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segunda-feira, 20 de agosto de 2007

SINAIS

Título Original: Signs/Gênero: Suspense/Duração: 107 minutos/Ano (EUA): 2002/ Direção: M. Night Shyamalan/Roteiro: M. Night Shyamalan/Produção: Frank Marshall, M. Night Shyamalan e Sam Mercer/Música: James Newton Howard/Fotografia: Tak Fujimoto/Direção de Arte: Keith P. Cunningham/Figurino: Ann Roth/Edição: Barbara Tulliver/Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic

M. Night Shyamalan (escritor, diretor e produtor):
Em cada filme que faço, nos meus últimos três filmes, tem um momento que digo, "não teremos trilha sonora". Mas meu processo é sempre assim. "Não teremos nenhuma música nesse filme. James [compositor], não se preocupe." E depois o James entende a história que estamos contando tão bem que pergunto à ele: "O que você faria aqui?".
James Newton Howard (compositor):
Seguimos uma idéia em "Sinais". A música principal que aparece no começo do filme foi escrita antes das filmagens começarem e foi baseada num tema de três notas. E esse tema foi reprisado por todo o filme de modos muito diferentes: benevolentes, hostis, ameaçadores, misteriosos. Ela não tinha sido escrita necessariamente para ser a música principal. Quando a escutamos pela 1ª vez, pensamos se realmente teríamos um lugar para ela no filme, apesar de que nós dois achamos que ela fosse relacionada. Mas aconteceu como uma sorte genial, porque ela começa* o filme de um modo tão explosivo, e o nível de intensidade é muito inesperado. Ela prepara o contexto de expectativas, então sabemos que o que escutamos nessa música acontecerá em algum ponto no filme, só não sabemos onde ou como, mas ela informa as pessoas sobre o que eles verão.
Shyamalan:
Eu disse para o James: "Tudo virá dessa música", e ele não escreveu mais nada por muito tempo, na verdade ele fez outro filme. E eu fiz o filme, editei ele, e quando eu desisti da mania de "sem música", perguntei ao James o que ele faria. Então ele começou a tirar coisas daqueles dois minutos e meio, e a elaborá-los.
James:
A última sequência* com certeza foi a música mais difícil que eu já escrevi, foi um grande desafio. Começou com um momento de dúvida e choque e terror... e passa por momentos de reconhecimento, preparando para depois das memórias. Quando ele [Mel Gibson] vê o bastão na parede, ainda é o tema de três notas. E rapidamente passa para outra fase, e termina num momento muito terno. Tudo tinha a ver com a estrutura, que é o segredo com qualquer escrita, quer seja música ou palavras. Eu estava tentando voltar ao meu tema de três notas o máximo possível. É aí que a música realmente se estende e as três notas são unificadas em uma só força. Foi o processo mais difícil, meticuloso, pelo qual eu já passei.

Os comentários/críticas foram transcritos do making of do filme “Sinais” (Signs, 2002), de M. Night Shyamalan

domingo, 19 de agosto de 2007

PSICOSE

Título Original: Psycho/Gênero: Suspense/Duração: 107 minutos/Ano (EUA): 1960/Direção: Alfred Hitchcock/Roteiro: Joseph Stefano, baseado em livro de Robert Bloch/Produção: Alfred Hitchcock/Música: Bernard Herrmann/Direção de Fotografia: John L. Russell/Direção de Arte: Robert Clatworthy e Joseph Hurley/Figurino: Helen Colvig e Rita Riggs/Edição: George Tomasini


