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segunda-feira, 20 de agosto de 2007

SINAIS

Título Original: Signs/Gênero: Suspense/Duração: 107 minutos/Ano (EUA): 2002/ Direção: M. Night Shyamalan/Roteiro: M. Night Shyamalan/Produção: Frank Marshall, M. Night Shyamalan e Sam Mercer/Música: James Newton Howard/Fotografia: Tak Fujimoto/Direção de Arte: Keith P. Cunningham/Figurino: Ann Roth/Edição: Barbara Tulliver/Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic


M. Night Shyamalan:
Começamos a filmagem dois dias depois do dia 11 de setembro, então nós e o mundo estávamos tentando lidar com a repercussão daquele evento e também que estávamos trabalhando em algo importante. Eu nunca tinha trabalhado com o Mel Gibson antes, e eu queria descontrair desde o começo e fazer uma das cenas mais importantes, senão a mais importante, já no primeiro dia; para terminarmos com isso, passar por esse processo e chegar ao âmago da coisa. Era uma filmagem noturna e eu tinha ido dormir muito tarde, para que meu corpo se acostumasse com a noite sem sofrer muito, então tentei dormir mas não pude porque estava muito ansioso, então levantei e olhei para as anotações que tínhamos preparado -porque nos preparamos muito para isso-, e fui para a floresta onde filmaríamos. Foi muito mágico quando começamos naquele dia, fizemos uma vigília a luz de velas antes de começarmos a filmar. Todos tinham uma vela. E começamos a chorar naquele ponto, mesmo antes de começar a filmar uma cena... onde um homem e uma mulher têm sua última conversa um com o outro antes dela morrer. O ar estava super carregado, e o Mel Gibson vem para o cenário vestindo sua roupa de pastor pela primeira vez, todos provavelmente lembrarão desse dia como um grande dia. Tecnicamente, em ordem cronológica, a primeira cena que acontece na vida dos personagens foi a primeira cena que filmamos, a morte da mãe, que tinha acontecido seis meses atrás. Mas o filme na verdade começa com o Mel acordando com uma má sensação sobre alguma coisa, e assim somos apresentados aos personagens um por um. Tendo em vista que tal flashback é mostrado em partes ao longo do filme, o vídeo postado na internet é uma compilação de todas essas partes, na ordem em que aparece no filme.

Os seguintes comentários/críticas foram transcritos do making of do filme “Sinais” (Signs, 2002), de M. Night Shyamalan.

domingo, 19 de agosto de 2007

PULP FICTION

Título Original: Pulp Fiction/ Gênero: Policial/ Duração: 154 minutos/Ano (EUA): 1994/Direção: Quentin Tarantino/Roteiro: Quentin Tarantino, baseado em estória de Roger Avary e Quentin Tarantino/Produção: Lawrence Bender/Direção de Fotografia: Andrzej Sekula/ Direção de Arte: Charles Collum/Figurino: Betsy Heimann/Edição: Sally Menke


Meados dos anos 90 e todos que assistiram a Pulp Fiction inevitavelmente comentavam a respeito desse filme “muito louco”, que costurava seu enredo com retalhos de tempos distintos, em um vaivém que obrigava a uma ginástica mental fascinante. O trabalho de edição foi sem dúvida o responsável por essa sensação, e o recurso do flashback sem avisos prévios ao espectador acentuava o clima de excitação e estranhamento. Acompanhe dois comentários que corroboram com essa visão:

“Por que Tarantino escolheu fazer seu filme assim? Recursos de flashback e flash forward não são nada novos em narrativas cinematográficas, mas seu uso em Pulp Fiction deixa os espectadores desnorteados com os ladrões que somem após a seqüência de abertura, os personagens que morrem e reaparecem, etc. Lendo o roteiro, fica claro que isso foi planejado desde sua redação. Ainda assim, podemos remontar o filme em grandes blocos, 14 como se estivéssemos em um processador de textos.”
"A diferença na estrutura de Cães de Aluguel para Pulp Fiction está, basicamente, que no primeiro há um presente que vai nos guiando pelos flashbacks que o filme dá para nos explicar o que está acontecendo (no caso, o galpão usado como escape caso alguma coisa desse errado no plano). Já em Pulp, Tarantino simplesmente conta sua história de maneira completamente não
linear, sem um tempo definido para nos servir de base e, mesmo assim, não nos perdemos dentro da história.
"Não há moral, complacência ou autocomiseração em Pulp Fiction. Tudo é efêmero e gratuito, embora Tarantino invista os diálogos de uma pátina filosófica que disfarça bem as reais intenções por trás de cada frase. A narrativa é entrecortada por elipses e flashbacks e intermediada por seguimentos autônomos, o que faz o espectador não se dar conta das duas horas e meia de duração do filme."Quando tudo sinaliza uma enfiada de tiros e sangue, Tarantino contrapõe com a história do lutador de boxe Butch Coolidge (Bruce Willis em grande forma) que trava um embate com sua consciência. Subornado por Wallace para perder sua próxima luta, ele relembra a vida honrada de seu pai, morto na Guerra do Vietnã. "O orgulho magoa", afirma um mefistofélico Wallace, para quem honra e orgulho são facilmente comprados com alguns maços de dólares. Butch aceita o dinheiro, mas no ringue massacra seu adversário, quebrando uma regra de ouro no submundo do crime: não trair. Por meio de um flash back, a memória do pai se oferece como uma justificativa para seu ato."


