme inicia-se em 1861, numa casa em Tara, onde Scarlett O'Hara (Vivien Leigh) fica a saber dos planos de Ashley Wilkes ( Leslie Howard ) para se casar com Melanie Hamilton ( Olivia de Havilland ). Ignorando os avisos do seu pai e da sua fiel criada Mammy ( Hattie McDaniel ), Scarlett decide “atirar-se” a Ashley num churrasco em Twelve Oaks, fazendo uma figura que atrai a atenção e o fascínio de Rhett Butler (Clark Gable). A narrativa acompanha depois a história de amor entre Rhett e Scarlett, moldada por sequências inesquecíveis como o incêndio de Atlanta. O filme termina com uma das linhas de diálogo mais famosas de sempre: “Frankly, my dear, I don't give a damn”.

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CIDADE DE DEUS

Título Original: Cidade de Deus/ Gênero: Drama/ Duração: 135 minutos/ Ano (Brasil): 2002/Direção: Fernando Meirelles/ Roteiro: Bráulio Mantovani, baseado em romance de Paulo Lins/Produção: Walter Salles/ Música: Antônio Pinto e Ed Côrtes/ Fotografia: César Charlone/ Edição: Daniel Rezende.


Cidade de Deus" é um filme-marco não apenas pela discussão que suscita em torno de seus temas (favela, violência, juventude, drogas), mas por colocar em debate -e de certo modo em crise- o próprio cinema brasileiro. (...)Pode-se ainda criticar a adoção de fórmulas narrativas do filme de ação americano, destinadas a garantir a identificação do espectador com os bandidos "do bem", contra os "do mal". O que não se pode, porém, é dizer que se trata de um filme ruim, e muito menos rejeitá-lo em bloco sob o argumento de que estetiza a miséria, configurando uma "cosmética da fome".(...) Visual publicitário. Narração de videoclipe. Espetacularização da violência. Miséria estetizada. Muitas das críticas a "Cidade de Deus", filme de Fernando Meirelles baseado no romance de Paulo Lins, foram por essa linha. De fato, logo no começo de "Cidade de Deus", há uma cena filmada de modo muito vistoso, hábil e ligeiro, bem no estilo MTV. O narrador da história está no meio da rua. Um verdadeiro exército de traficantes está com as armas apontadas contra ele. Ele se vira de costas: a polícia acaba de chegar. A tensão é extrema: tudo indica que o garoto vai morrer no fogo cruzado. A filmagem da cena "real" se interrompe, então, para dar lugar a um malabarismo de câmera. Congela-se a imagem dos dois grupos armados, o narrador gira 360 graus, como num efeito de computador, e o truque nos indica o início de um longo flashback. Voltamos à década de 60, e o filme passa a contar a história dos primeiros bandidos naquele subúrbio carioca.(...) Todas essas conquistas -sem falar da hábil assimilação de técnicas da publicidade e do videoclipe com propósitos narrativos essencialmente cinematográficos- correm o risco de ser obscurecidas por uma reação defensiva e ressentida, armada com o slogan "cosmética da fome".

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CIDADÃO KANE

Título Original: Citizen Kane /Gênero: Drama/Duração: 119 minutos/Ano (E.U.A.): 1941/Direção: Orson Welles /Roteiro: Herman J. Mankiewicz e Orson Welles /Produção: Orson Welles /Música: Bernard Herrmann /Fotografia: Gregg Toland /Departamento de Arte: Perry Ferguson e Van Nest Polglase /Edição: Robert Wise




Orson Welles dirige e atua neste clássico do cinema que retrata a ascensão de Charles Foster Kane. Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro. Mankiewich e Welles tomaram o mesmo conteúdo e radicalizaram a forma. Os flash back aparecerão em maior número e profundidade. Eles trabalharão sobre nove datas, começando em 1870, quando o menino William Foster Kane tem seu destino debatido pelos pais e o preceptor. Em total desprezo para com a cronologia, transitarão inortodoxicamente por 1898- 1915- 1916- 1917- 1918- 1929- 1932 e, finalmente, 1940, época da filmagem, correspondendo á segunda seqüência do filme, momento da morte rosebádica de Kane. A ascensão de um mito da imprensa americana, de garoto pobre no interior a magnata de um império dos meios de comunicação. Inspirado na vida do milionário William Randolph Hearst.

