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sábado, 18 de agosto de 2007

2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO

Título Original: 2001: A Space Odissey/Gênero: Ficção Científica/Duração: 149 minutos/Ano(EUA): 1968/Direção: Stanley Kubrick/Roteiro: Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke/Produção: Stanley Kubrick/Direção de Fotografia: Geoffrey Unsworth e John Alcott/Direção de Arte: John Hoesli/Figurino: Hardy Amies/Edição: Ray Lovejoy/Efeitos Especiais: MGM



2001: Uma Odisséia no Espaço, filme de Stanley Kubrick de 1968, é o que ossivelmente, Umberto Eco chamaria de "obra aberta": há sempre espaço para mais uma análise. Assim, são muitas as possibilidades de abordar o filme.
Este enfoque recai sobre a trilha sonora. No primeiro momento, surge a tela preta, simultaneamente com a música de Ligeti. A tela, quase nada diz ao espectador. Ele deixa de ver, para ouvir. O que o atrai, é essa música sem ritmo, sem melodia, estranha, infinita, indefinida, que começa quase em surdina e vai crescendo em dinâmica, para estacionar, numa certa altura, e decrescer. Num segundo momento, a música volta persistente, porém com alguns novos sons. Cresce. Os sons flutuam. Somem. No terceiro momento, ainda com outros sons, a música percorre o mesmo caminho.
Desaparece.
Por que a música aparece três vezes? Possivelmente, a intenção de Kubrick era antecipar o aparecimento do monólito. A música também antecipa o mergulho que a câmera dará em direção ao infinito. Silêncio. Na tela, o símbolo estilizado da MGM. Agora, a tela sem som e sem imagem, prende a atenção do espectador. Soam os primeiros acordes de Assim falou Zarathustra de Richard Strauss. Em seguida, aparecem às primeiras imagens: uma parte da curvatura, que presume-se seja a da Terra e, no alto um astro luminoso, despontando. Os tímpanos anunciam, provavelmente, o nascimento de um novo astro (ou uma nova era?).
Acordes finais coroam o nome do produtor: Stanley Kubrick. O ponto culminante da obra de Strauss acompanha o nascimento gradual deste novo astro que se desprende, luminoso, numa visão total, com a música chegando ao repouso.

FONTE

HIROSHIMA MEU AMOR

Título Original: Hiroshima Mon Amour/Direção: Alain Resnais/Roteiro: Marguerite DurasGênero: Drama, Romance, Guerra/Duração: 90 minutos



Quando Alain Resnais realizou seu clássico, em 1959, no bojo da nouvelle vague, o flashback já havia sido incorporado à linguagem do cinema, sendo moeda corrente sempre que o passado irrompia na vida dos personagens retratados na tela. O espectador, qualquer um, não apenas os cinéfilos, mais ligados em experiências estéticas avançadas, entendiam quando o passado voltava nas narrativas, mas Hollywood, para facilitar a compreensão, muitas vezes usava recursos de cor ou pequenas distorções da imagem para diferenciar o tempo, ou os tempos. Foi quando surgiu Resnais e seu longa.
Rapidamente, o diretor mostra as imagens da destruição causada pela bomba em Hiroshima, há 61 anos. O que se segue é a história de amor, uma das mais belas do cinema. Os personagens não têm nome. Identificam-se, como as cidades, no desfecho. Isso também faz parte do fascínio imorredouro deste grande filme. A frase pode não ser nova, mas é perfeita - a idade cai bem nas obras que o tempo respeita.


FONTE

TERRA EM TRANSE

Título Original: Terra Em Transe/Gênero: Drama/ Duração: 115 min./Ano (Brasil): 1967/Direção: Glauber Rocha/Roteiro: Glauber Rocha/Produção: Zelito Viana/Música: Sergio Ricardo/Fotografia: Dib Lutfi/Direção de Arte: Paulo Gil Soares/Figurino: Paulo Gil Soares e Clóvis Bornay/Edição: Eduardo Escorel




Estética e política na terra em transe de Glauber Rocha.No presente artigo, pretendo analisar o filme Terra em Transe, escrito e dirigido pelo cineasta baiano Glauber Rocha (1939-1981). Ao contrário da maioria das análises já feitas acerca desta obra, tenciono dar maior ênfase à estética do filme que, a meu juízo, ainda não foi suficientemente discutida e analisada. (...)
Um ótimo exemplo da maneira que o diretor filma um dialogo na película: ao contrário da forma convencional, o cineasta resolve filma-los fazendo vários cortes sem para sua seqüência, sendo que estes cortes, muitas vezes, levam a câmera para um lugar bem distante de onde esta estava antes do corte, dando a dinamicidade que o filme tanto precisa. (...)
Em Terra em Transe há uma nova estética com elementos criados pelo próprio diretor, embora ainda contenha elementos das escolas italianas e soviéticas. Sem dúvida, há um sensível amadurecimento entre essas duas obras. (...).Podemos comprovar a posição de Glauber Rocha quanto à interpretação de suas obras e seu desejo de inovação estética.

(Por Sérgio Farias Filho em FONTE)