Thiago Benites - Trilha Sonora
Colocado por cinetvpr

Dizem que somente aquelas musiquinhas de refrão fácil é que entram na nossa cabeça. Não é bem assim. Alguns sons afiados como faca (e a associação com faca aqui não é gratuita), associados a imagens que impregnam a nossa retina imaginativa, também são capazes de ficar ressoando na nossa caixa acústica. Bons filmes fazem isso. Trilha em perfeita harmonia com a imagem, com os cortes das cenas se eternizam... por que um aparentemente simples feixe de sons continua reverberando? O músico e estudante de artes Alfredo Werney ajuda a entender. Veja:
“O banho, todos hão de concordar, é um dos momentos mais relaxantes do nosso dia (principalmente no caso de Marion, que vinha de uma fuga). Porém a condução de Hitchcock nos surpreendeu: o banho foi o instante fatal e mais violento de todo o enredo. Notemos que a música entra com o abrir das cortinas, como se fosse iniciar um espetáculo circense, e os violinos tocam (glissandos) notas fortíssimas (molto sforzato) no registro agudo. Os sons se (con) fundem com os gritos da atriz. Relação entre a trilha sonora e a faca – Em alguns planos o ritmo das punhaladas está sincronizado com o ritmo das notas agudas do violino. Além disso, há uma relação com a textura da faca. Da mesma forma que a faca é bem fina as notas são bem agudas. A intensidade das punhaladas é reforçada pelas arcadas intensas dos violinos. “São os acordes musicais que fazem o corte no corpo de Marion”, nos disse Heitor Capuzzo em seu trabalho “Alfred Hitchcock: o cinema em construção”; O som em Psicose é construído a partir da densidade psicológica da obra. Torna-se praticamente impossível esquecermos alguns trechos de sua música penetrante. Basta citar o trecho dos violinos na reverenciada “cena do banheiro”. O fragmento musicalmente é simples: os violinos são friccionados fortemente na mesma nota com a célula rítmica repetitiva, enquanto os outros instrumentos (cellos e baixos) fazem o contraponto com notas mais graves, que vão ralentando. Mesmo o fragmento musical sendo simples, ele fica reverberando em nossa consciência. A intenção do diretor era nítida: ele
queria que este assassinato ficasse marcado por todas as outras seqüências do filme.”


(Alfredo Werney em FONTE)

Pois bem, o assassinato não só ficou marcado “por todas as seqüências do filme”, mas saiu da tela e continua ribombando por aí... cuidado!



SÃO PAULO S.A.

Título Original: São Paulo S.A./Direção: Luís Sérgio Person/Roteiro: Luís Sérgio Person/ Gênero: Drama/Ano: (Brasil): 1965/ Duração: 111 minutos


ZATOICHI

Título Original: Zatoichi/Gênero: Ação/Duração: 115 minutos/Ano (Japão): 2003/Direção: Takeshi Kitano/Roteiro: Takeshi Kitano, baseado em conto de Kan Shimozawa/Produção: Masayuki Mori/Música: Keiichi Suzuki/Fotografia: Katsumi Yanagishima/Figurino: Yohji Yamamoto/Edição: Takeshi Kitano e Yoshinori Oota


O cinema vem questionando, através de grandes filmes, o retorno à sua tarefa primordial de simplesmente recortar um pedaço do mundo e entregá-lo ao olhar em condições privilegiadas de atenção e visibilidade. Zatoichi é mais um filme em que o (re)ver o mundo está sendo posto em causa a todo segundo, mas com um detalhe: Kitano não abre mão de ser um fabulista. Se em Dolls ele construiu um universo que parecia de brinquedo e compôs uma melodia visual das mais melancólicas, em Zatoichi sua busca pela canção natural que exala das coisas resulta em vivacidade e alegria, culminando na dança triunfante do final. A cegueira de seu personagem, ao aguçar os sentidos que lhe restam, justamente ressalta esse murmúrio do entorno. Zatoichi recolhe os sons emitidos pelo mundo e os devolve a ele em forma de música (a seqüência do mutirão é bastante significativa, com marretadas e barulhos metálicos se harmonizando até compor a trilha sonora da cena), atitude que ilustra bem o cinema de Kitano, voltado para a complexa melodia da vida de quem está sempre no limite – o que não impede a recorrência daqueles teclados sentimentais, timbre musical mor de sua obra.

(Por Luiz Carlos de Oliveira Jr. em FONTE)


KILL BILL 2

Título Original: Kill Bill: Vol. 2/Gênero: Ação/Duração: 134 minutos/Ano (EUA): 2004/Direção: Quentin Tarantino/Roteiro: Quentin Tarantino, baseado em personagem criado por Quentin Tarantino e Uma Thurman/Produção: Lawrence Bender e Quentin Tarantino/Música: RZA e Robert Rodriguez/Fotografia: Robert Richardson/Direção de Arte: Daniel Bradford/Figurino: Kumiko Ogawa e Catherine Marie Thomas/Edição: Sally Menke/Efeitos Especiais: K.N.B. EFX Effects Inc.


