domingo, 19 de agosto de 2007

ANTES DO PÔR-DO-SOL

Título Original: Before Sunset/Gênero: Comédia Romântica/Duração: 80 minutos/Ano (EUA): 2004/Direção: Richard Linklater/Roteiro: Richard Linklater, Julie Delpy e Ethan Hawke, baseado em estória de Richard Linklater e Kim Krizan e nos personagens criados por Richard Linklater e Kim Krizan/Produção: Richard Linklater e Anne Walker-McBay/Fotografia: Lee Daniel/Edição: Sandra Adair/Efeitos Especiais: Custom Film Effects



Nilton Cezar - Diálogo
Colocado por cinetvpr



“Interpretar o extenso diálogo do filme foi um desafio que no fim se revelou recompensador para Julie Delpy. ‘O objetivo é conversar tão naturalmente quanto possível – ela diz – como se tivéssemos acabado de começar um papo. Mas é difícil, cada linha está escrita. Nós não improvisamos na hora H, mas tem que parecer quase tudo improvisado’. O diálogo em Antes do Pôr-Do-Sol é virtualmente ininterrupto, diferente do primeiro filme. ‘O primeiro tinha tanto romantismo, grande parte do filme acontece em uma noite. – Ethan Hawke compara – É mais difícil ter um filme que acontece em noventa minutos. Nós não temos distrações. No primeiro filme, tínhamos poetas de rua, dança do ventre, rodas-gigantes e trens. Nesse, tudo é super econômico, mais maduro e esperamos, mais próximo do coração’.”

(Diego Castro, em FONTE)
Confira também a entrevista do diretor Richard Linklater em: FONTE1

A cena que pode ser vista é apenas um dos múltiplos exemplos de diálogos bem encaixados e “naturais” do filme. No fundo, o filme todo é o diálogo – ele muda sutilmente seus cenários – que desvela e esconde desejos e intenções nem sempre muito claros para os espectadores e para os personagens, o que é um grande mérito.
Confira um minuto e quarenta de um longo plano-seqüência em que os personagens confundem ficção e vida real. Ele (Jesse), um escritor lançando seu romance na França, reencontra Céline, agora uma ativista ambiental. Após uma frustrada promessa de reencontro anos antes, eles passeiam pelas ruas de Paris.
O diálogo é um interessante caso de ficção dentro da ficção, já que conversam a respeito da obra de Jesse e buscam fazer as relações com suas vidas “reais”, que, por sua vez, nada mais é do que ficção, cinema. A partir da obra de Jesse, pensam a respeito de si mesmos. A confusão de Céline ao se referir à personagem do livro como “eu” ou “ela” demonstra bem o conflito. E ser lida por olhos de um escritor que, ao mesmo tempo, lhe é pessoalmente muito especial, reflete a velha questão filosófica a respeito do olhar do outro como elemento fundamental na identidade do indivíduo.
Vale lembrar que editar não significa necessariamente cortar imagens e juntá-las. Uma edição hábil também pode ser aquela que deixa o diálogo mostrar o seu vigor realista. A fim de interferir o mínimo possível e de buscar atenção total do espectador, uma boa opção parece ter sido a utilização do plano-seqüência. Acompanhe a cena acima e veja como funciona.


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