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segunda-feira, 20 de agosto de 2007

SINAIS

Título Original: Signs/Gênero: Suspense/Duração: 107 minutos/Ano (EUA): 2002/ Direção: M. Night Shyamalan/Roteiro: M. Night Shyamalan/Produção: Frank Marshall, M. Night Shyamalan e Sam Mercer/Música: James Newton Howard/Fotografia: Tak Fujimoto/Direção de Arte: Keith P. Cunningham/Figurino: Ann Roth/Edição: Barbara Tulliver/Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic


M. Night Shyamalan:
Essa foi uma daquelas cenas que nos deixa sem fôlego, porque é uma das coisas que não se faz mais hoje em dia... escrever seis ou sete páginas de diálogo, sem nada acontecer, onde eles só conversam. Então a ação e os efeitos especiais é o diálogo e a atuação. E o Joaquin não gosta muito de ensaiar, então falávamos sobre o espírito da coisa. O grande discurso do Mel foi tão difícil de dizer, porque era “grupo A, grupo B, discurso número 1 e número 2”, e é bem confuso e longo e não sabíamos se funcionaria... então filmamos a parte do Joaquin primeiro, e ele foi ótimo. Quando nos viramos para filmar a parte do Mel, ele tinha que ir para a Casa Branca, para fazer um outro filme, sobre soldados, e eu disse à ele: “Não vamos fazer isso hoje. Voltaremos e faremos amanhã”. Mas ele disse: “Faremos essa cena agora”. Foi um grande momento, onde um ótimo artista inspirou outro ótimo artista, que me inspiraram, e todos ficaram inspirados. Quando ele levantou nos demos conta de por que ele é uma estrela.

Os seguintes comentários/críticas foram transcritos do making of do filme “Sinais” (Signs, 2002), de M. Night Shyamalan.

domingo, 19 de agosto de 2007

LAVOURA ARCAICA

Título Original: Lavoura Arcaica/Gênero: Drama/Duração: 163 minutos/Ano (Brasil): 2001/Direção: Luiz Fernando Carvalho/Roteiro: Luiz Fernando Carvalho/Produção: Luiz Fernando Carvalho/Música: Marco Antônio Guimarães/Fotografia: Walter Carvalho/Direção de Arte: Yurika Yamasaki/Figurino: Beth Filipecki


Thiago Benites - Diálogo
Colocado por cinetvpr

Diálogos e contradiálogos brilhantes. Planos e contraplanos simples, mas eficazes, respeitando a força do texto e dando força a ele. A tensão que se acentua nos diálogos também explode na edição e nos cortes das cenas. Assim é o diálogo acima, de Lavoura arcaica. Mas o aparente tom monocórdio da alternância desses planos parece estratégico, pois acentua a explosão que está por vir, quando o personagem de Selton Melo despeja palavras duras sobre o amor familiar e o pai, interpretado por Raul Cortez, incontido, grita para o filho se calar, estendendo a mão nervosa quando, subitamente, aparece a mão dolente da mãe, ouvindo tudo em silêncio, atônita, triste, descobridora de segredos.
Nas palavras de Daniela Sandler:
“Lavoura Arcaica impressiona para além do formalismo e fornece momentos memoráveis, em especial o diálogo entre André (Selton Mello) e o pai (Raul Cortez). Raul Cortez consegue manter, ao mesmo tempo, a teatralidade das falas e o naturalismo do meio (cinema): declama o texto respeitando sua complexidade e o artifício da cena, mas as palavras soam inatas, inevitáveis, como se outra coisa não pudesse sair de seus lábios. É teatral, não forçado. A isso, junta expressividade física que, mesmo com o personagem sentado e quase imóvel, comunica imensa variação e intensidade emocionais (excelente exemplo de virtuosismo contido, talento e concisão). Sua interpretação vale o filme.”

(Daniela Sandler, em FONTE)

Enfim, esse parece ser um dos muitos exemplos de como a edição contribui ou, mais do que simplesmente contribui, tem papel também principal na construção dramática da cena.

SÃO PAULO S.A

Título Original: São Paulo S.A./Direção: Luís Sérgio Person/Roteiro: Luís Sérgio Person/ Gênero: Drama/Ano: (Brasil): 1965/ Duração: 111 minutos


ANTES DO PÔR-DO-SOL

Título Original: Before Sunset/Gênero: Comédia Romântica/Duração: 80 minutos/Ano (EUA): 2004/Direção: Richard Linklater/Roteiro: Richard Linklater, Julie Delpy e Ethan Hawke, baseado em estória de Richard Linklater e Kim Krizan e nos personagens criados por Richard Linklater e Kim Krizan/Produção: Richard Linklater e Anne Walker-McBay/Fotografia: Lee Daniel/Edição: Sandra Adair/Efeitos Especiais: Custom Film Effects