(Roberto Tietzmann, em FONTE)

(Samir Thomaz, em FONTE)

SÃO PAULO S.A.

Título Original: São Paulo S.A./Direção: Luís Sérgio Person/Roteiro: Luís Sérgio Person/ Gênero: Drama/Ano: (Brasil): 1965/ Duração: 111 minutos



O PODEROSO CHEFÃO II

Título Original: The Godfather: Part II/Gênero: Drama/Duração: 200 minutos/Ano(EUA): 1974/Direção: Francis Ford Coppola/Roteiro: Mario Puzo e Francis Ford Coppola, baseado em livro de Mario Puzo/Produção: Francis Ford Coppola/Música: Nino Rota e Carmine Coppola/Direção de Fotografia: Gordon Willis/Direção de Arte: Angelo P. Graham/Figurino: Theadora Van Runkle/Edição: Barry Malkin, Richard Marks e Peter Zinner




Poderoso Chefão II intercala duas narrativas, apresentando a saga de duas gerações “Corleone”. A narrativa mais atual comanda o filme, e submete a do tempo passado por meio do uso intenso de flashbacks, com imagens de cor levemente mais quentes e, em alguns momentos, utilizando-se de fusões como transição entre as imagens do tempo presente e as do passado. Na cena reproduzida aqui, a edição trabalha com uma fusão bastante longa de imagens, como se a lembrança do protagonista estivesse realmente pairando ao seu redor ou dentro de sua cabeça e extrapolando seus limites. Ao final da cena, o filme nos brinda com um terceiro tempo narrativo. Portanto, será possível vislumbrar um flashback dentro de outro. Há, ainda, uma curiosidade a respeito do último flashback do filme (que é o apresentado acima). Acompanhe:
“No final do segundo filme há uma cena de flashback, em que toda a família está reunida para celebrar o aniversário de Don Vito. Durante as gravações desta cena, Marlon Brando não apareceu, como era o combinado. A solução foi fazer com que todos estivessem esperando ele chegar em casa numa festa surpresa. A seqüência é impressionante, pois mesmo sem Brando, Coppola consegue transmitir sua presença, apenas com o suspense de sua chegada”.

FONTE

KILL BILL 2

Título Original: Kill Bill: Vol. 2/Gênero: Ação/Duração: 134 minutos/Ano (EUA): 2004/Direção: Quentin Tarantino/Roteiro: Quentin Tarantino, baseado em personagem criado por Quentin Tarantino e Uma Thurman/Produção: Lawrence Bender e Quentin Tarantino/Música: RZA e Robert Rodriguez/Fotografia: Robert Richardson/Direção de Arte: Daniel Bradford/Figurino: Kumiko Ogawa e Catherine Marie Thomas/Edição: Sally Menke/Efeitos Especiais: K.N.B. EFX Effects Inc.


Mariane Cordeiro - Flashback
Colocado por cinetvpr

O flashback que inicia o filme é diferente pelo fato que ele não acorre anteriormente, digamos que tivesse acontecido em Kill Bill 1, mas não ocorreu. È um flashback criativo, ele acontece fora do filme, um suposto momento, que apenas Tarantino. O espectador vive aquele passado naquele momento e o aceita como se já tivesse visto no filme anterior. O flashback prossegue mas então na igreja onde ocorre o casamento, mas a parte que mais me impressiona é esse início, totalmente diferente, um começo que faz a mente que está ligada na história viajar mais, muito mais além do filme.

