
"Dominando o espaço-tempo: coletânea de artigos e cenas sobre edição"
Michelangelo dizia que, ao fazer suas esculturas, bastava apenas liberar a estátua que já habitava o interior do bloco informe de mármore.
E o que isso tem a ver com edição?
O cineasta Andrei Tarkovski, já falando sobre cinema, escreve um livro chamado Esculpir o tempo.
E o que isso tem a ver com edição?
Ora, dominar e criar significados a partir do espaço sem forma de um bloco de mármore ou do aparentemente inapreensível tempo parece ser justamente o que faz o cinema: recortar significativamente esse binômio interdependente: o espaço-tempo. E a edição tem papel preponderante nessa tarefa, que pode até ganhar ares mágicos (afinal, quem controla o tempo e o espaço, quem consegue realizar esse sonho?), mas que nada mais é do que árduo trabalho humano, prenhe de suor e criatividade.
Apreender o espaço e o tempo já é atribuição fenomenal. Mas é preciso ir além, afinal, é também preciso condensar nessa captura fragmentos de intenso sentido humano, pois, se espaço e tempo foram capturados, é para que a imaginação, os sonhos e aflições humanas ganhem liberdade, para que possam povoar a razão e a sensibilidade do homem. Corações e mentes livres, fantasias realizadas (sim, todas!), identificações e estranhamentos, ódios e amores emoldurados numa tela branca, emanando reflexão, diversão, encantamento. É a moldura até então inerte que espalha sentidos e também os recebe, ligada aos olhos do espectador por um fio tênue e invisível.
E como manter esse fio? Como fazer para que esse fascínio não se rompa? Esculpir tempo e espaço, recortar fragmentos e montar seus retalhos para que formem sentido de interesse humano: eis o que parece ser, enfim, o trabalho da edição.
Mas há pedras no meio do caminho. A demora em um corte pode intensificar o suspense ou causar fastio. A entrada de uma intervenção sonora pode complementar a fascinação pela imagem, agregando um outro estímulo, ou pode quebrar a interlocução ativa que se estabelecia entre espectador e obra. A utilização de um flashback pode dar ao público essa ilusão tão sonhada pela humanidade de dominar o tempo, assim como pode fazê-lo involuntariamente perder-se da trama e olhar o relógio... não basta, portanto, esculpir tempo e espaço. É preciso esculpi-lo compondo habilmente seus detalhes. Afinal, começar a rir antes de terminar de contar uma piada pode estragar toda a graça (pior: riremos do contador, não da piada).
É por tudo isso que, a fim de estudarmos estratégias de edição e também compartilhá-las com o público, lançamos esta pequena coletânea de cenas cinematográficas e textos. São filmes dos mais diversos gêneros, dos também mais diversos diretores. Um esforço de equipe, como deve ser o cinema. Aqui, você encontrará uma contribuição para o seu conhecimento, seja você estudante de cinema ou apenas (e esse “apenas” não é pejorativo) um curioso amante da sétima arte, que chegou para ser a arte dos séculos XX e XXI. São cenas centradas sobretudo na edição de diálogos, trilhas sonoras e flashbacks. Você certamente aprenderá vendo as cenas, lendo os textos, concordando com eles ou discordando frontalmente. Importante é ser ativo, pensar, analisar, acolher e refutar.
Esperamos, enfim, ser aquela pedra minúscula jogada no lago. Ela, em si, pode parecer pequena, mas reverbera em ondas e atinge raios amplos de discussão, conhecimento e diversão.
E o que isso tem a ver com edição?
O cineasta Andrei Tarkovski, já falando sobre cinema, escreve um livro chamado Esculpir o tempo.
E o que isso tem a ver com edição?
Ora, dominar e criar significados a partir do espaço sem forma de um bloco de mármore ou do aparentemente inapreensível tempo parece ser justamente o que faz o cinema: recortar significativamente esse binômio interdependente: o espaço-tempo. E a edição tem papel preponderante nessa tarefa, que pode até ganhar ares mágicos (afinal, quem controla o tempo e o espaço, quem consegue realizar esse sonho?), mas que nada mais é do que árduo trabalho humano, prenhe de suor e criatividade.
Apreender o espaço e o tempo já é atribuição fenomenal. Mas é preciso ir além, afinal, é também preciso condensar nessa captura fragmentos de intenso sentido humano, pois, se espaço e tempo foram capturados, é para que a imaginação, os sonhos e aflições humanas ganhem liberdade, para que possam povoar a razão e a sensibilidade do homem. Corações e mentes livres, fantasias realizadas (sim, todas!), identificações e estranhamentos, ódios e amores emoldurados numa tela branca, emanando reflexão, diversão, encantamento. É a moldura até então inerte que espalha sentidos e também os recebe, ligada aos olhos do espectador por um fio tênue e invisível.
E como manter esse fio? Como fazer para que esse fascínio não se rompa? Esculpir tempo e espaço, recortar fragmentos e montar seus retalhos para que formem sentido de interesse humano: eis o que parece ser, enfim, o trabalho da edição.
Mas há pedras no meio do caminho. A demora em um corte pode intensificar o suspense ou causar fastio. A entrada de uma intervenção sonora pode complementar a fascinação pela imagem, agregando um outro estímulo, ou pode quebrar a interlocução ativa que se estabelecia entre espectador e obra. A utilização de um flashback pode dar ao público essa ilusão tão sonhada pela humanidade de dominar o tempo, assim como pode fazê-lo involuntariamente perder-se da trama e olhar o relógio... não basta, portanto, esculpir tempo e espaço. É preciso esculpi-lo compondo habilmente seus detalhes. Afinal, começar a rir antes de terminar de contar uma piada pode estragar toda a graça (pior: riremos do contador, não da piada).
É por tudo isso que, a fim de estudarmos estratégias de edição e também compartilhá-las com o público, lançamos esta pequena coletânea de cenas cinematográficas e textos. São filmes dos mais diversos gêneros, dos também mais diversos diretores. Um esforço de equipe, como deve ser o cinema. Aqui, você encontrará uma contribuição para o seu conhecimento, seja você estudante de cinema ou apenas (e esse “apenas” não é pejorativo) um curioso amante da sétima arte, que chegou para ser a arte dos séculos XX e XXI. São cenas centradas sobretudo na edição de diálogos, trilhas sonoras e flashbacks. Você certamente aprenderá vendo as cenas, lendo os textos, concordando com eles ou discordando frontalmente. Importante é ser ativo, pensar, analisar, acolher e refutar.
Esperamos, enfim, ser aquela pedra minúscula jogada no lago. Ela, em si, pode parecer pequena, mas reverbera em ondas e atinge raios amplos de discussão, conhecimento e diversão.
Nilton Cezar Tridapalli