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sábado, 18 de agosto de 2007

SENHOR DOS ANÉIS: AS DUAS TORRES

Título Original: The Lord of the Rings: The Two Towers/Gênero: Aventura/Duração: 179 minutos/Ano (EUA): 2002/ Direção: Peter Jackson; Roteiro: Philippa Boyens, Peter Jackson, Stephen Sinclair e Frances Walsh, baseado em livro de J.R.R. Tolkien/ Produção: Peter Jackson, Barrie M. Osborne e Frances Walsh/ Música: Howard Shore/Fotografia: Andrew Lesnie/Direção de Arte: Dan Hennah e Philip Ivey / Figurino: Ngila Dickinso/Edição: D. Michael Horton



Não há necessidade de apresentações. Nessa altura, todo mundo que conhece um mínimo de cinema já sabe o que é e sobre o que é O Senhor dos Anéis: As Duas Torres. Portanto, passemos por cima de introduções e sinopses, indo direto ao ponto. Também saliento que aqui não serão analisados os pontos do filme que divergem da história do livro. O filme será analisado pelo que ele é, pois acima de tudo é a visão de Peter Jackson sobre a obra de Tolkien que está em foco. As Duas Torres é, primeiramente, um filme bem diferente do original. O clima fantástico é deixado um pouco de lado por um clima mais realista. A ação toma conta do filme, e os personagens-chave são diferentes. Agora, os hobbits aparecem menos tempo na tela, e são os homens os principais protagonistas. Porém a sensação de grandeza épica não só continua, como se vê aumentada neste novo filme. É tudo maior, melhor, e mais divertido para o espectador. Temos uma das melhores cenas de ação já criadas para o cinema, a esperada batalha entre humanos e as forças de Saruman combatendo no Abismo de Helm. E ela é tudo que foi prometido... precisa dizer mais? Todos os personagens estão excelentemente interpretados. Desde Gríma (Brad Dourif), até a bela Éowyn, interpretada por Miranda Otto, todos aparecem caracterizados na tela como o mais exigente fã de Tolkien gostaria que aparecessem. As Duas Torres também marca a entrada da poesia de Tolkien na trilogia, praticamente ignorada no primeiro filme. Sam, em seu monólogo final, recitando um belíssimo trecho do livro, emociona com sua mensagem de coragem, que dá forças a Frodo continuar na sua jornada para a destruição do Um Anel. Tecnicamente falando, Senhor dos Anéis eleva novamente o limite em termos de efeitos especiais, e o que é melhor: sempre em favor da história. O número de efeitos é muito maior do que no filme original, porque a história assim exige. E eles não decepcionam em momento algum. O destaque, é claro, é a criatura Gollum, que, embora ainda não seja perfeita (ainda dá pra perceber que é criada no computador), está à frente de recentes “invenções” incríveis da tecnologia, como Yoda de Star Wars e também de todos os humanos de Final Fantasy. A movimentação dele é incrivelmente realista, assim como a interação com os ambientes e objetos (muitas vezes um problema na criação de personagens digitais). Tudo isso, claro, graças ao fato do ator Andy Serkins ter dado vida ao personagem gravando as cenas juntamente com os atores, para depois ser substituído pela versão digital. Além do departamento de efeitos especiais ter se mostrado extremamente competente, todos os outros aspectos técnicos do filme estão incríveis. As novas locações são magníficas (sempre ajudadas pela beleza natural que as cerca), o figurino é belíssimo, e a maquiagem melhorou ainda mais. O Rei Théoden envelhecido por feitiço é um exemplo disso. A trilha sonora de Howard Shore continua tão boa quanto no capítulo inicial. Acho que o melhor que uma trilha sonora pode fazer para um filme como este é deixá-lo melhor, mais emocionante, intenso. A música não pode jamais se sobressair às imagens (sendo mais notável que a história), porém também não pode ficar “invisível” em relação a elas (afinal, cinema é também som). Música e imagem devem se completar, em igualdade de importância, acrescentando energia à história. Howard Shore fez uma das melhores trilhas sonoras dos últimos anos, e em As Duas Torres ela continua tão boa quanto no filme original, ganhador do Oscar nessa categoria. Utilizando temas novos, como o de Gollum, com temas já conhecidos do primeiro filme, a trilha de As Duas Torres é daquelas para se ter em casa, colocar pra escutar, fechar os olhos, e relembrar os grandes momentos do filme. Poucos filmes do gênero têm um número tão grande de cenas tão intensas, divertidas, ou simplesmente plausíveis aos olhos como tem As Duas Torres. Algumas são longas seqüências de ação, como a batalha do Abismo de Helm; outras, como o monólogo final de Sam sobre o porquê de toda a jornada, são emocionantes ao extremo; outras, fazem bem para os olhos, como as imensas e belíssimas paisagens; outras, são simplesmente utópicas (antes), como a cena em que Smeágol trava um combate mental com Gollum. Certamente, As Duas Torres é o filme com mais momentos “antes nunca imaginados” que já foi lançado. Por isso, o filme será lembrado por décadas e décadas, assim como foram outros tantos (e ainda são), como Ben-Hur e Star Wars. E isso não é pouco... O grande trunfo do filme, de maneira geral, é fazer com que o espectador seja transportado para uma época distante, porém de fácil reconhecimento pelo tom de realismo dado à história e, durante quase três horas, acompanhe intensamente a vida de todo um mundo passar por inúmeras transformações, através de seus personagens: ódio, amor, esperança, desespero, alegria, tristeza, devoção, incredulidade, angústia, paciência e, para o espectador, divertimento, como poucas vezes se viu antes no cinema. O melhor disso tudo é saber que o melhor ainda está por vir...

