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domingo, 19 de agosto de 2007

ZATOICHI

Título Original: Zatoichi/Gênero: Ação/Duração: 115 minutos/Ano (Japão): 2003/Direção: Takeshi Kitano/Roteiro: Takeshi Kitano, baseado em conto de Kan Shimozawa/Produção: Masayuki Mori/Música: Keiichi Suzuki/Fotografia: Katsumi Yanagishima/Figurino: Yohji Yamamoto/Edição: Takeshi Kitano e Yoshinori Oota


O cinema vem questionando, através de grandes filmes, o retorno à sua tarefa primordial de simplesmente recortar um pedaço do mundo e entregá-lo ao olhar em condições privilegiadas de atenção e visibilidade. Zatoichi é mais um filme em que o (re)ver o mundo está sendo posto em causa a todo segundo, mas com um detalhe: Kitano não abre mão de ser um fabulista. Se em Dolls ele construiu um universo que parecia de brinquedo e compôs uma melodia visual das mais melancólicas, em Zatoichi sua busca pela canção natural que exala das coisas resulta em vivacidade e alegria, culminando na dança triunfante do final. A cegueira de seu personagem, ao aguçar os sentidos que lhe restam, justamente ressalta esse murmúrio do entorno. Zatoichi recolhe os sons emitidos pelo mundo e os devolve a ele em forma de música (a seqüência do mutirão é bastante significativa, com marretadas e barulhos metálicos se harmonizando até compor a trilha sonora da cena), atitude que ilustra bem o cinema de Kitano, voltado para a complexa melodia da vida de quem está sempre no limite – o que não impede a recorrência daqueles teclados sentimentais, timbre musical mor de sua obra.

(Por Luiz Carlos de Oliveira Jr. em FONTE)


ANTES DO PÔR-DO-SOL

Título Original: Before Sunset/Gênero: Comédia Romântica/Duração: 80 minutos/Ano (EUA): 2004/Direção: Richard Linklater/Roteiro: Richard Linklater, Julie Delpy e Ethan Hawke, baseado em estória de Richard Linklater e Kim Krizan e nos personagens criados por Richard Linklater e Kim Krizan/Produção: Richard Linklater e Anne Walker-McBay/Fotografia: Lee Daniel/Edição: Sandra Adair/Efeitos Especiais: Custom Film Effects



Nilton Cezar - Diálogo
Colocado por cinetvpr



“Interpretar o extenso diálogo do filme foi um desafio que no fim se revelou recompensador para Julie Delpy. ‘O objetivo é conversar tão naturalmente quanto possível – ela diz – como se tivéssemos acabado de começar um papo. Mas é difícil, cada linha está escrita. Nós não improvisamos na hora H, mas tem que parecer quase tudo improvisado’. O diálogo em Antes do Pôr-Do-Sol é virtualmente ininterrupto, diferente do primeiro filme. ‘O primeiro tinha tanto romantismo, grande parte do filme acontece em uma noite. – Ethan Hawke compara – É mais difícil ter um filme que acontece em noventa minutos. Nós não temos distrações. No primeiro filme, tínhamos poetas de rua, dança do ventre, rodas-gigantes e trens. Nesse, tudo é super econômico, mais maduro e esperamos, mais próximo do coração’.”

(Diego Castro, em FONTE)
Confira também a entrevista do diretor Richard Linklater em: FONTE1

A cena que pode ser vista é apenas um dos múltiplos exemplos de diálogos bem encaixados e “naturais” do filme. No fundo, o filme todo é o diálogo – ele muda sutilmente seus cenários – que desvela e esconde desejos e intenções nem sempre muito claros para os espectadores e para os personagens, o que é um grande mérito.
Confira um minuto e quarenta de um longo plano-seqüência em que os personagens confundem ficção e vida real. Ele (Jesse), um escritor lançando seu romance na França, reencontra Céline, agora uma ativista ambiental. Após uma frustrada promessa de reencontro anos antes, eles passeiam pelas ruas de Paris.
O diálogo é um interessante caso de ficção dentro da ficção, já que conversam a respeito da obra de Jesse e buscam fazer as relações com suas vidas “reais”, que, por sua vez, nada mais é do que ficção, cinema. A partir da obra de Jesse, pensam a respeito de si mesmos. A confusão de Céline ao se referir à personagem do livro como “eu” ou “ela” demonstra bem o conflito. E ser lida por olhos de um escritor que, ao mesmo tempo, lhe é pessoalmente muito especial, reflete a velha questão filosófica a respeito do olhar do outro como elemento fundamental na identidade do indivíduo.
Vale lembrar que editar não significa necessariamente cortar imagens e juntá-las. Uma edição hábil também pode ser aquela que deixa o diálogo mostrar o seu vigor realista. A fim de interferir o mínimo possível e de buscar atenção total do espectador, uma boa opção parece ter sido a utilização do plano-seqüência. Acompanhe a cena acima e veja como funciona.


O PODEROSO CHEFÃO II

Título Original: The Godfather: Part II/Gênero: Drama/Duração: 200 minutos/Ano(EUA): 1974/Direção: Francis Ford Coppola/Roteiro: Mario Puzo e Francis Ford Coppola, baseado em livro de Mario Puzo/Produção: Francis Ford Coppola/Música: Nino Rota e Carmine Coppola/Direção de Fotografia: Gordon Willis/Direção de Arte: Angelo P. Graham/Figurino: Theadora Van Runkle/Edição: Barry Malkin, Richard Marks e Peter Zinner




Poderoso Chefão II intercala duas narrativas, apresentando a saga de duas gerações “Corleone”. A narrativa mais atual comanda o filme, e submete a do tempo passado por meio do uso intenso de flashbacks, com imagens de cor levemente mais quentes e, em alguns momentos, utilizando-se de fusões como transição entre as imagens do tempo presente e as do passado. Na cena reproduzida aqui, a edição trabalha com uma fusão bastante longa de imagens, como se a lembrança do protagonista estivesse realmente pairando ao seu redor ou dentro de sua cabeça e extrapolando seus limites. Ao final da cena, o filme nos brinda com um terceiro tempo narrativo. Portanto, será possível vislumbrar um flashback dentro de outro. Há, ainda, uma curiosidade a respeito do último flashback do filme (que é o apresentado acima). Acompanhe:
“No final do segundo filme há uma cena de flashback, em que toda a família está reunida para celebrar o aniversário de Don Vito. Durante as gravações desta cena, Marlon Brando não apareceu, como era o combinado. A solução foi fazer com que todos estivessem esperando ele chegar em casa numa festa surpresa. A seqüência é impressionante, pois mesmo sem Brando, Coppola consegue transmitir sua presença, apenas com o suspense de sua chegada”.

FONTE