AUTOR: Mariane Cordeiro


RASHMON

Título Original: Rashômon/Gênero: Drama/Duração: 88 minutos/Ano (Japão): 1950/Direção: Akira Kurosawa/Roteiro: Akira Kurosawa e Shinobu Hashimoto, baseado em estórias de Ryunosuke Akutagawa /Produção: Minoru Jingo /Música: Fumio Hayasaka /Fotografia: Kazuo Miyagawa /Edição: Akira Kurosawa

Harebell Suzuki - Flashback
Colocado por cinetvpr

“Eu não vejo a natureja como ela é. Ela é como eu a veja”, já dizia ninguém menos do que Pablo Picasso. E Akira Kurosawa, em Rashmon, envereda por essa trilha, discutindo o problema da verdade absoluta, que é inexistente, pois é sempre construída por olhares e pontos de vista humanos; portanto, subjetivos; portanto, parciais e detentores de visões particulares que não conseguem dar conta de abarcar os infinitos olhares sobre um objeto ou sobre um fato (no caso do filme, o assassinato). Em Rashmon, Kurosawa abusa dos flashbacks, como bem traz Márcio Mota, no blogspot “Hipertexto e cultura”. Acompanhe:
“A hipertextualidade no filme Rashomon é obtida durantes as várias e sucessivas utilizações de técnicas de flashback, aonde os personagens vão contando seus pontos de vista a partir de lembranças sobre um crime o qual envolve quatro personagens principais: o nobre marido assassinado, sua esposa violentada, um famoso bandido, um modesto lenhador e um monge Budista. Todos esses personagens possuem suas versões e justificativas, de forma que, ao longo do filme podemos comparar quais delas poderia ser a mais verdadeira”. E continua: “Essa técnica chamada de “Recolection” por Kurosawa faz com que o espectador vire testemunha do crime dramático, assim como leva o espectador a tomar o papel de Juiz na trama. Isso ocorre devido à força interativa que o filme propõe, mais precisamente quando a direção decide posicionar os personagens de frente para a câmera fazendo, com isso, que tanto o publico quanto os personagens troquem olhares diretos; como uma espécie de confessionário”.

(Publicado por Márcio Mota em FONTE)

Ou seja, ao buscar a suposta verdade por meio das diversas versões acerca do assassinato, os flashbacks ajudam a compor um mosaico de visões de mundo, marcadas por lembranças que nem sempre são fiéis à realidade. Assim, não só os personagens perseguem a pretensa verdade, mas Kurosawa coloca o próprio espectador como intérprete e para onde convergem os múltiplos pontos de vista. Nada de assistir passivamente!

ERA UMA VEZ NO OESTE

Título Original: C'era una Volta il West/Gênero: Faroeste/Duração: 166 minutos/Ano (Itália / EUA): 1969/Direção: Sergio Leone/Roteiro: Sergio Donati e Sergio Leone, baseado em estória de Dario Argento, Sergio Leone e Bernardo Bertolucci/Produção: Fulvio Morsella/Música: Ennio Morricone/Fotografia: Tonino Delli Colli/Figurino: Carlo Simi/Edição: Nino Baragli

Flavio Stankoski - Flashback
Colocado por cinetvpr


Interessante que há algumas cenas que são flashbacks, sempre aparece um homem que vem andando ao encontro (da tela), porém, as primeiras vezes não é possível uma identificação, mas na última fica nítido o rosto de Frank. Gaita todas as vezes que se deparava com Frank, citava os nomes de grandes pistoleiros que o bandido já assassinara. Enqanto que Frank, cada vez mais curioso em saber a identidade do ousado forasteiro. E só no duelo final entre os dois, que Gaita revela que era o menino que ele havia deixado sozinho no deserto após matar o irmão, e Gaita voltara somente para se vingar. Um detalhe curioso, que na cena (flashback) em que Frank mata o irmão de Gaita e o deixa ali sozinho, coloca-lhe na boca uma gaita, impedindo o menino de chorar. Quando Gaita mata Frank, faz o mesmo, coloca a mesma gaita que levava consigo o tempo todo para poder nesse momento, deixar na boca de Frank, e o largar ali.

(Por Lilian Biork em FONTE)



HULK

Título Original: Hulk/Gênero: Aventura/Duração: 135 minutos/Ano (EUA): 2003/ Direção: Ang Lee/Roteiro: James Schamus, baseado nos personagens criados por Stan Lee e Jack Kirby/Produção: Avi Arad, Larry J. Franco, Gale Anne Hurd e James Schamus /Música: Danny Elfman/Fotografia: Frederick Elmes/Direção de Arte: John Dexter/Figurino: Marit Allen/Edição: Tim Squyres/Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic / K.N.B. EFX Group Inc.

Aline Woinarovicz - Flashback
Colocado por cinetvpr

CIDADE DE DEUS

Título Original: Cidade de Deus/ Gênero: Drama/ Duração: 135 minutos/ Ano (Brasil): 2002/Direção: Fernando Meirelles/ Roteiro: Bráulio Mantovani, baseado em romance de Paulo Lins/Produção: Walter Salles/ Música: Antônio Pinto e Ed Côrtes/ Fotografia: César Charlone/ Edição: Daniel Rezende.