(Por Alexandre Koball em FONTE extraído dia 27/06/07.)

PULP FICTION

Título Original: Pulp Fiction/ Gênero: Policial/ Duração: 154 minutos/Ano (EUA): 1994/Direção: Quentin Tarantino/Roteiro: Quentin Tarantino, baseado em estória de Roger Avary e Quentin Tarantino/Produção: Lawrence Bender/Direção de Fotografia: Andrzej Sekula/ Direção de Arte: Charles Collum/Figurino: Betsy Heimann/Edição: Sally Menke

Em 1994, o enigmático diretor Quentin Tarantino nos deu a honra de prestigiar uma verdadeira obra cinematográfica, fazendo os amantes do cinema terem uma nova visão, deixando inúmeras influências e imitações para produções subseqüentes.Durante o desenvolvimento da trama de “Pulp Fiction”, o filme faz uma interligação entre a história de três personagens, e a interação entre os mesmos se dá de forma não linear. O filme vem mostrando momentos de “humor perverso”, “elegantíssimos deboches” e também de muita aventura, unindo em um único filme, gêneros como policial, aventura, uma pitada de comédia e suspense.A historia trata de dois assassinos profissionais que devem fazer cobrança para um gângster. Vicent, um dos gângsteres, tem que fazer companhia a garota de seu chefe durante o tempo que o mesmo não se encontra presente, e Vicent Vegas passa o tempo todo com medo de passar dos limites. Enquanto isso, um boxeador se mete em apuros por ganhar a luta que deveria perder, pois havia negociado sua derrota com Marsellus (um dos poderosos Gângsteres locais).Agora, como falar em “Pulp Fiction” e não mencionar o modo que Tarantino trabalha neste filme? Sua mente geniosa surpreende o publico com um roteiro não linear, muito bem estruturado e um impecável trabalho de fotografia, muito claro na cena em que Travolta está se injetando heroína.Os temas que Tarantino aborda no filme são considerados polêmicos e fazem parte da “cultura pop”. Em “Pulp Fiction” ele mostra diversos tipos de violência, uso de drogas, máfia, entre outros, tudo isso muito bem sincronizado a uma trilha muito bem elaborada, que já começa no inicio do filme na cena da lanchonete, e também durante os créditos iniciais, somos surpreendidos com “Misirlou”, de Dirk Dale & His Del-Tones, que não consigo ouvir sem remeter minha memória a este filme.O roteiro brinca com a atenção do expectador, e provoca uma certa ansiedade a cada mudança de cena, nas idas e vindas do filme, através de “flashbacks”.O filme torna presente a mudança de personagens em cena, mas também mostra os diálogos muito bem trabalhados pelo roteirista, dando um clima bem diferenciado e único a cada cena, mostrando também a ousadia do diretor nas citações da Bíblia durante a execução de um traidor. Além disso, o filme é recheado de cenas com um diálogo considerado inovador para o cinema dos anos 90, deixando essa obra cada vez mais persistente, principalmente com o passar dos anos.E “Pulp Fiction” é mais uma demonstração do trabalho nos diálogos do diretor, que abusa da “cultura pop” e trás assuntos de todas as espécies, bem pontuado na conversa entre Vincent e Jules sobre costumes europeus. O modo de Tarantino trabalhar o roteiro é considerado algo muito moderno pelos críticos.O diretor deixa alguns mistérios em aberto, para que o expectador use sua imaginação e faça sua própria versão da história. Em “Pulp Fiction” percebemos esse suspense, desde a curiosidade de saber o que há dentro da pasta, até o fato de Marcellus (o ator Samuel L; Jackson) possuir um curativo na nuca, deixando claro, a maneira como o diretor gosta de fazer fluir a imaginação do expectador durante a trama.Vale ressaltar também que o tipo de montagem escolhido pelo diretor exerce uma espécie de locução em off, que acaba fazendo com que as histórias vão se interligando, como se houvesse uma locução especifica explicando a passagem de cena, e a interação entre elas.