Nilton Cezar - Diálogo
Colocado por cinetvpr



“Interpretar o extenso diálogo do filme foi um desafio que no fim se revelou recompensador para Julie Delpy. ‘O objetivo é conversar tão naturalmente quanto possível – ela diz – como se tivéssemos acabado de começar um papo. Mas é difícil, cada linha está escrita. Nós não improvisamos na hora H, mas tem que parecer quase tudo improvisado’. O diálogo em Antes do Pôr-Do-Sol é virtualmente ininterrupto, diferente do primeiro filme. ‘O primeiro tinha tanto romantismo, grande parte do filme acontece em uma noite. – Ethan Hawke compara – É mais difícil ter um filme que acontece em noventa minutos. Nós não temos distrações. No primeiro filme, tínhamos poetas de rua, dança do ventre, rodas-gigantes e trens. Nesse, tudo é super econômico, mais maduro e esperamos, mais próximo do coração’.”

(Diego Castro, em FONTE)
Confira também a entrevista do diretor Richard Linklater em: FONTE1

A cena que pode ser vista é apenas um dos múltiplos exemplos de diálogos bem encaixados e “naturais” do filme. No fundo, o filme todo é o diálogo – ele muda sutilmente seus cenários – que desvela e esconde desejos e intenções nem sempre muito claros para os espectadores e para os personagens, o que é um grande mérito.
Confira um minuto e quarenta de um longo plano-seqüência em que os personagens confundem ficção e vida real. Ele (Jesse), um escritor lançando seu romance na França, reencontra Céline, agora uma ativista ambiental. Após uma frustrada promessa de reencontro anos antes, eles passeiam pelas ruas de Paris.
O diálogo é um interessante caso de ficção dentro da ficção, já que conversam a respeito da obra de Jesse e buscam fazer as relações com suas vidas “reais”, que, por sua vez, nada mais é do que ficção, cinema. A partir da obra de Jesse, pensam a respeito de si mesmos. A confusão de Céline ao se referir à personagem do livro como “eu” ou “ela” demonstra bem o conflito. E ser lida por olhos de um escritor que, ao mesmo tempo, lhe é pessoalmente muito especial, reflete a velha questão filosófica a respeito do olhar do outro como elemento fundamental na identidade do indivíduo.
Vale lembrar que editar não significa necessariamente cortar imagens e juntá-las. Uma edição hábil também pode ser aquela que deixa o diálogo mostrar o seu vigor realista. A fim de interferir o mínimo possível e de buscar atenção total do espectador, uma boa opção parece ter sido a utilização do plano-seqüência. Acompanhe a cena acima e veja como funciona.


KILL BILL 2

Título Original: Kill Bill: Vol. 2/Gênero: Ação/Duração: 134 minutos/Ano (EUA): 2004/Direção: Quentin Tarantino/Roteiro: Quentin Tarantino, baseado em personagem criado por Quentin Tarantino e Uma Thurman/Produção: Lawrence Bender e Quentin Tarantino/Música: RZA e Robert Rodriguez/Fotografia: Robert Richardson/Direção de Arte: Daniel Bradford/Figurino: Kumiko Ogawa e Catherine Marie Thomas/Edição: Sally Menke/Efeitos Especiais: K.N.B. EFX Effects Inc.


Mariane Cordeiro - Diálogo
Colocado por cinetvpr

Esse diálogo é brilhante, pois remete ao teatro. Além do diálogo comum, há um diálogo de corpos. Os três contracenam como se estivessem em um grande palco. A cena é divertida e comovente ao mesmo tempo. Depois de tanta violência sangrenta Tarantino mostra que pode ser mais humano.

AUTOR: Mariane Cordeiro

GAROTA INTERROMPIDA

Título Original: Girl, Interrupted/Gênero: Drama/Duração: 127 minutos/Ano(EUA): 1999/Direção: James Mangold/Roteiro: James Mangold, Lisa Loomer e Anna Hamilton Phelan,baseado em livro de Susanna Kaysen/Produção: Cathy Konrad e Douglas Wick/Música: Mychael Danna/Direção de Fotografia: Jack N. Green/Direção de Arte: Jeff Knipp/Figurino: Arianne Phillips/Edição: Kevin Tent