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MAGNÓLIA

Título Original: Magnolia /Gênero: Drama/Duração: 180 minutos/Ano (E.U.A.): 1999/Direção: Paul Thomas Anderson /Roteiro: Paul Thomas Anderson /Produção: Paul Thomas Anderson e Joanne Sellar /Música: Jon Brion, Fiona Apple e Aimee Mann /Fotografia: Robert Elswit /Departamento de Arte: Shepherd Frankel e David Nakabayashi /Edição: Dylan Tichenor



Em San Fernando Valley, Califórnia, nove pessoas terão suas vidas interligadas através de "O Que as Crianças Sabem", um programa de televisão ao vivo que existe há vários anos, onde um grupo de três crianças desafia três adultos. O atual grupo de crianças está indo para a oitava semana e, com isso, faltarão apenas mais duas para elas quebrarem o recorde do programa. Se conseguirem o feito ganharão uma alta soma, mas neste time vencedor está Stanley Spector (Jeremy Blackman), um garoto prodígio que é quem realmente faz a diferença, mas ele está começando a ficar cansado disto, pois entre outras coisas está sendo usado pelo pai (Michael Bowen) para ganhar dinheiro. O programa é comandado por Jimmy Gator (Philip Baker Hall), um veterano da televisão que vai morrer de câncer mas não está em estado terminal. Por coincidência Earl Partridge (Jason Robards), o produtor do programa, também está morrendo de câncer no cérebro e pulmão, mas este tem os dias contados. Earl é marido de Linda Partridge (Julianne Moore), que se casou com ele pelo seu dinheiro mas agora está desesperada, pois descobriu que ama o marido. Earl tem um enfermeiro particular, Phil Parma (Philip Seymour Hoffman), que lhe dá toda a atenção como profissional e como amigo. Earl pede a Phil que entre em contato com Frank T.J. Mackey (Tom Cruise), que cresceu odiando Earl e agora dá um seminário para solteiros, onde ensina técnicas para seduzir uma mulher. O motivo da raiva de Frank é que Earl abandonou sua primeira esposa, e mãe de Frank, após vinte e três anos de casados, quando esta estava com câncer, e deixou Frank com apenas quatorze anos para cuidar da mãe até a morte dela. Desta época em diante os dois nunca mais se falaram, mas Phil tenta localizar Frank de qualquer jeito para avisar que seu pai está morrendo. Coincidentemente Jimmy Gator tem uma filha, Claudia Wilson Gator (Melora Waters), que também não fala com o pai, pois o acusa de tê-la molestado sexualmente. Claudia é viciada em crack e Jim Kurring (John C. Reilly), um policial, vai à casa de Claudia após sido recebido uma queixa de som muito alto no apartamento dela. Jim se apaixona imediatamente por ela, que sente-se atraída e ao mesmo tempo insegura de manter esta relação. Há ainda Donnie Smith (William H. Macy), que em 1968 estabeleceu o recorde de "O Que as Crianças Sabem" mas quando ficou adulto se tornou um patético fracassado, que recentemente foi despedido e busca desesperadamente a felicidade. Todas as personagens passam por um crescendo de sofrimento e tensão quando, de repente, começam a cantar "Wise Up" de Aimee Mann, que fala de nossos arrependimentos necessariamente tardios, fala de nossos desejos de outrora que agora não conseguimos mais suportar. Conclui: nada disso irá parar até que tenhamos os olhos abertos.