Cidade de Deus" é um filme-marco não apenas pela discussão que suscita em torno de seus temas (favela, violência, juventude, drogas), mas por colocar em debate -e de certo modo em crise- o próprio cinema brasileiro. (...)Pode-se ainda criticar a adoção de fórmulas narrativas do filme de ação americano, destinadas a garantir a identificação do espectador com os bandidos "do bem", contra os "do mal". O que não se pode, porém, é dizer que se trata de um filme ruim, e muito menos rejeitá-lo em bloco sob o argumento de que estetiza a miséria, configurando uma "cosmética da fome".(...) Visual publicitário. Narração de videoclipe. Espetacularização da violência. Miséria estetizada. Muitas das críticas a "Cidade de Deus", filme de Fernando Meirelles baseado no romance de Paulo Lins, foram por essa linha. De fato, logo no começo de "Cidade de Deus", há uma cena filmada de modo muito vistoso, hábil e ligeiro, bem no estilo MTV. O narrador da história está no meio da rua. Um verdadeiro exército de traficantes está com as armas apontadas contra ele. Ele se vira de costas: a polícia acaba de chegar. A tensão é extrema: tudo indica que o garoto vai morrer no fogo cruzado. A filmagem da cena "real" se interrompe, então, para dar lugar a um malabarismo de câmera. Congela-se a imagem dos dois grupos armados, o narrador gira 360 graus, como num efeito de computador, e o truque nos indica o início de um longo flashback. Voltamos à década de 60, e o filme passa a contar a história dos primeiros bandidos naquele subúrbio carioca.(...) Todas essas conquistas -sem falar da hábil assimilação de técnicas da publicidade e do videoclipe com propósitos narrativos essencialmente cinematográficos- correm o risco de ser obscurecidas por uma reação defensiva e ressentida, armada com o slogan "cosmética da fome".

FONTE

CIDADÃO KANE

Título Original: Citizen Kane /Gênero: Drama/Duração: 119 minutos/Ano (E.U.A.): 1941/Direção: Orson Welles /Roteiro: Herman J. Mankiewicz e Orson Welles /Produção: Orson Welles /Música: Bernard Herrmann /Fotografia: Gregg Toland /Departamento de Arte: Perry Ferguson e Van Nest Polglase /Edição: Robert Wise




Orson Welles dirige e atua neste clássico do cinema que retrata a ascensão de Charles Foster Kane. Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro. Mankiewich e Welles tomaram o mesmo conteúdo e radicalizaram a forma. Os flash back aparecerão em maior número e profundidade. Eles trabalharão sobre nove datas, começando em 1870, quando o menino William Foster Kane tem seu destino debatido pelos pais e o preceptor. Em total desprezo para com a cronologia, transitarão inortodoxicamente por 1898- 1915- 1916- 1917- 1918- 1929- 1932 e, finalmente, 1940, época da filmagem, correspondendo á segunda seqüência do filme, momento da morte rosebádica de Kane. A ascensão de um mito da imprensa americana, de garoto pobre no interior a magnata de um império dos meios de comunicação. Inspirado na vida do milionário William Randolph Hearst.

FONTE

CIDADÃO KANE

Título Original: Citizen Kane/Gênero: Drama/ Duração: 119 minutos/Ano (EUA): 1941/Direção: Orson Welles/Roteiro: Herman J. Mankiewicz e Orson Welles/Produção: Orson Welles/Música: Bernard Herrmann/Direção de Fotografia: Gregg Toland/Direção de Arte: Perry Ferguson e Van Nest Polglase/Figurino: Edward Stevenson/Edição: Robert Wise


Mankiewich e Welles tomaram o mesmo conteúdo e radicalizaram a forma. Os flash back aparecerão em maior número e profundidade. Eles trabalharão sobre nove datas, começando em 1870, quando o menino William Foster Kane tem seu destino debatido pelos pais e o preceptor. Em total desprezo para com a cronologia, transitarão inortodoxicamente por 1898- 1915- 1916- 1917- 1918- 1929- 1932 e,finalmente, 1940, época da filmagem, correspondendo á segunda seqüência do filme, momento da morte rosebádica de Kane.