Muitos filmes já buscaram perscrutar o universo dos jovens. Alguns fizeram isso repetindo chavões que apenas reforçam estereótipos e apagam as individualidades. Outros, com Garota, interrompida partem dos transtornos sociais e psíquicos de três jovens garotas para criar uma narrativa tensa e repleta de frases cortantes. Para um diálogo cortante e tenso, uma edição à altura. Simples, sem planos rebuscados, ela repete a secura dos diálogos. O diálogo acima revela bem isso. Planos médios e planos próximos acompanham o duelo das palavras também com duelo de olhares, de réplicas, tréplicas e súplicas. Inseguras e ferozes, as personagens ganham muita intensidade com os cortes precisos da edição, sem contorcionismos, e, talvez por isso, eficazes aqui. Alguém já disse por aí, sobre os diálogos: O roteiro é muito bom, adaptado do livro "Garota, interrompida" da própria Kaysen. Tem ótimos diálogos e frases marcantes. Destaque para "A man is a dick is a man is a dick, is a chicken, a Valium, a speculum, whatever..." . O enredo se desenvolveu muito bem mostrando a história quase com perfeição. Talvez esteja aí o único defeito do filme. Ele deveria ser um pouco maior, mas isso não tira seu brilho.
(FONTE)
O ar aparentemente blasé com que é dita a frase tenta esconder personalidades atormentadas por seus distúrbios psicossociais. Os planos próximos nas personagens que falam (mas também nas que ouvem) ajudam a perceber que o duelo de olhares acompanha o duelo de palavras. Você percebeu que, ao ser ferida pelas palavras, a personagem que fica na escada (Daisy) não sustenta o seu olhar até então pretensamente superior? Não? Então veja de novo.

NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA

Título Original: Annie Hall/Gênero: Comédia/Duração: 94 minutos/Ano (EUA): 1977/Direção: Woody Allen/Roteiro: Woody Allen e Marshall Brickman/Produção: Charles H. Joffe e Jack Rollins/Direção de Fotografia: Gordon Willis/Direção de Arte: Mel Bourne/Figurino: Ralph Lauren e Ruth Morley/Edição: Wendy Greene Bricmont e Ralph Rosenblum


Jansen Hinkel - Diálogo
Colocado por cinetvpr

ERA UMA VEZ NO OESTE

Título Original: C'era una Volta il West/Gênero: Faroeste/Duração: 166 minutos/Ano (Itália / EUA): 1969/Direção: Sergio Leone/Roteiro: Sergio Donati e Sergio Leone, baseado em estória de Dario Argento, Sergio Leone e Bernardo Bertolucci/Produção: Fulvio Morsella/Música: Ennio Morricone/Fotografia: Tonino Delli Colli/Figurino: Carlo Simi/Edição: Nino Baragli


Flavio Stankoski - Diálogo
Colocado por cinetvpr


Os diálogos são marcados pelos olhares dos atores em closes que esperam numa estação ferroviária para fazer uma tocaia para o personagem de Bronson, que rouba as cenas com sua gaita sempre tocando uma mesma música conferindo a ele uma certa tranqüilidade e controle sobre suas ações, sempre com um semi-sorriso estampado na cara.

FONTE


CÃES DE ALUGUEL

Título Original: Reservoir Dogs /Gênero: Policial/Duração: 99 minutos/Ano (E.U.A.): 1992/Direção: Quentin Tarantino /Roteiro: Quentin Tarantino /Produção: Lawrence Bender /Fotografia: Andrzej Sekula /Departamento de ArteJonathan Bobbitt /Edição: Sally Menke





O filme conta a história de um grupo de assaltantes que, logo após um trabalho mal sucedido, reencontram-se em um galpão abandonado. Lá eles entram em conflito em função de um clima mútuo de desconfiança, já que surge a idéia que existe um traidor entre eles. Aos poucos conhecemos melhor o que se passou, enquanto a tensão no galpão vai ficando insuportável, à medida que a identidade do traidor não é revelada. Violento, engraçado, original, ousado, arrebatador, surpreendente, obra-prima. Isso é Cães de Aluguel. O filme de estréia do diretor que, com apenas dois filmes, iria sacudir os alicerces de toda uma indústria bilionária; é uma obra de arte em todos os sentidos. Cães de Aluguel é um exercício sublime da linguagem cinematográfica, um filme inovador que conseguiu arrancar risadas do público em meio a um banho de sangue exagerado e surreal. Originalidade é o nome do meio do gênio que é Quentin Tarantino. E os diálogos disparados pelos personagens em Cães de Aluguel são sensacionais. Seja quando um dos personagens explica porque não distribui gorjetas ou quando um dos homens do grupo reclama do nome que recebeu para o trabalho (Mr. Pink), as falas criadas por Tarantino, mesmo que pouco tenham a ver com a trama principal, são de uma originalidade extrema e realmente ajudam a compreender melhor cada personagem – além de, é claro, serem um prazer de se assistir. O começo de “Cães de Aluguel” mostra os bandidos (cães) conversando sobre tudo que eu nunca tinha visto algum bandido conversar em um filme. Falavam sobre a música da Madonna, “Like a Virgin”. Mas espera um pouco! Os caras são bandidos, deveriam falar sobre como vão cometer algum crime. Mas não, falavam sobre a Madonna! Na hora virei fã do roteiro. Falar que os filmes do Tarantino se diferenciam pelos diálogos é lugar comum, mas também não posso deixar de destacá-los.