Mariane Cordeiro - Trilha Sonora
Colocado por cinetvpr

A trilha sonora de Kill Bill vol.2 é tudo! Ela casa com o clima e o trabalho de edição ganha mais vida com a impecável trilha. Nessa cena ocorrem dois tempos de música, e ele é quebrado com uma audácia perfeita. Quebra mas não te tira do filme.

AUTOR: Mariane Cordeiro


BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇA

Título Original: Eternal Sunshine of the Spotless Mind/ Gênero: Comédia Romântica/ Duração: 108 minutos/ Ano (EUA): 2004/ Direção: Michel Gondry/ Roteiro: Charlie Kaufman, baseado em estória de Charlie Kaufman, Michel Gondry e Pierre Bismuth/ Produção: Anthony Bregman e Steve Golin/ Música: Jon Brion/ Fotografia: Ellen Kuras/ Figurino: Melissa Toth/ Edição: Valdís Óskarsdóttir.

Harebell Suzuki - Trilha Sonora
Colocado por cinetvpr

Brilho eterno de uma mente sem lembrança traz um insólito enredo cujo centro gira em torno da possibilidade de apagarmos de nossa memória as lembranças que nos são dolorosas. Parece fácil, não? O filme, porém, mostra o lado das conseqüências que são ofuscadas pela aparente solução simplista. Porém, Brilho eterno... não consegue mostrar isso apenas por meio de seu roteiro. Vários fatores, como é mister acontecer na boa cinematografia, contribuem para acentuar o drama e a angústia dessa invasão mais extrema de privacidade: aquela que entra em nossa mente e vasculha os segredos mais escondidos. A trilha sonora, por exemplo, é um primor na execução dessa tarefa de intensificar os conflitos. Conforme diz Bernardo Krivochein:
“Brilho eterno... é um triunfo de direção e de estilo. Vai da direção de arte, passa pela fotografia (que estiliza um refletor acoplado a câmera!), pela trilha sonora (a cover de "Everybody's gotta learn sometimes", do Corgis, cantada pelo Beck, é uma facada no coração), um amálgama de escolhas ousadas, porém conscientes. Com o maior respeito ao que está querendo ser transmitido. A sensação passada por Brilho eterno... é a de alguém que, para consolá-lo, simplesmente colocou a cabeça sobre seu ombro, sem ter que dizer nada. Não é aquele filme que te faz se acabar de chorar dentro do cinema; ele te acompanha até em casa, dorme contigo e ainda te leva café na cama a semana inteira. Um filme tanto para se admirar quanto se apaixonar. Assista ou sua vida terá sido uma experiência incompleta.”

( Por Bernardo Krivochein, em FONTE)

Para aqueles que acham que a tecnologia carrega só as maravilhas e os potenciais criativos positivos do homem, Brilho eterno... pode ser um bom começo para rever o assunto. Afinal, mexer na consciência humana é mexer no que há de mais misterioso e... obviamente... humano. O título da canção já nos alerta: “Everybody’s gotta learn sometimes”...

VELUDO AZUL

Título Original: Blue Velvet/Gênero: Suspense/Duração: 115 minutos/Ano (EUA): 1986/Direção: David Lynch/Roteiro: David Lynch/Produção: Fred C. Caruso/Música: Angelo Badalamenti/Direção de Fotografia: Frederick Elmes/Figurino: Gloria Laughride/Edição: Duwayne Dunham


ERA UMA VEZ NO OESTE

Título Original: C'era una Volta il West/Gênero: Faroeste/Duração: 166 minutos/Ano (Itália / EUA): 1969/Direção: Sergio Leone/Roteiro: Sergio Donati e Sergio Leone, baseado em estória de Dario Argento, Sergio Leone e Bernardo Bertolucci/Produção: Fulvio Morsella/Música: Ennio Morricone/Fotografia: Tonino Delli Colli/Figurino: Carlo Simi/Edição: Nino Baragli