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RASHMON

Título Original: Rashômon/Gênero: Drama/Duração: 88 minutos/Ano (Japão): 1950/Direção: Akira Kurosawa/Roteiro: Akira Kurosawa e Shinobu Hashimoto, baseado em estórias de Ryunosuke Akutagawa /Produção: Minoru Jingo /Música: Fumio Hayasaka /Fotografia: Kazuo Miyagawa /Edição: Akira Kurosawa



Pegue meu eu, subtraia dele filmes e o resultado será zero.” Assim Akira Kurosawa se definia, demonstrando a importância que o cinema adquiriu em sua vida. A frase, no entanto, poderia também estar invertida: pegue os filmes do cineasta, subtraia o autor Kurosawa deles e o resultado também será nulo. Se sua vida podia ser contada através de sua obra, esta tão pouco existiria dissociada da formação político-cultural do homem e do caráter humanista do artista. Junto com Kenji Mizoguchi e Yasujiro Ozu, formou o trio de cineastas mais importante do cinema japonês. Akira Kurosawa nasceu em 1910, em Tóquio. Era o filho caçula de Isamu e Shima. Tinha oito irmãos e irmãs, entre os quais Heigo, quatro anos mais velho e que teria grande influência na vida do futuro cineasta. Desde criança, Kurosawa dedicou-se à pintura. Em 1928, com 18 anos, após formar-se no Ginásio Keika, começou a freqüentar o Centro de Pesquisa de Arte Proletária. Nessa época, o Japão passava por uma grande transformação social, com a prisão de membros do Partido Comunista e o assassinato de líderes militares. Além disso, o país sofria também, como o resto do mundo, com o pânico econômico gerado pela Grande Depressão. O inquieto Kurosawa já não conseguia mais se dedicar apenas à pintura. Começou, então, a explorar os férteis domínios da literatura, do teatro, da música e do cinema. Com “Rashomon”, Kurosawa retoma o principal tema de Pirandello, dramaturgo e escritor italiano: a pluralidade do ser humano e sua inútil tentativa de buscar a verdade, sempre fragmentada e relativa. A estrutura em flashbacks era a forma ideal de construção dos vários pontos de vista da narrativa. Dificilmente o flashback aparecia no cinema japonês, pois, geralmente, era considerado desnecessário. Aqui, no entanto, tal dispositivo estrutural foi fundamental para que Kurosawa atingisse seus objetivos. Francisco Luiz de Almeida Salles considerava “Rashomon” “uma obra de grande beleza, de superior força expressiva e de sentido temático.” O filme abriu as portas para o cinema japonês no Ocidente ao ganhar o Leão de Ouro no Festival de Veneza, em 1951. Posteriormente, foi premiado também com o Oscar de melhor filme estrangeiro. “Rashomon” foi também adaptado pelo cinema americano. Sua história serviu de base para o filme “Quatro Confissões”, de Martin Ritt, realizado em 1964, além de ecoar, até hoje, em produções distintas. Após o sucesso de “Rashomon”, Kurosawa continuou realizando obras-primas, como “Hakuchi, o Idiota”, de 1951, baseado no livro de Dostoievski, e “Viver”, de 1952, premiado no Festival de Berlim. Mas foi com “Os Sete Samurais” que novamente teve grande repercussão mundial.

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BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇA

Título Original: Eternal Sunshine of the Spotless Mind/ Gênero: Comédia Romântica/ Duração: 108 minutos/ Ano (EUA): 2004/ Direção: Michel Gondry/ Roteiro: Charlie Kaufman, baseado em estória de Charlie Kaufman, Michel Gondry e Pierre Bismuth/ Produção: Anthony Bregman e Steve Golin/ Música: Jon Brion/ Fotografia: Ellen Kuras/ Figurino: Melissa Toth/ Edição: Valdís Óskarsdóttir.



(...)No filme, o casal Joel (Carrey) e Clementine (Kate Winslet) vivem um momento de forte crise na relação. Joel é tímido, reservado, metódico. O tipo de pessoa que tem medo de viver e ainda deseja desesperadamente encontrar alguém que consiga retirá-lo de sua concha. Clementine é quase o oposto: extrovertida, impulsiva, espontânea, quer viver intensamente cada segundo de sua vida. Mas por trás de toda essa fachada de mulher independente, tudo o que ela deseja é alguém capaz de amá-la como ela é. Enfim são duas carências que se complementam, mas ao mesmo tempo se chocam. E ao chegar no ponto em que o choque se torna maior que o conforto, Clementine decide abandonar Joel. Mais do que abandonar, ela decide contratar um especialista para apagar todas as lembranças que ela tem do namorado. Seria como se o relacionamento nunca tivesse acontecido. Um suposta oportunidade para uma nova vida.
(...)O filme se passa em dois planos distintos: o pano da realidade no qual trabalham os médicos para apagarem a mente de Joel, e o plano das lembranças da personagem. Essa divisão em dois planos é apenas um artifício para se contar a história de Joel e Clementine, pois a operação de limpeza das memórias do personagem de Carrey nos transporta diretamente para a reconstrução dos momentos da vida do casal. É um flashback sem ser necessariamente um flashback no sentido convencional.
(...)Se costumam dizer que é preferível amar e sofrer do que nunca ter amado, Kaufman diz um pouco mais: podemos apagar as memórias da mente, mas nunca os sentimentos da alma.