( Silvio Pilau em FONTE e também FONTE1 )



E O VENTO LEVOU

Título Original: Gone With The Wind/ Gênero: Drama/ Duração: 241 minutos/Ano (EUA): 1939/Direção: Victor Fleming/ Roteiro: Sidney Howard, baseado em livro de Margaret Mitchell/ Produção: David O. Selznick/ Música: Max Steiner/ Fotografia: Ernest Haller e Ray Rennahan/ Figurino: Walter Plunkett/ Edição: Hal C. Kern.


Como acontece muitas vezes em empreendimentos gigantes, “E Tudo o Vento Levou” teve um processo de produção que se tornou lendário pelos problemas sistemáticos que teve de contornar. Mas o resultado final excedeu todas as expectativas e tornou-se num dos mais importantes filmes da história, onde tudo parece estar no lugar certo.(...) A história do filme inicia-se em 1861, numa casa em Tara, onde Scarlett O'Hara (Vivien Leigh) fica a saber dos planos de Ashley Wilkes ( Leslie Howard ) para se casar com Melanie Hamilton ( Olivia de Havilland ). Ignorando os avisos do seu pai e da sua fiel criada Mammy ( Hattie McDaniel ), Scarlett decide “atirar-se” a Ashley num churrasco em Twelve Oaks, fazendo uma figura que atrai a atenção e o fascínio de Rhett Butler (Clark Gable). A narrativa acompanha depois a história de amor entre Rhett e Scarlett, moldada por sequências inesquecíveis como o incêndio de Atlanta. O filme termina com uma das linhas de diálogo mais famosas de sempre: “Frankly, my dear, I don't give a damn”.

FONTE

CÃES DE ALUGUEL

Título Original: Reservoir Dogs /Gênero: Policial/Duração: 99 minutos/Ano (E.U.A.): 1992/Direção: Quentin Tarantino /Roteiro: Quentin Tarantino /Produção: Lawrence Bender /Fotografia: Andrzej Sekula /Departamento de ArteJonathan Bobbitt /Edição: Sally Menke



Joe Cabot (Lawrence Tierney), um experiente criminoso, reuniu seis bandidos para um grande roubo de diamantes, mas estes seis homens não sabem nada um sobre os outros e cada um utiliza uma cor como codinome. Porém durante o assalto algo ao saiu errado, pois diversos policiais esperavam no local. Mr. White (Harvey Keitel) levou Mr. Orange (Tim Roth), que na fuga levou um tiro na barriga e morrerá se não tiver logo atendimento médico, para o armazém onde tinha sido combinado que todos se encontrassem. Logo depois chegou Mr. Pink (Steve Buscemi), que está certo que um deles é um policial disfarçado e eles precisam descobrir quem os traiu. Em um clima de acusações mútuas a situação fica cada vez mais insustentável. Sarubbo diz que os filmes de fórmula atuais reduzem até mesmo os paradigmas clássicos do cinema (de 1915 até o fim da década de 1950). Desse gênero, porém, Tarantino bebe na fonte: incorpora suas convenções, o prazer de contar histórias e o domínio do diálogo. "Mas, ao mesmo tempo, ele o transcende ao integrar o cinema moderno dos anos 50 e 60 e o cinema pós-moderno, constituído de paródia", afirma. Outra citação, portanto, são as muitas digressões a Sergio Leone e Godard. Assim como nos filmes desses diretores, os diálogos não fazem avançar a narrativa. "O princípio central dos longas-metragens de Tarantino é o acaso. Muitas vezes, ele quebra a causalidade narrativa, que é também um traço do cinema clássico", explica.

FONTE

BILL AND TONY

Título Original: Bill and Tony/Gênero: Experimental/Duração: 5 minutos/Ano (Inglaterra): 1972/Direção: Antony Balch /Roteiro: Antony Balch e William S. Burroughs


Permutações de linhas faladas neste simples filme experimental.

William Burroughs e Antony Balch estão postos lado a lado, olhando diretamente para a câmera. O diálogo deles diz algo como, "I'm Tony, who are you? I'm Bill. Where are you Tony? I'm in London, where are you? I'm in a 1920s movie, Tony." Primeiro Bill fala as linhas de Tony, então depois o diálogo integral é repetido com a pessoa correta falando as linhas. Isto é repetido novamente depois com o diálogo de Bill sendo dito pelos lábios de Tony se movendo e vice versa. Há bem como outras permutações.

