Título Original: Zatoichi/Gênero: Ação/Duração: 115 minutos/Ano (Japão): 2003/Direção: Takeshi Kitano/Roteiro: Takeshi Kitano, baseado em conto de Kan Shimozawa/Produção: Masayuki Mori/Música: Keiichi Suzuki/Fotografia: Katsumi Yanagishima/Figurino: Yohji Yamamoto/Edição: Takeshi Kitano e Yoshinori Oota
O cinema vem questionando, através de grandes filmes, o retorno à sua tarefa primordial de simplesmente recortar um pedaço do mundo e entregá-lo ao olhar em condições privilegiadas de atenção e visibilidade. Zatoichi é mais um filme em que o (re)ver o mundo está sendo posto em causa a todo segundo, mas com um detalhe: Kitano não abre mão de ser um fabulista. Se em Dolls ele construiu um universo que parecia de brinquedo e compôs uma melodia visual das mais melancólicas, em Zatoichi sua busca pela canção natural que exala das coisas resulta em vivacidade e alegria, culminando na dança triunfante do final. A cegueira de seu personagem, ao aguçar os sentidos que lhe restam, justamente ressalta esse murmúrio do entorno. Zatoichi recolhe os sons emitidos pelo mundo e os devolve a ele em forma de música (a seqüência do mutirão é bastante significativa, com marretadas e barulhos metálicos se harmonizando até compor a trilha sonora da cena), atitude que ilustra bem o cinema de Kitano, voltado para a complexa melodia da vida de quem está sempre no limite – o que não impede a recorrência daqueles teclados sentimentais, timbre musical mor de sua obra.
(Por Luiz Carlos de Oliveira Jr. em FONTE)
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