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sábado, 18 de agosto de 2007

HERÓI

Título Original: Ying xiong /Gênero: Drama/Duração: 107 minutos/Ano (China): 2002/Direção: Yimou Zhang /Roteiro: Feng Li, Bin Wang e Yimou Zhang /Produção: William Kong /Música: Tan Dun /Fotografia: Christopher Doyle /Departamento de Arte: Tingxiao Huo e Bin Zhao /Edição: Angie Lam, Vincent Lee e Ru Zhai

Os diferentes flashbacks do filme são diferenciados pela cor predominante da cena e pelas roupas usadas pelos personagens. As tonalidades de cor e seus respectivos significados usados são: vermelho (paixão), azul (amor), verde (juventude), branco (verdade) e preto (morte).

Todo o filme se passa em flashbacks sobre o que o rei e Sem Nome contam.

O filme é, assim como O Clã das Adagas Voadoras, um deleite para os sentidos. As cenas fluem com uma naturalidade incrível e as cores utilizadas contam uma história aparte dentro do próprio filme. Diferentemente de "O Clã…", onde existe uma predominância do verde, em "Herói", a cada flashback uma cor é escolhida como base, para aumentar ainda mais o simbolismo e a mensagem passada pela cena. As cores escolhidas foram vermelho (paixão), azul (amor), verde (juventude), branco (verdade) e preto (morte).

FONTE
e também FONTE1

MORANGOS SILVESTRES

Título Original: Smultronstället /Gênero: Drama/Duração: 91 minutos/Ano (Suécia): 1957/Direção: Ingmar Bergman /Roteiro: Ingmar Bergman /Produção: Allan Ekelund /Música: Erik Nordgren e Göte Lovén /Fotografia: Gunnar Fischer /Departamento de Arte: Karl-Arne Bergman /Edição: Oscar Rosander


Though I saw Wild Strawberries as a student at FTII, Pune, in the early 70s, the film has stayed with me ever since. Um dos elementos consistentes em todos os filmes de Bergman é uma jornada externa e interna. A jornada é uma metáfora central que ocorre em todos seus filmes. Em Morangos Silvestres também, quando o protagonista Isaac Borg encarrega-se de uma jornada externa até sua universidade para receber um doutorado honorário, simultaneamente ele também é retratado passando por uma jornada internada, que é uma reconsideração psicológica de seu sucesso. Bergman justapõe maravilhosamente a visão pessoal de Borg com sua visão sobre o mundo, que é sua falha na vida comparado a seu sucesso como médico. Esse tipo de habilidade era típica para Bergman. Enquanto o flashback é usado por muitos como uma técnica narrativa para separar o passado do presente, Bergman belamente embute o passado no presente deixando compreensível que a pessoa submetida ao flashback ainda está no presente.

FONTE

HIROSHIMA MEU AMOR

Título Original: Hiroshima Mon Amour/Direção: Alain Resnais/Roteiro: Marguerite DurasGênero: Drama, Romance, Guerra/Duração: 90 minutos



Quando Alain Resnais realizou seu clássico, em 1959, no bojo da nouvelle vague, o flashback já havia sido incorporado à linguagem do cinema, sendo moeda corrente sempre que o passado irrompia na vida dos personagens retratados na tela. O espectador, qualquer um, não apenas os cinéfilos, mais ligados em experiências estéticas avançadas, entendiam quando o passado voltava nas narrativas, mas Hollywood, para facilitar a compreensão, muitas vezes usava recursos de cor ou pequenas distorções da imagem para diferenciar o tempo, ou os tempos. Foi quando surgiu Resnais e seu longa.
Rapidamente, o diretor mostra as imagens da destruição causada pela bomba em Hiroshima, há 61 anos. O que se segue é a história de amor, uma das mais belas do cinema. Os personagens não têm nome. Identificam-se, como as cidades, no desfecho. Isso também faz parte do fascínio imorredouro deste grande filme. A frase pode não ser nova, mas é perfeita - a idade cai bem nas obras que o tempo respeita.