Flavio Stankoski - Trilha Sonora
Colocado por cinetvpr


As músicas exercem uma função inexplicável nesse filme, que se tornam parte do enredo. Os quatro personagens além de suas características pessoais, cada um é marcado por uma música. Por exemplo, a música tocada nas cenas em que Frank aparece, a música é preenchida com o som de guitarra com trompete, ou seja, liderança, rispidez, um personagem temido, o som da guitarra é pesado e forte como ele, e há quem diz ser o trompete um instrumento ‘líder’, ele é responsável por puxar a música onde está presente. No caso do Gaita, é o som da própria gaita mesmo, um som misterioso, melódico e melancólico, astuto e ágil, esse som da gaita é fantástico. E em algumas vezes se assemelha ao choro (ou até representa ele), principalmente na cena em que Frank coloca-a na boca do Gaita ainda criança, e o menino cai chorando, o som da gaita está presente nessa cena simbolizando o pranto doloroso do garoto. Com a personagem Jill o som é de uma cantora de ópera cantando à capela, e por incrível que pareça, o som se assemelha muito, lembra as mulheres da vida, os bordéis e cabarés já vistos em outras obras (pelo menos eu tive essa sensação). Quanto ao Cheyenne, a música é de uma graça profunda, meio lenta meio rápida, com um toque de humor (parece música de desenho infantil), completamente ligada ao personagem.

( Por Lilian Biork em FONTE )

A IDENTIDADE BOURNE

Título Original: The Bourne Identity/Gênero: Ação/Duração: 118 minutos/Ano (EUA): 2002/Direção: Doug Liman/Roteiro: Tony Gilroy e W. Blake Herron, baseado em livro de Robert Ludlum/Produção: Patrick Crowley, Richard N. Gladstein e Doug Liman/Música: John Powell/Fotografia: Oliver Wood/Direção de Arte: Laurent Piron e Bettina von den Steinen/Figurino: Pierre-Yves Gayraud/Edição: Saar Klein



Um homem encontrado boiando no mar Mediterrâneo carrega em seu corpo duas balas e o número de uma conta na Suíça. São as únicas pistas que ele tem sobre sua identidade. Jason Bourne, como é revelado (a ele e aos espectadores, mais tarde), começa então uma busca frenética para reconstruir sua vida. A Identidade Bourne, filme de espionagem baseado na obra do escritor Robert Ludlum, poderia ser mais um filme de intrigas+pancadaria. Mas não é. Matt Damon encarna com a competência e o charme de sempre o papel do homem que, sem saber quem é, não tem escrúpulos, freios e só é guiado por uma diretriz: descobrir seu passado, nem que para isso tenha que passar por cima até mesmo de quem era antes seu aliado.
A trilha sonora mistura elementos da música eletrônica com pop, para combinar com o cenário europeu que, de Paris a Zurique, traça um perfil da infiltração norte-americana pelo mundo. Há, em todo o filme, apenas uma cena que mostra uma paisagem americana. Justamente, a do Quartel-General da CIA. Tanto melhor. Até porque espanta a obviedade dos filmes de espionagem norte-americanos.


FONTE

MARRY POPPINS

Título Original: Mary Poppins/ Gênero: Musical/ Duração: 139 minutos/ Ano (EUA): 1964/ Direção: Robert Stevenson/ Roteiro: Bill Wash e Don DaGradi, baseado em livro de P.L. Travers/ Produção: Walt Disney/ Música: Richard M. Sherman e Robert B. Sherman/ Fotografia: Edward Colman/ Figurino: Tony Walton/ Edição: Cotton Warburton.