Entre estas cenas há planos de Burroughs e Balch sentados sozinhos para a câmera. Estão vestidos de como que suas cabeças parecem flutuar no espaço preto. As falas recitadas por Burroughs poderiam ser pedaços de um ritual de Cientologia(ele flerta com isso uma hora) sobre começar um "pre-iluminado" para imaginar a si mesmo fora de sua cabeça usando citações. Balch diz alguns diálogos do filme “Freaks”. Depois, Burrouguhs aparece novamente, mas Balch fala linhas sobre pré-iluminados. Do mesmo modo, quando Balch reaparece sozinho, Burroughs diz falas de “Freaks”.

(FONTE: traduzido por Matheus Marco)

A LARANJA MECÂNICA

Título Original: A Clockwork Orange/ Gênero: Ficção Científica/ Duração: 138 minutos/ Ano (Inglaterra): 1971/ Direção: Stanley Kubrick/ Roteiro: Stanley Kubrick, baseado em livro de Anthony Burgess/ Produção: Stanley Kubrick/ Música: Wendy Carlos/ Fotografia: John Alcott/ Figurino: Milena Canonero/ Edição: Bill Butler.



(...) Quase todos os diálogos do livro, na sua linguagem (in)decifrável, estão lá. Desde a essência da obra, com seu clima opressivo, até o sarcasmo do protagonista, Kubrick não deixou escapar um detalhe sequer.

Depois de realizarmos a leitura do argumento, e servindo-nos de elementos plasmados mais tarde na sua versão cinematográfica, podemos afirmar que "A laranja mecânica", apesar da importância fulcral do elemento imagético, dá um grande enfoque aos diálogos. Desde a voz-off do protagonista, que nos vai relatando e orientando através da história, até aos hilariantes comentários de Mr. Deltoid, Dim e do Chefe da Guarda, os diálogos constituem um suporte essencial para o desenrolar deste filme.
(...) São também um elemento essencial na caracterização das personagens: Alex, por exemplo, é dono de um sarcasmo inteligente, enquanto que Dim é tudo menos dotado pela palavra, limitando-se a repetir incessantemente o que ouve dizer aos seus companheiros. Pelo seu humor e inteligência, os diálogos são providos de inúmeros significados – Kubrick aproveita na totalidade a língua "nadsat" criada por Anthony Burgess, autor do livro. Cada frase tem múltiplas significações, tudo deve ser lido nas entrelinhas e decodificado em busca do real sentido.

FONTE e também em FONTE1

SR. E SRA. SMITH

Título Original: Mr. & Mrs. Smith /Gênero: Comédia /Duração: 120 minutos/Ano (E.U.A.): 2005/Direção: Doug Liman /Roteiro: Simon Kinberg /Produção: Lucas Foster /Música: John Powell /Fotografia: Bojan Bazelli /Departamento de Arte: Keith Neely /Edição: Michael Tronick


Cinco passos para melhorar o relacionamento, segundo "Sr. e Sra. Smith":

1- Descubra os piores segredos do seu parceiro
2- Conte os seus piores segredos para ele
3- Tente matá-lo.
4- Destrua a casa em que vocês moram, inclusive a mobília. Se possível, exploda.
5- Comece tudo de novo.

Quer saber se dá certo? Bem, não é que seja lá uma Brastemp, mas o encontro de Brad Pitt e Angelina Jolie nas telonas (e segundo os tablóides, fora delas) não é nenhum "Contato de Risco". A proposta de juntar dois clichês bem batidos - comédia romântica, em que os dois protagonistas se odeiam porque estão apaixonados, e thriller de ação com apetrechos a la James Bond - até que diverte sem precisar de piadas apelativas.

O roteiro conta a história do casal-título, que vive uma vidinha suburbana comum. Até que eles descobrem que escondiam um do outro que, na verdade, são assassinos profissionais. E pior: foram contratados para a mesma missão e são, portanto, rivais a serem eliminados. Pitt é John e Jolie é Jane Smith em um filme elegante e com timing cômico invejável.

É impossível negar que o filme só deslancha devido à química faiscante entre seus protagonistas. Os dois se entrosam tão bem que fica difícil não se envolver e se divertir com seus joguinhos de puxa-e-empurra (ou seduz-e-tenta-matar). É claro que o roteiro de Simon Kinberg e a direção de Doug Liman (A identidade Bourne) também ajudam, enfocando mais a discussão do relacionamento desencadeada pela descoberta do que a trama de ação mais que batida.