FONTE

MINHA AMADA IMORTAL

Título Original: Beloved Immortal/Gênero: Drama/Duração: 123 minutos/Ano (EUA): 1994/Direção: Bernard Rose/Roteiro: Bernard Rose /Produção: Bruce Davey/Fotografia: Peter Suschitzky/Direção de Arte: Olga Rosenfelderova/Figurino: Maurizio Millenotti/Edição: Dan Era/Efeitos Especiais: The Computer Film Company


‘’Como escritor e diretor, Bernard Rose deve ser totalmente responsabilizado pela transformação da ficção em fatos reais em seu tratamento sobre a vida e os amores de Beethoven. Felizmente, a música, o desenho de produção de Jiri Hlupvs e a fotografia de Peter Suschitzkvs são de tão boa qualidade que o filme se torna válido de se ver mesmo que sua generosidade com a verdade esteja em grande contraste com o som magnífico e com as deslumbrantes imagens que enchem nossos ouvidos e olhos.’’
‘’Quando a nona sinfonia finalmente aparece, (apesar de uma cena ridícula onde o petulante Karl ridiculariza Ode To Joy em um sinal de maldade infantil latente), o poder da música transcende o roteiro e valida o gênio sob estudo. Então, na cena do filme, Beethoven é mostrado como sendo único com o universo, sua liberdade e imortalidade garantidas.’’


(FONTE
Traduzido por Cássia Muginoski)

RASHMON

Título Original: Rashômon/Gênero: Drama/Duração: 88 minutos/Ano (Japão): 1950/Direção: Akira Kurosawa/Roteiro: Akira Kurosawa e Shinobu Hashimoto, baseado em estórias de Ryunosuke Akutagawa/Produção: Minoru Jingo/Música: Fumio Hayasaka
Fotografia: Kazuo Miyagawa/Direção de Arte: H. Matsumoto/Edição: Akira Kurosawa

“

(...) Antecipando em quatro décadas uma tendência de diretores estetas como Quentin Tarantino, Kurosawa constrói uma trama que conta a mesma história sob quatro pontos de vista diferentes, nenhum deles conclusivo. A técnica, então inédita, acabaria por influenciar muitos grandes cineastas do futuro, gerando dezenas de variações (“Os Suspeitos” de Bryan Singer, “Jackie Brown” de Quentin Tarantino, “Herói” de Zhang Yimou). (...) No plano narrativo, o longa-metragem consegue a proeza de ser simples e ambicioso ao mesmo tempo... Três homens se encontram nas ruínas de uma antiga construção medieval, durante uma pesada tempestade, e conversam para matar o tempo. Dois deles contam ao terceiro o caso extraordinário de um julgamento que acabaram de presenciar. Nele, quatro pessoas forneceram diferentes versões para o mesmo acontecimento – o assassinato de um homem no meio de uma floresta – sem que fosse possível reconhecer qual das versões era a verdadeira (se é que alguma delas era). (...) A estrutura narrativa elaborada por Kurosawa se revela bastante ambiciosa quando observada com atenção. De fato, as ações são contadas em três tempos distintos, algo raro no cinema – os fatos mais importantes são flashbacks dentro de flashbacks. Há o presente (a espera pela chuva passar, com a conversa entre os três homens), o passado recente (o julgamento do bandido acusado pelo crime, em um pátio banhado de sol) e o passado distante (o assassinato na selva). Apesar de alternar os três tempos, a narrativa jamais fica confusa ou empolada por causa disso. O ritmo é ágil e as cenas, bastante dinâmicas(...)”

FONTE:http://www.cinereporter.com.br/scripts/monta_noticia.asp?nid=1627

NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA

Título Original: Annie Hall/Gênero: Comédia/Duração: 94 minutos/Ano (EUA): 1977/Direção: Woody Allen/Roteiro: Woody Allen e Marshall Brickman/Produção: Charles H. Joffe e Jack Rollins/Direção de Fotografia: Gordon Willis/Direção de Arte: Mel Bourne/Figurino: Ralph Lauren e Ruth Morley/Edição: Wendy Greene Bricmont e Ralph Rosenblum



Genialidade, ironia e bom humor são marcas incomparáveis neste filme de Woody Allen, principalmente quando se trata de expurgar as dores e memórias de um romance fracassado, de modo estruturalmente inventivo e criativo ao estilo de uma apresentação dialética de piadas e relatos pessoais com uma franqueza morbidamente ácida e divertida.
O diretor compõe aqui uma elegia bem humorada a Annie Hall (título original) interpretada pela também vencedora do Oscar, Diane Keaton. Ele costura inventivamente lembranças, diálogos e momentos sem seguir uma linearidade, contando apenas com uma linha de condução: a narração dialógica, ou seja, as cenas que se sucedem durante o filme transpõem a estrutura espaço-temporal sem se ater em uma direção intrincada, mas representam o momento do diálogo, ora se desloca ao passado, ora torna ao presente.
Apesar de ser conhecido como um cineasta com um humor predominantemente verborrágico, ele demonstra louvável domínio na expressão visual com eloqüência cinemática inigualável. Há flashbacks em que Alvy e Annie se vêem no passado e estão presentes fazendo comentários, o que Allen alcança é a permanência de dois tempos em um só enquadramento, jamais feita em filmes americanos convencionais e ainda utiliza animação em uma cena que funciona em coerência mútua. É uma pena não poder discriminar todos os riquíssimos usos da linguagem fílmica de que Woody Allen lança mão, principalmente quando se trata de seu filme mais prolífico imageticamente, pois seria perder a oportunidade de de usufruto pleno desta obra.