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CÃES DE ALUGUEL

Título Original: Reservoir Dogs /Gênero: Policial/Duração: 99 minutos/Ano (E.U.A.): 1992/Direção: Quentin Tarantino /Roteiro: Quentin Tarantino /Produção: Lawrence Bender /Fotografia: Andrzej Sekula /Departamento de ArteJonathan Bobbitt /Edição: Sally Menke



Joe Cabot (Lawrence Tierney), um experiente criminoso, reuniu seis bandidos para um grande roubo de diamantes, mas estes seis homens não sabem nada um sobre os outros e cada um utiliza uma cor como codinome. Porém durante o assalto algo ao saiu errado, pois diversos policiais esperavam no local. Mr. White (Harvey Keitel) levou Mr. Orange (Tim Roth), que na fuga levou um tiro na barriga e morrerá se não tiver logo atendimento médico, para o armazém onde tinha sido combinado que todos se encontrassem. Logo depois chegou Mr. Pink (Steve Buscemi), que está certo que um deles é um policial disfarçado e eles precisam descobrir quem os traiu. Em um clima de acusações mútuas a situação fica cada vez mais insustentável. Sarubbo diz que os filmes de fórmula atuais reduzem até mesmo os paradigmas clássicos do cinema (de 1915 até o fim da década de 1950). Desse gênero, porém, Tarantino bebe na fonte: incorpora suas convenções, o prazer de contar histórias e o domínio do diálogo. "Mas, ao mesmo tempo, ele o transcende ao integrar o cinema moderno dos anos 50 e 60 e o cinema pós-moderno, constituído de paródia", afirma. Outra citação, portanto, são as muitas digressões a Sergio Leone e Godard. Assim como nos filmes desses diretores, os diálogos não fazem avançar a narrativa. "O princípio central dos longas-metragens de Tarantino é o acaso. Muitas vezes, ele quebra a causalidade narrativa, que é também um traço do cinema clássico", explica.

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CÃES DE ALUGUEL

Título Original: Reservoir Dogs/Gênero: Policial/Duração: 99 minutos/Ano (EUA): 1992/Direção: Quentin Tarantino/Roteiro: Quentin Tarantino/Produção: Lawrence Bender/Direção de Fotografia: Andrzej Sekula/Figurino: Betsy Heimann/Edição: Sally Menke


“Acerca da infame seqüência de tortura – em que Mr. Blonde corta à navalha a
orelha de um policial – que Tarantino filmou para Cães de Aluguel , o próprio realizador revelou que , se for certeira a aplicação da música ao momento exato, as imagens e o som, tal como o impacto que essa combinação provoca, permanecerão para sempre indissociáveis.E de fato ninguém consegue evitar a conotação violenta que obtém “Stuck in the Middle with you” em reação química com a mais atroz projeção mental individual de um momento sangrento – o da orelha decepada – ocultado por um brilhante mise-en-scéne”

55:33/ 57:26

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CIDADÃO KANE

Título Original: Citizen Kane/Gênero: Drama/ Duração: 119 minutos/Ano (EUA): 1941/Direção: Orson Welles/Roteiro: Herman J. Mankiewicz e Orson Welles/Produção: Orson Welles/Música: Bernard Herrmann/Direção de Fotografia: Gregg Toland/Direção de Arte: Perry Ferguson e Van Nest Polglase/Figurino: Edward Stevenson/Edição: Robert Wise


Mankiewich e Welles tomaram o mesmo conteúdo e radicalizaram a forma. Os flash back aparecerão em maior número e profundidade. Eles trabalharão sobre nove datas, começando em 1870, quando o menino William Foster Kane tem seu destino debatido pelos pais e o preceptor. Em total desprezo para com a cronologia, transitarão inortodoxicamente por 1898- 1915- 1916- 1917- 1918- 1929- 1932 e,finalmente, 1940, época da filmagem, correspondendo á segunda seqüência do filme, momento da morte rosebádica de Kane.