"Mary Poppins" é um musical no melhor estilo Disney. Canções alegres, personagens cativantes, lições sobre o amor e a amizade. Tudo isso com o talento de Julie Andrews e Dick Van Dyke. Um grande filme que marcou gerações e ainda permanece vivo na memória dos fãs.(...) (...)Bem clássico, pouco inovador na linguagem, mas cheio de efeitos fantásticos, é filme para a família, sem o menor risco.(...) As canções do filme são, na verdade, nada mais que lições de vida e moral para os pequenos. Assim como “just a spoon full of sugar helps the medicine goes down”, é mais fácil aprender com música. Afinal, quem não se lembra de “feed the birds, two pences a bag” ou “supercalifragilisticoespealidous” e mesmo “Chim Chim Chirree”. Ora “Mary Poppins” nos ensina a ser solidários com os mais pobres, cantando sobre a senhora que ajuda os pássaros, ora como a responsabilidade pode ser cumprida com prazer e não como um fardo e etc.(...) Clássicas, com sonoridade limpa e harmônica, condizente ao restante do filme, as canções são todas orquestradas, conferindo a grandiosidade dos musicais dessa época. O coro cantando o refrão de “Lets Go Fly a Kite” dá um final apoteótico ao filme.(...) Outros recursos muito utilizados nas canções é a citação. As músicas do Sr. Banks são mais citadas que cantadas, dando aquela cara de severidade (afinal não fica bem para um pai de família sair cantarolando por aí) assim como a contraposição de um personagem que tenta falar ao outro enquanto o ouvinte está imerso na canção e não ouve o que o primeiro tenta lhe explicar, como uma certa noção de que aquilo é falso e irreal. Não deixa de ser uma suspensão explicitada da história para que aconteça o número musical.(...) "The Perfect Nanny", cantada pelas crianças Jane e Michael não teria com ser mais graciosa, com a melodia em volume mais baixo para valorizar as vozes dos pequenos Banks embaladas docemente.Contrasta com os tambores, caixas e notas secas que dá a sensação de disciplina na canção sobre esse tema que “dita” o pai. O coral em “ooo” dá enorme dramaticidade à imagem da pobre mulher vendendo alpiste nas escadas da catedral e a harmonia repetitiva e sem graça dos diretores do banco colabora para não simpatizarmos com os mesmos.

FONTE
e também FONTE1

MAGNÓLIA

Título Original: Magnolia /Gênero: Drama/Duração: 180 minutos/Ano (E.U.A.): 1999/Direção: Paul Thomas Anderson /Roteiro: Paul Thomas Anderson /Produção: Paul Thomas Anderson e Joanne Sellar /Música: Jon Brion, Fiona Apple e Aimee Mann /Fotografia: Robert Elswit /Departamento de Arte: Shepherd Frankel e David Nakabayashi /Edição: Dylan Tichenor



Em San Fernando Valley, Califórnia, nove pessoas terão suas vidas interligadas através de "O Que as Crianças Sabem", um programa de televisão ao vivo que existe há vários anos, onde um grupo de três crianças desafia três adultos. O atual grupo de crianças está indo para a oitava semana e, com isso, faltarão apenas mais duas para elas quebrarem o recorde do programa. Se conseguirem o feito ganharão uma alta soma, mas neste time vencedor está Stanley Spector (Jeremy Blackman), um garoto prodígio que é quem realmente faz a diferença, mas ele está começando a ficar cansado disto, pois entre outras coisas está sendo usado pelo pai (Michael Bowen) para ganhar dinheiro. O programa é comandado por Jimmy Gator (Philip Baker Hall), um veterano da televisão que vai morrer de câncer mas não está em estado terminal. Por coincidência Earl Partridge (Jason Robards), o produtor do programa, também está morrendo de câncer no cérebro e pulmão, mas este tem os dias contados. Earl é marido de Linda Partridge (Julianne Moore), que se casou com ele pelo seu dinheiro mas agora está desesperada, pois descobriu que ama o marido. Earl tem um enfermeiro particular, Phil Parma (Philip Seymour Hoffman), que lhe dá toda a atenção como profissional e como amigo. Earl pede a Phil que entre em contato com Frank T.J. Mackey (Tom Cruise), que cresceu odiando Earl e agora dá um seminário para solteiros, onde ensina técnicas para seduzir uma mulher. O motivo da raiva de Frank é que Earl abandonou sua primeira esposa, e mãe de Frank, após vinte e três anos de casados, quando esta estava com câncer, e deixou Frank com apenas quatorze anos para cuidar da mãe até a morte dela. Desta época em diante os dois nunca mais se falaram, mas Phil tenta localizar Frank de qualquer jeito para avisar que seu pai está morrendo. Coincidentemente Jimmy Gator tem uma filha, Claudia Wilson Gator (Melora Waters), que também não fala com o pai, pois o acusa de tê-la molestado sexualmente. Claudia é viciada em crack e Jim Kurring (John C. Reilly), um policial, vai à casa de Claudia após sido recebido uma queixa de som muito alto no apartamento dela. Jim se apaixona imediatamente por ela, que sente-se atraída e ao mesmo tempo insegura de manter esta relação. Há ainda Donnie Smith (William H. Macy), que em 1968 estabeleceu o recorde de "O Que as Crianças Sabem" mas quando ficou adulto se tornou um patético fracassado, que recentemente foi despedido e busca desesperadamente a felicidade. Todas as personagens passam por um crescendo de sofrimento e tensão quando, de repente, começam a cantar "Wise Up" de Aimee Mann, que fala de nossos arrependimentos necessariamente tardios, fala de nossos desejos de outrora que agora não conseguimos mais suportar. Conclui: nada disso irá parar até que tenhamos os olhos abertos.