À medida que John e Jane conhecem mais a verdade sobre o outro, as cenas vão ficando mais engraçadas. Desde o início, quando John chega em casa com medo de que Jane tente envenená-lo, passando por um dos tangos mais originais e sensuais já dançado no cinema, até o hilário diálogo, digno de Billy Wilder, em que eles contam um ao outro quantas vítimas já assassinaram. O talento cômico meio caipira de Pitt encontra um contraponto perfeito na sensualidade com atitude de Jolie e os dois carregam o filme nas costas, com um elenco de coadjuvantes em que apenas Vince Vaughn (Com a bola toda) faz diferença.

A trilha sonora também merece destaque, marcando com exatidão cada momento da trama. É ela que ressalta a monotonia do casamento suburbano, logo em seguida denunciando a suspeita e a guerra entre os dois e terminando com sua explosão sexual. Assim como em "A identidade Bourne", Doug Liman mostra com sua direção que, se não é um inovador no gênero, também não decepciona. As cenas de lutas e explosão não têm nada de novo, mas não são constrangedoras.

Apesar de alguns buracos no roteiro (o final repentino, por exemplo), "Sr. e Sra. Smith" se propõe como diversão descompromissada e cumpre o trato. Agora se você quiser saber se o longa funciona mesmo, pergunte a Jennifer Aniston.

FONTE

sábado, 18 de agosto de 2007

SONATA DE OUTONO

Título Original: Höstsonaten /Gênero: Drama/Duração: 99 minutos/Ano (Suécia): 1978/Direção: Ingmar Bergman /Roteiro: Ingmar Bergman /Produção: Katinka Faragó, Lew Grade e Martin Starger /Música: Frédéric Chopin, Georg Friedrich Händel, Robert Schumann /Fotografia: Sven Nykvist / Departamento de Arte: Ingeborg Kvamme e Kaj Larsen /Edição: Sylvia Ingemarsson



Autumn Sonata is a provocative, moving, and intensely honest film about the complexity of familial relationships. Eva (Liv Ullman), a timid and reserved wife of a country parson, invites her mother, Charlotte (Ingrid Bergman), to stay with her after a seven year separation. Charlotte is a concert pianist, whose career has dictated prolonged separations from her family. Having recently experienced the death of her husband, Charlotte is eager to rekindle her relationship with her daughter. However, their congenial reunion is short-lived, as Eva begins to confront her mother's alienated affection.
Se a maravilhosa arte do grande Ingmar Bergman não é suficiente para ver esse filme, então considere as triunfantes performances de Liv Ullmann e da legendária Ingrid Bergman. Note o suavizado poder de uma cena de piano em que a inibida Eva, desejando aprovação, toca um prelúdio de Chopin (posso ver ao menos dez diferentes expressões na face de Ullman enquanto ela erra algumas notas durante a execução da peça, e igualmente tantas na face de Bergman ao tentar não trair a idéia que ela percebe o quão mal sua filha está tocando). Então, assim que Charlotte toma seu seguro lugar em frente ao piano, uma revelação toma conta do semblante de Eva, ao descobrir o vazio da ausência de sua mãe nas teclas em movimento do piano.
It is impossible to describe the tenuous, emotionally charged scene that is at the heart of this film. It is an exploration of guilt, regret, and pain. To trivialize this eviscerating exchange as "wordy" (as I have seen in some misguided reviews) is unfair. It is a verbal catharsis - the inevitable release of harbored frustration and anger - punctuated with the hesitance of a daughter who deeply loves her mother, but sometimes cannot accept her faults. The scene, and indeed the film itself, speaks volumes about the need for acceptance and connection.
Bergman, as in Cries and Whispers, uses thematic colors that suffuse the film. In Autumn Sonata, the color palette is appropriately fall: pale greens, pumpkin orange, muted yellows, and earth tones. Note the colors of the parsonage, the wardrobe, and the season in which the film takes place. The theme is especially suited to the story of a mother in the twilight of her career ...and life (Ms. Bergman was battling cancer when the film was made), seeking to find reconciliation and closure. It also creates an atmosphere that is warm and inviting, a woman coming home at the end of her journey. It is, however, a journey that has only begun.

FONTE

TERRA EM TRANSE

Título Original: Terra Em Transe/Gênero: Drama/ Duração: 115 min./Ano (Brasil): 1967/Direção: Glauber Rocha/Roteiro: Glauber Rocha/Produção: Zelito Viana/Música: Sergio Ricardo/Fotografia: Dib Lutfi/Direção de Arte: Paulo Gil Soares/Figurino: Paulo Gil Soares e Clóvis Bornay/Edição: Eduardo Escorel




Estética e política na terra em transe de Glauber Rocha.No presente artigo, pretendo analisar o filme Terra em Transe, escrito e dirigido pelo cineasta baiano Glauber Rocha (1939-1981). Ao contrário da maioria das análises já feitas acerca desta obra, tenciono dar maior ênfase à estética do filme que, a meu juízo, ainda não foi suficientemente discutida e analisada. (...)
Um ótimo exemplo da maneira que o diretor filma um dialogo na película: ao contrário da forma convencional, o cineasta resolve filma-los fazendo vários cortes sem para sua seqüência, sendo que estes cortes, muitas vezes, levam a câmera para um lugar bem distante de onde esta estava antes do corte, dando a dinamicidade que o filme tanto precisa. (...)
Em Terra em Transe há uma nova estética com elementos criados pelo próprio diretor, embora ainda contenha elementos das escolas italianas e soviéticas. Sem dúvida, há um sensível amadurecimento entre essas duas obras. (...).Podemos comprovar a posição de Glauber Rocha quanto à interpretação de suas obras e seu desejo de inovação estética.