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RASHMON

Título Original: Rashômon/Gênero: Drama/Duração: 88 minutos/Ano (Japão): 1950/Direção: Akira Kurosawa/Roteiro: Akira Kurosawa e Shinobu Hashimoto, baseado em estórias de Ryunosuke Akutagawa /Produção: Minoru Jingo /Música: Fumio Hayasaka /Fotografia: Kazuo Miyagawa /Edição: Akira Kurosawa



Pegue meu eu, subtraia dele filmes e o resultado será zero.” Assim Akira Kurosawa se definia, demonstrando a importância que o cinema adquiriu em sua vida. A frase, no entanto, poderia também estar invertida: pegue os filmes do cineasta, subtraia o autor Kurosawa deles e o resultado também será nulo. Se sua vida podia ser contada através de sua obra, esta tão pouco existiria dissociada da formação político-cultural do homem e do caráter humanista do artista. Junto com Kenji Mizoguchi e Yasujiro Ozu, formou o trio de cineastas mais importante do cinema japonês. Akira Kurosawa nasceu em 1910, em Tóquio. Era o filho caçula de Isamu e Shima. Tinha oito irmãos e irmãs, entre os quais Heigo, quatro anos mais velho e que teria grande influência na vida do futuro cineasta. Desde criança, Kurosawa dedicou-se à pintura. Em 1928, com 18 anos, após formar-se no Ginásio Keika, começou a freqüentar o Centro de Pesquisa de Arte Proletária. Nessa época, o Japão passava por uma grande transformação social, com a prisão de membros do Partido Comunista e o assassinato de líderes militares. Além disso, o país sofria também, como o resto do mundo, com o pânico econômico gerado pela Grande Depressão. O inquieto Kurosawa já não conseguia mais se dedicar apenas à pintura. Começou, então, a explorar os férteis domínios da literatura, do teatro, da música e do cinema. Com “Rashomon”, Kurosawa retoma o principal tema de Pirandello, dramaturgo e escritor italiano: a pluralidade do ser humano e sua inútil tentativa de buscar a verdade, sempre fragmentada e relativa. A estrutura em flashbacks era a forma ideal de construção dos vários pontos de vista da narrativa. Dificilmente o flashback aparecia no cinema japonês, pois, geralmente, era considerado desnecessário. Aqui, no entanto, tal dispositivo estrutural foi fundamental para que Kurosawa atingisse seus objetivos. Francisco Luiz de Almeida Salles considerava “Rashomon” “uma obra de grande beleza, de superior força expressiva e de sentido temático.” O filme abriu as portas para o cinema japonês no Ocidente ao ganhar o Leão de Ouro no Festival de Veneza, em 1951. Posteriormente, foi premiado também com o Oscar de melhor filme estrangeiro. “Rashomon” foi também adaptado pelo cinema americano. Sua história serviu de base para o filme “Quatro Confissões”, de Martin Ritt, realizado em 1964, além de ecoar, até hoje, em produções distintas. Após o sucesso de “Rashomon”, Kurosawa continuou realizando obras-primas, como “Hakuchi, o Idiota”, de 1951, baseado no livro de Dostoievski, e “Viver”, de 1952, premiado no Festival de Berlim. Mas foi com “Os Sete Samurais” que novamente teve grande repercussão mundial.