FONTE

A PAIXÃO DE CRISTO

Título Original: The Passion of the Christ/Gênero: Drama /Duração: 126 minutosAno (EUA): 2004/Direção: Mel Gibson/Roteiro: Mel Gibson e Benedict Fitzgerald/Produção: Brce Davey, Mel Gibson e Stephen McEveety/Música: John Debney/Fotografia: Caleb Deschanel/Figurino: Maurizio Millenotti/Efeitos Especiais: Keith Vanderlaan's Captive Audience Productions



Este texto é o trecho de uma carta de um leitor da Revista Eletrônica ContraCampo a um dos seus críticos Eduardo Valente.
Eu compreendo que você não queira entrar no aspecto teológico do filme de Gibson – embora só o compreenda na medida em que isso geraria uma polêmica que você não poderia sustentar por não ser especialista em teologia. Na verdade, nem precisa, pois a teologia gibsoniana é de uma infantilidade a toda prova. Por isso mesmo, fiquei um pouco desorientado pelo seu texto porque, imaginando encontrar nele uma abordagem estética e cultural (e não teológica), ele me pareceu muito pouco crítico sob estes pontos de vista. Aquilo que você sugere ver como indícios de uma estética cinematográfica de nível ("métodos clássicos da linguagem cinematográfica – como inúmeros planos ponto de vista encarnando o olhar de Cristo, ou a centralização dos flashbacks em momentos de lembranças claramente dele") eu me sinto inclinado a considerar como um manejo ingênuo e primário de montagem, cuja única proeza é – numa dialética teológica extremamente rudimentar, apoiada num roteiro que quer eliminar toda contradição, ironia e implausibilidade dos Evangelhos (textos nos quais o filme se apóia ou se diz apoiar) – a de se congelar em pólos narrativos binários (seqüências intermináveis de "porrada na cara & flashback", "tortura & flashback", "espancamento & flashback", "sangue, muito sangue, cada vez mais sangue & flashback"), onde se tentaria construir uma dimensão histórica fiel da economia dos acontecimentos. De um binarismo tão tosco e sem colorido que chega ou à irritação ou simplesmente ao tédio absoluto. Gostaria, portanto, de colocar algumas questões suscitadas pela sua defesa do filme. Inicialmente, o mais grave, a dialética da montagem – o termo é velho, mas é exatamente isso que Gibson constrói com o roteiro. O uso irritante dos flashbacks só se explicaria, e se justificaria teologicamente, como a ligação direta entre as palavras eucarísticas de Jesus aos seus discípulos e o advento do Cristo flagelado pelas mãos do homem – o que, de certa forma, do ponto de vista da cristologia mais rasteira que se possa conceber, é o óbvio ululante. Por isso mesmo, o olhar final de Maria para a câmera, "acusando a humanidade", que você aponta no filme como algo pedagogicamente positivo, vem coroar não o sucesso ou força dessa teologia, mas o primarismo melodramático da direção e do pensamento cristológico de Gibson, bem como a cena final de Jesus – transfigurado em Cristo, limpo das feridas e do sangue, belo e impoluto no sepulcro banhado pela diáfana luz do sol, ontologicamente acordado pela música coral-transcendental de gosto extremamente duvidoso – não reflete nem faz refletir nenhuma salvação da espécie humana mas o velho e insuportável fecho-de-ouro, tipicamente hollywoodiano: finalmente o herói, depois de todas as provações e para além de todas as conseqüências lógicas do roteiro, sai vivo e pronto para seu glorioso destino futuro. Luz e trevas, bons e maus, mocinho e bandidos. É essa a construção semiótica da Passio Christi de Gibson (nome mais apropriado para um filme em latim e aramaico – na verdade, que bobagem tudo isso, se fosse narrado em português iria causar muito mais impacto e controvérsia): no final das contas, um filme binário, típico da sessão da tarde, mas com censura de 17 anos? ...
Abraços,

(Por Rafael Viegas em FONTE extraído 17/08/07)