(Por Sérgio Farias Filho em FONTE)


HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES

Título Original: Houve uma Vez Dois Verões/Gênero: Comédia/Ano (Brasil): 2002/Direção: Jorge Furtado/Roteiro: Jorge Furtado/Produção: Nora Goulart e Luciana Tomasi/Música: Léo Henkin/Fotografia: Alex Sernambi/Direção de Arte: Fiapo Barth/Figurino: Rô Cortinhas/Edição: Giba Assis Brasil




"HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES é um filme juvenil e inteligente. Seus diálogos, espertíssimos, estão despidos de qualquer ranço. Seu diretor, Jorge Furtado, diz que o idioma dos personagens é o portalegrês, e não o gauchês. Ao delimitar tal fronteira, o realizador deixa clara a origem urbana de seu primeiro longa. Barato (R$800 mil), com personagens críveis (quem há de se esquecer da sequência em que o protagonista dança sozinho e feliz, ao som de "My Pledge of Love"?!), roteiro bem articulado, o filme encanta e seduz."

AUTOR:Maria do Rosário Caetano, REVISTA DE CINEMA, agosto/2002

ROSENCRANTZ E GUILDENSTERN ESTÃO MORTOS

Título Original: Rosencrantz & Guildenstern Are Dead/Direção: Tom Stoppard/Roteiro: Tom Stoppard/Elenco:Tim Roth/Gary Oldman/Richard Dreyfuss


Quando abriu o festival de Edinburgo em 1966, a comédia de palco Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos, fez de seu escritor, Tom Stoppard, uma celebridade da noite para o dia. Uma pessoa com criatividade infinita e inteligência formidável, ele pegou Hamlet de Shakespeare e virou-a do avesso como um bichinho de meia.
A ação da peça ocorre não por ação propriamente dita, mas pelas reviravoltas das batalhas verbais.
É um filme que você realmente precisa sentar em um quarto silencioso, sem distrações e assistir atenciosamente, senão você não vai entender.

(FONTE traduzido por Cássia Muginoski)

DESCONSTRUINDO HARRY

Título Original: Deconstructing Harry/Gênero: Comédia/Duração: 96 minutos/Ano (EUA): 1997/Direção: Woody Allen/Roteiro: Woody Allen/Produção: Jean Doumanian/Direção de Fotografia: Carlo Di Palma/Direção de Arte: Tom Warren/Figurino: Suzy Benzinger/Edição:Susan E. Morse



Como artista, Woody Allen é um paradoxo vivo: como é possível que, apesar de vir interpretando o mesmo personagem há mais de 20 anos, ele consiga se reinventar a cada novo filme, introduzindo sua já clássica persona cinematográfica em histórias que, independente de sua complexidade, são verdadeiras sessões de auto-análise? E como seu alter-ego em celulóide, sempre ansioso, agitado e gesticulando muito, ainda é capaz de nos fazer rir depois de tantos anos?
A resposta: Allen não é apenas um cineasta dotado de extrema cultura e de um timing cômico irrepreensível. Ele é, antes de tudo, um dos mais talentosos roteiristas que o Cinema já produziu - e não estamos exagerando. Tomemos, como exemplo, Desconstruindo Harry, um dos mais ácidos, inteligentes e divertidos roteiros que este diretor já escreveu. Aqui, o alter-ego de Woody Allen se chama Harry Block. Block é um escritor de sucesso que, infelizmente, se encontra no meio de um terrível `bloqueio` que o impede de trabalhar em seu novo livro. É quando sua antiga Faculdade (da qual foi expulso) resolve homenageá-lo e ele começa a procurar por alguém que aceite acompanhá-lo até a cerimônia.
Todavia, por mais bem-sucedido que ele seja em sua vida profissional, sua vida particular é um verdadeiro caos. Depois de passar por `6 psiquiatras e 3 esposas`, Block ainda é um homem cheio de neuroses e conflitos. Para piorar, ele tem a mania de basear seus livros em acontecimentos reais de sua vida pessoal - o que faz com que suas ex-esposas, sua meia-irmã e seu cunhado nutram verdadeira aversão por ele. Durante sua trajetória em busca de uma companhia para a cerimônia de homenagem, o escritor acaba reencontrando todos os personagens que criou ao longo dos anos, numa referência mais do que óbvia ao clássico Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman.
A partir destes elementos aparentemente dramáticos, Woody Allen constrói uma comédia deliciosamente mordaz - talvez uma das mais `rasgadas` de toda sua carreira. Desta vez, o diretor não economiza nos palavrões e nas referências sexuais mais explícitas. Em certo momento, por exemplo, ele pergunta para a prostituta Cookie, vivida pela ótima Hazelle Goodman: `Você já ouviu falar dos buracos negros?`. Sem pestanejar, a prostituta (que é negra) responde: `É assim que eu ganho a vida. `.