FONTE



NOSSA MÚSICA

Título Original: Notre Musique/Gênero: Drama/Duração: 80 minutos/Ano (França): 2004/Direção: Jean Luc Godard/Roteiro: Jean Luc Godard /Produção: Alain Sarde e Ruth Waldburger /Música: Hans Otte/Fotografia: Julien Hirsch / Direção de Arte: Anne Marie Miéville /Edição: Jean Luc Godard


Se fosse música, seria um réquiem. Mas “Nossa Música” é cinema e, além, é Godard. Esse “filme-réquiem” se divide em três partes (movimentos). A primeira, “Inferno”, apresenta os temas tratados: as guerras, pegadas sangrentas da humanidade numa estrada chamada (talvez ironicamente) “civilização”. A montagem e a voz off desse primeiro segmento lembram as “Histoire(s) du Cinéma”, revisão crítica de Godard sobre a cinematografia mundial, especialmente a norte-americana. Nas “Histoires”, cinema e política se misturam de forma não pouco lasciva e imoral, como se fossem amantes culpados. Já em “Nossa Música”, o embate é com os fatos históricos recentes, especialmente com duas características aparentemente contraditórias: uma maior “unanimidade” no discurso das nações mundiais e um acirramento dos conflitos internacionais. Godard dinamita ambas. Contra a “unanimidade” (um discurso único, pacifista e politicamente correto), Godard opõe a confusão, a dúvida, a incerteza. O fascismo é límpido e correto, a liberdade é anárquica e confusa (e quem melhor filmou isso foi Eisenstein na antológica seqüência da escadaria de Odessa). “Nossa Música” não é um filme dramático, em que os conflitos caminham logicamente para uma conclusão, após o devido clímax. É um filme-ensaio. Não é ópera, é música de câmara — com o pendor modernista de um Arnold Schönberg. Ao tratar do acirramento dos conflitos internacionais — hoje reforçada pelo painel político das nações mais poderosas do globo —, “Nossa Música” escapa do fatalismo e do jogo melodramático, que simplesmente transforma uns em mártires e outros em demônios. Contra isso, Godard consegue reencontrar uma utopia, a do perdão e da aceitação do outro. É a busca dessa utopia que marca o segundo segmento do filme, “Purgatório”, gravado em Sarajevo. Sarajevo é a cidade-síntese da tensão entre uma Europa “civilizada” e uma outra Europa em guerra. Lá estourou o estopim da Segunda Guerra Mundial, maior genocídio da história contemporânea; lá teve lugar o último grande conflito europeu do século XX, a Guerra da Bósnia. “Nossa Música” encena um congresso de escritores (do qual faz parte o próprio Godard) em que uma jornalista procura descobrir essa nova e misteriosa utopia do século XXI. Aqui se instauram todas as dúvidas e incertezas desse projeto. Aqui a História parece encontrar um beco sem saída. Porém, na última parte, “Paraíso”, Godard aponta para a possível realização dessa utopia, sem excluir suas ironias, seus descaminhos. Outro gênio do cinema, Stanley Kubrick, parecia reafirmar em suas obras que a dita “civilização” precisa da violência para seguir em frente. Não é uma escolha entre “paz” ou “guerra”, mas algo inerente ao processo civilizatório. A escolha mais correta poderia ser “estagnar” ou “evoluir”, sendo que a última opção sempre implicará em algum derramamento de sangue. Quanto mais civilizados, mais violentos, mais agressivos — e não o contrário, como se imagina. Godard não endossa a idéia de Kubrick, mas o “paraíso” de “Nossa Música” não é totalmente destituído de ironia, o que salva “Nossa Música” de ter a sisudez de algumas obras mais ressentidas e amargas do diretor, como “Detetive” e “Nouvelle Vague”. Como um bom réquiem, “Nossa Música” precisa se equilibrar entre a beleza e o respeito ao luto. Precisa proporcionar conforto e manter a lembrança do que já se tornou passado. É falar abertamente sobre o mais universal dos temas: a morte. Aquele cinema feito para os adolescentes norte-americanos (em outras palavras, a avassaladora maioria da produção mundial) parece sempre escapar desses temas tão importantes: morte e renascimento. Aquilo que termina e aquilo que permanece. Não se trata aqui da morte de um indivíduo, mas de toda uma época. “Nossa Música” é ao mesmo tempo o último filme de Godard do século XX e o primeiro filme de Godard do século XXI.

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