( Por Hallan Castro em FONTE (acessado em 29/06/07)

A PAIXÃO DE CRISTO

Título Original: The Passion of the Christ/Gênero: Drama /Duração: 126 minutosAno (EUA): 2004/Direção: Mel Gibson/Roteiro: Mel Gibson e Benedict Fitzgerald/Produção: Brce Davey, Mel Gibson e Stephen McEveety/Música: John Debney/Fotografia: Caleb Deschanel/Figurino: Maurizio Millenotti/Efeitos Especiais: Keith Vanderlaan's Captive Audience Productions



Este texto é o trecho de uma carta de um leitor da Revista Eletrônica ContraCampo a um dos seus críticos Eduardo Valente.
Eu compreendo que você não queira entrar no aspecto teológico do filme de Gibson – embora só o compreenda na medida em que isso geraria uma polêmica que você não poderia sustentar por não ser especialista em teologia. Na verdade, nem precisa, pois a teologia gibsoniana é de uma infantilidade a toda prova. Por isso mesmo, fiquei um pouco desorientado pelo seu texto porque, imaginando encontrar nele uma abordagem estética e cultural (e não teológica), ele me pareceu muito pouco crítico sob estes pontos de vista. Aquilo que você sugere ver como indícios de uma estética cinematográfica de nível ("métodos clássicos da linguagem cinematográfica – como inúmeros planos ponto de vista encarnando o olhar de Cristo, ou a centralização dos flashbacks em momentos de lembranças claramente dele") eu me sinto inclinado a considerar como um manejo ingênuo e primário de montagem, cuja única proeza é – numa dialética teológica extremamente rudimentar, apoiada num roteiro que quer eliminar toda contradição, ironia e implausibilidade dos Evangelhos (textos nos quais o filme se apóia ou se diz apoiar) – a de se congelar em pólos narrativos binários (seqüências intermináveis de "porrada na cara & flashback", "tortura & flashback", "espancamento & flashback", "sangue, muito sangue, cada vez mais sangue & flashback"), onde se tentaria construir uma dimensão histórica fiel da economia dos acontecimentos. De um binarismo tão tosco e sem colorido que chega ou à irritação ou simplesmente ao tédio absoluto. Gostaria, portanto, de colocar algumas questões suscitadas pela sua defesa do filme. Inicialmente, o mais grave, a dialética da montagem – o termo é velho, mas é exatamente isso que Gibson constrói com o roteiro. O uso irritante dos flashbacks só se explicaria, e se justificaria teologicamente, como a ligação direta entre as palavras eucarísticas de Jesus aos seus discípulos e o advento do Cristo flagelado pelas mãos do homem – o que, de certa forma, do ponto de vista da cristologia mais rasteira que se possa conceber, é o óbvio ululante. Por isso mesmo, o olhar final de Maria para a câmera, "acusando a humanidade", que você aponta no filme como algo pedagogicamente positivo, vem coroar não o sucesso ou força dessa teologia, mas o primarismo melodramático da direção e do pensamento cristológico de Gibson, bem como a cena final de Jesus – transfigurado em Cristo, limpo das feridas e do sangue, belo e impoluto no sepulcro banhado pela diáfana luz do sol, ontologicamente acordado pela música coral-transcendental de gosto extremamente duvidoso – não reflete nem faz refletir nenhuma salvação da espécie humana mas o velho e insuportável fecho-de-ouro, tipicamente hollywoodiano: finalmente o herói, depois de todas as provações e para além de todas as conseqüências lógicas do roteiro, sai vivo e pronto para seu glorioso destino futuro. Luz e trevas, bons e maus, mocinho e bandidos. É essa a construção semiótica da Passio Christi de Gibson (nome mais apropriado para um filme em latim e aramaico – na verdade, que bobagem tudo isso, se fosse narrado em português iria causar muito mais impacto e controvérsia): no final das contas, um filme binário, típico da sessão da tarde, mas com censura de 17 anos? ...
Abraços,

(Por Rafael Viegas em FONTE extraído 17/08/07)