FONTE
(acessado em 29/06/07)

PULP FICTION

Título Original: Pulp Fiction/ Gênero: Policial/ Duração: 154 minutos/Ano (EUA): 1994/Direção: Quentin Tarantino/Roteiro: Quentin Tarantino, baseado em estória de Roger Avary e Quentin Tarantino/Produção: Lawrence Bender/Direção de Fotografia: Andrzej Sekula/ Direção de Arte: Charles Collum/Figurino: Betsy Heimann/Edição: Sally Menke

Em 1994, o enigmático diretor Quentin Tarantino nos deu a honra de prestigiar uma verdadeira obra cinematográfica, fazendo os amantes do cinema terem uma nova visão, deixando inúmeras influências e imitações para produções subseqüentes.Durante o desenvolvimento da trama de “Pulp Fiction”, o filme faz uma interligação entre a história de três personagens, e a interação entre os mesmos se dá de forma não linear. O filme vem mostrando momentos de “humor perverso”, “elegantíssimos deboches” e também de muita aventura, unindo em um único filme, gêneros como policial, aventura, uma pitada de comédia e suspense.A historia trata de dois assassinos profissionais que devem fazer cobrança para um gângster. Vicent, um dos gângsteres, tem que fazer companhia a garota de seu chefe durante o tempo que o mesmo não se encontra presente, e Vicent Vegas passa o tempo todo com medo de passar dos limites. Enquanto isso, um boxeador se mete em apuros por ganhar a luta que deveria perder, pois havia negociado sua derrota com Marsellus (um dos poderosos Gângsteres locais).Agora, como falar em “Pulp Fiction” e não mencionar o modo que Tarantino trabalha neste filme? Sua mente geniosa surpreende o publico com um roteiro não linear, muito bem estruturado e um impecável trabalho de fotografia, muito claro na cena em que Travolta está se injetando heroína.Os temas que Tarantino aborda no filme são considerados polêmicos e fazem parte da “cultura pop”. Em “Pulp Fiction” ele mostra diversos tipos de violência, uso de drogas, máfia, entre outros, tudo isso muito bem sincronizado a uma trilha muito bem elaborada, que já começa no inicio do filme na cena da lanchonete, e também durante os créditos iniciais, somos surpreendidos com “Misirlou”, de Dirk Dale & His Del-Tones, que não consigo ouvir sem remeter minha memória a este filme.O roteiro brinca com a atenção do expectador, e provoca uma certa ansiedade a cada mudança de cena, nas idas e vindas do filme, através de “flashbacks”.O filme torna presente a mudança de personagens em cena, mas também mostra os diálogos muito bem trabalhados pelo roteirista, dando um clima bem diferenciado e único a cada cena, mostrando também a ousadia do diretor nas citações da Bíblia durante a execução de um traidor. Além disso, o filme é recheado de cenas com um diálogo considerado inovador para o cinema dos anos 90, deixando essa obra cada vez mais persistente, principalmente com o passar dos anos.E “Pulp Fiction” é mais uma demonstração do trabalho nos diálogos do diretor, que abusa da “cultura pop” e trás assuntos de todas as espécies, bem pontuado na conversa entre Vincent e Jules sobre costumes europeus. O modo de Tarantino trabalhar o roteiro é considerado algo muito moderno pelos críticos.O diretor deixa alguns mistérios em aberto, para que o expectador use sua imaginação e faça sua própria versão da história. Em “Pulp Fiction” percebemos esse suspense, desde a curiosidade de saber o que há dentro da pasta, até o fato de Marcellus (o ator Samuel L; Jackson) possuir um curativo na nuca, deixando claro, a maneira como o diretor gosta de fazer fluir a imaginação do expectador durante a trama.Vale ressaltar também que o tipo de montagem escolhido pelo diretor exerce uma espécie de locução em off, que acaba fazendo com que as histórias vão se interligando, como se houvesse uma locução especifica explicando a passagem de cena, e a interação entre elas.

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