FONTE

CÃES DE ALUGUEL

Título Original: Reservoir Dogs/Gênero: Policial/Duração: 99 minutos/Ano (EUA): 1992/Direção: Quentin Tarantino/Roteiro: Quentin Tarantino/Produção: Lawrence Bender/Direção de Fotografia: Andrzej Sekula/Figurino: Betsy Heimann/Edição: Sally Menke


“Acerca da infame seqüência de tortura – em que Mr. Blonde corta à navalha a
orelha de um policial – que Tarantino filmou para Cães de Aluguel , o próprio realizador revelou que , se for certeira a aplicação da música ao momento exato, as imagens e o som, tal como o impacto que essa combinação provoca, permanecerão para sempre indissociáveis.E de fato ninguém consegue evitar a conotação violenta que obtém “Stuck in the Middle with you” em reação química com a mais atroz projeção mental individual de um momento sangrento – o da orelha decepada – ocultado por um brilhante mise-en-scéne”

55:33/ 57:26

FONTE

NOSSA MÚSICA

Título Original: Notre Musique/Gênero: Drama/Duração: 80 minutos/Ano (França): 2004/Direção: Jean Luc Godard/Roteiro: Jean Luc Godard /Produção: Alain Sarde e Ruth Waldburger /Música: Hans Otte/Fotografia: Julien Hirsch / Direção de Arte: Anne Marie Miéville /Edição: Jean Luc Godard


