Meados dos anos 90 e todos que assistiram a Pulp Fiction inevitavelmente comentavam a respeito desse filme “muito louco”, que costurava seu enredo com retalhos de tempos distintos, em um vaivém que obrigava a uma ginástica mental fascinante. O trabalho de edição foi sem dúvida o responsável por essa sensação, e o recurso do flashback sem avisos prévios ao espectador acentuava o clima de excitação e estranhamento. Acompanhe dois comentários que corroboram com essa visão:
“Por que Tarantino escolheu fazer seu filme assim? Recursos de flashback e flash forward não são nada novos em narrativas cinematográficas, mas seu uso em Pulp Fiction deixa os espectadores desnorteados com os ladrões que somem após a seqüência de abertura, os personagens que morrem e reaparecem, etc. Lendo o roteiro, fica claro que isso foi planejado desde sua redação. Ainda assim, podemos remontar o filme em grandes blocos, 14 como se estivéssemos em um processador de textos.”
"A diferença na estrutura de Cães de Aluguel para Pulp Fiction está, basicamente, que no primeiro há um presente que vai nos guiando pelos flashbacks que o filme dá para nos explicar o que está acontecendo (no caso, o galpão usado como escape caso alguma coisa desse errado no plano). Já em Pulp, Tarantino simplesmente conta sua história de maneira completamente não
linear, sem um tempo definido para nos servir de base e, mesmo assim, não nos perdemos dentro da história.
"Não há moral, complacência ou autocomiseração em Pulp Fiction. Tudo é efêmero e gratuito, embora Tarantino invista os diálogos de uma pátina filosófica que disfarça bem as reais intenções por trás de cada frase. A narrativa é entrecortada por elipses e flashbacks e intermediada por seguimentos autônomos, o que faz o espectador não se dar conta das duas horas e meia de duração do filme."Quando tudo sinaliza uma enfiada de tiros e sangue, Tarantino contrapõe com a história do lutador de boxe Butch Coolidge (Bruce Willis em grande forma) que trava um embate com sua consciência. Subornado por Wallace para perder sua próxima luta, ele relembra a vida honrada de seu pai, morto na Guerra do Vietnã. "O orgulho magoa", afirma um mefistofélico Wallace, para quem honra e orgulho são facilmente comprados com alguns maços de dólares. Butch aceita o dinheiro, mas no ringue massacra seu adversário, quebrando uma regra de ouro no submundo do crime: não trair. Por meio de um flash back, a memória do pai se oferece como uma justificativa para seu ato."
(Roberto Tietzmann, em FONTE)
(Samir Thomaz, em FONTE)
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