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domingo, 19 de agosto de 2007

MARRY POPPINS

Título Original: Mary Poppins/ Gênero: Musical/ Duração: 139 minutos/ Ano (EUA): 1964/ Direção: Robert Stevenson/ Roteiro: Bill Wash e Don DaGradi, baseado em livro de P.L. Travers/ Produção: Walt Disney/ Música: Richard M. Sherman e Robert B. Sherman/ Fotografia: Edward Colman/ Figurino: Tony Walton/ Edição: Cotton Warburton.


"Mary Poppins" é um musical no melhor estilo Disney. Canções alegres, personagens cativantes, lições sobre o amor e a amizade. Tudo isso com o talento de Julie Andrews e Dick Van Dyke. Um grande filme que marcou gerações e ainda permanece vivo na memória dos fãs.(...) (...)Bem clássico, pouco inovador na linguagem, mas cheio de efeitos fantásticos, é filme para a família, sem o menor risco.(...) As canções do filme são, na verdade, nada mais que lições de vida e moral para os pequenos. Assim como “just a spoon full of sugar helps the medicine goes down”, é mais fácil aprender com música. Afinal, quem não se lembra de “feed the birds, two pences a bag” ou “supercalifragilisticoespealidous” e mesmo “Chim Chim Chirree”. Ora “Mary Poppins” nos ensina a ser solidários com os mais pobres, cantando sobre a senhora que ajuda os pássaros, ora como a responsabilidade pode ser cumprida com prazer e não como um fardo e etc.(...) Clássicas, com sonoridade limpa e harmônica, condizente ao restante do filme, as canções são todas orquestradas, conferindo a grandiosidade dos musicais dessa época. O coro cantando o refrão de “Lets Go Fly a Kite” dá um final apoteótico ao filme.(...) Outros recursos muito utilizados nas canções é a citação. As músicas do Sr. Banks são mais citadas que cantadas, dando aquela cara de severidade (afinal não fica bem para um pai de família sair cantarolando por aí) assim como a contraposição de um personagem que tenta falar ao outro enquanto o ouvinte está imerso na canção e não ouve o que o primeiro tenta lhe explicar, como uma certa noção de que aquilo é falso e irreal. Não deixa de ser uma suspensão explicitada da história para que aconteça o número musical.(...) "The Perfect Nanny", cantada pelas crianças Jane e Michael não teria com ser mais graciosa, com a melodia em volume mais baixo para valorizar as vozes dos pequenos Banks embaladas docemente.Contrasta com os tambores, caixas e notas secas que dá a sensação de disciplina na canção sobre esse tema que “dita” o pai. O coral em “ooo” dá enorme dramaticidade à imagem da pobre mulher vendendo alpiste nas escadas da catedral e a harmonia repetitiva e sem graça dos diretores do banco colabora para não simpatizarmos com os mesmos.

FONTE
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E O VENTO LEVOU

Título Original: Gone With The Wind/ Gênero: Drama/ Duração: 241 minutos/Ano (EUA): 1939/Direção: Victor Fleming/ Roteiro: Sidney Howard, baseado em livro de Margaret Mitchell/ Produção: David O. Selznick/ Música: Max Steiner/ Fotografia: Ernest Haller e Ray Rennahan/ Figurino: Walter Plunkett/ Edição: Hal C. Kern.


Como acontece muitas vezes em empreendimentos gigantes, “E Tudo o Vento Levou” teve um processo de produção que se tornou lendário pelos problemas sistemáticos que teve de contornar. Mas o resultado final excedeu todas as expectativas e tornou-se num dos mais importantes filmes da história, onde tudo parece estar no lugar certo.(...) A história do filme inicia-se em 1861, numa casa em Tara, onde Scarlett O'Hara (Vivien Leigh) fica a saber dos planos de Ashley Wilkes ( Leslie Howard ) para se casar com Melanie Hamilton ( Olivia de Havilland ). Ignorando os avisos do seu pai e da sua fiel criada Mammy ( Hattie McDaniel ), Scarlett decide “atirar-se” a Ashley num churrasco em Twelve Oaks, fazendo uma figura que atrai a atenção e o fascínio de Rhett Butler (Clark Gable). A narrativa acompanha depois a história de amor entre Rhett e Scarlett, moldada por sequências inesquecíveis como o incêndio de Atlanta. O filme termina com uma das linhas de diálogo mais famosas de sempre: “Frankly, my dear, I don't give a damn”.

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CIDADE DE DEUS

Título Original: Cidade de Deus/ Gênero: Drama/ Duração: 135 minutos/ Ano (Brasil): 2002/Direção: Fernando Meirelles/ Roteiro: Bráulio Mantovani, baseado em romance de Paulo Lins/Produção: Walter Salles/ Música: Antônio Pinto e Ed Côrtes/ Fotografia: César Charlone/ Edição: Daniel Rezende.


Cidade de Deus" é um filme-marco não apenas pela discussão que suscita em torno de seus temas (favela, violência, juventude, drogas), mas por colocar em debate -e de certo modo em crise- o próprio cinema brasileiro. (...)Pode-se ainda criticar a adoção de fórmulas narrativas do filme de ação americano, destinadas a garantir a identificação do espectador com os bandidos "do bem", contra os "do mal". O que não se pode, porém, é dizer que se trata de um filme ruim, e muito menos rejeitá-lo em bloco sob o argumento de que estetiza a miséria, configurando uma "cosmética da fome".(...) Visual publicitário. Narração de videoclipe. Espetacularização da violência. Miséria estetizada. Muitas das críticas a "Cidade de Deus", filme de Fernando Meirelles baseado no romance de Paulo Lins, foram por essa linha. De fato, logo no começo de "Cidade de Deus", há uma cena filmada de modo muito vistoso, hábil e ligeiro, bem no estilo MTV. O narrador da história está no meio da rua. Um verdadeiro exército de traficantes está com as armas apontadas contra ele. Ele se vira de costas: a polícia acaba de chegar. A tensão é extrema: tudo indica que o garoto vai morrer no fogo cruzado. A filmagem da cena "real" se interrompe, então, para dar lugar a um malabarismo de câmera. Congela-se a imagem dos dois grupos armados, o narrador gira 360 graus, como num efeito de computador, e o truque nos indica o início de um longo flashback. Voltamos à década de 60, e o filme passa a contar a história dos primeiros bandidos naquele subúrbio carioca.(...) Todas essas conquistas -sem falar da hábil assimilação de técnicas da publicidade e do videoclipe com propósitos narrativos essencialmente cinematográficos- correm o risco de ser obscurecidas por uma reação defensiva e ressentida, armada com o slogan "cosmética da fome".

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