Se fosse música, seria um réquiem. Mas “Nossa Música” é cinema e, além, é Godard. Esse “filme-réquiem” se divide em três partes (movimentos). A primeira, “Inferno”, apresenta os temas tratados: as guerras, pegadas sangrentas da humanidade numa estrada chamada (talvez ironicamente) “civilização”. A montagem e a voz off desse primeiro segmento lembram as “Histoire(s) du Cinéma”, revisão crítica de Godard sobre a cinematografia mundial, especialmente a norte-americana. Nas “Histoires”, cinema e política se misturam de forma não pouco lasciva e imoral, como se fossem amantes culpados. Já em “Nossa Música”, o embate é com os fatos históricos recentes, especialmente com duas características aparentemente contraditórias: uma maior “unanimidade” no discurso das nações mundiais e um acirramento dos conflitos internacionais. Godard dinamita ambas. Contra a “unanimidade” (um discurso único, pacifista e politicamente correto), Godard opõe a confusão, a dúvida, a incerteza. O fascismo é límpido e correto, a liberdade é anárquica e confusa (e quem melhor filmou isso foi Eisenstein na antológica seqüência da escadaria de Odessa). “Nossa Música” não é um filme dramático, em que os conflitos caminham logicamente para uma conclusão, após o devido clímax. É um filme-ensaio. Não é ópera, é música de câmara — com o pendor modernista de um Arnold Schönberg. Ao tratar do acirramento dos conflitos internacionais — hoje reforçada pelo painel político das nações mais poderosas do globo —, “Nossa Música” escapa do fatalismo e do jogo melodramático, que simplesmente transforma uns em mártires e outros em demônios. Contra isso, Godard consegue reencontrar uma utopia, a do perdão e da aceitação do outro. É a busca dessa utopia que marca o segundo segmento do filme, “Purgatório”, gravado em Sarajevo. Sarajevo é a cidade-síntese da tensão entre uma Europa “civilizada” e uma outra Europa em guerra. Lá estourou o estopim da Segunda Guerra Mundial, maior genocídio da história contemporânea; lá teve lugar o último grande conflito europeu do século XX, a Guerra da Bósnia. “Nossa Música” encena um congresso de escritores (do qual faz parte o próprio Godard) em que uma jornalista procura descobrir essa nova e misteriosa utopia do século XXI. Aqui se instauram todas as dúvidas e incertezas desse projeto. Aqui a História parece encontrar um beco sem saída. Porém, na última parte, “Paraíso”, Godard aponta para a possível realização dessa utopia, sem excluir suas ironias, seus descaminhos. Outro gênio do cinema, Stanley Kubrick, parecia reafirmar em suas obras que a dita “civilização” precisa da violência para seguir em frente. Não é uma escolha entre “paz” ou “guerra”, mas algo inerente ao processo civilizatório. A escolha mais correta poderia ser “estagnar” ou “evoluir”, sendo que a última opção sempre implicará em algum derramamento de sangue. Quanto mais civilizados, mais violentos, mais agressivos — e não o contrário, como se imagina. Godard não endossa a idéia de Kubrick, mas o “paraíso” de “Nossa Música” não é totalmente destituído de ironia, o que salva “Nossa Música” de ter a sisudez de algumas obras mais ressentidas e amargas do diretor, como “Detetive” e “Nouvelle Vague”. Como um bom réquiem, “Nossa Música” precisa se equilibrar entre a beleza e o respeito ao luto. Precisa proporcionar conforto e manter a lembrança do que já se tornou passado. É falar abertamente sobre o mais universal dos temas: a morte. Aquele cinema feito para os adolescentes norte-americanos (em outras palavras, a avassaladora maioria da produção mundial) parece sempre escapar desses temas tão importantes: morte e renascimento. Aquilo que termina e aquilo que permanece. Não se trata aqui da morte de um indivíduo, mas de toda uma época. “Nossa Música” é ao mesmo tempo o último filme de Godard do século XX e o primeiro filme de Godard do século XXI.

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A FRATERNIDADE É VERMELHA

Título Original: Trois Couleurs: Rouge/ Gênero: Drama/ Duração: 99 minutos/ Ano (França): 1994/ Direção:Krzysztof Kieslowski/ Roteiro: Krzysztof Kieslowski e Krzysztof Piesiewicz/ Produção: Marin Karmitz/ Música: Bertrand Lenclos/ Fotografia: Piotr Sobocinski/ Figurino: Corinne Jorry/ Edição: Jacques Witta.



Kieslowski fez ao total 23 filmes, dentre os quais se destacam Amator (1979) - que conta a história de um cineasta abandonado pela mulher - e o Decálogo (1988 - feito para tv), dividido em dez partes contando cada uma, um mandamento bíblico. O destaque é o sexto mandamento, Não Amarás, que conta a história de um jovem ("Entre o amor platônico e a violência do desejo", conforme anuncia o cartaz...) que corta os pulsos ao ser rejeitado por uma mulher mais velha.(...)

Rouge, A Fraternidade é Vermelha, (1994) é o terceiro e último e é simplesmente sublime. Parece mais uma poesia sem palavras amparada em uma fotografia magistral e no rosto de Irene Jacob (musa de Kieslowski que havia feito com ele, dois anos antes, o misterioso A Dupla Vida de Verónique) flutuando em tons vermelhos de carros, sinais fechados, bolas de boliche, outdoors, cerejas e sangue.(...)
Rouge é arrepiante e sua cena final, uma pequena surpresa, mas só para quem assistiu aos outros dois. Ravel passeia com seu Bolero em várias cenas e é a base da excelente trilha sonora de Preisner. Rouge transborda poesia e possibilidades, em silêncios comoventes, mesmo quando caí um cinzeiro, mesmo quando vidraças se quebram, mesmo quando um alarme de carro dispara. É tudo como se incendiássemos gelo. Água que escorre entre os dedos e deixa, por fim, as mãos molhadas...

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COLATERAL

Título Original: Collateral /Gênero: Drama/Duração: 120 minutos/Ano (E.U.A.): 2004/Direção: Michael Mann /Roteiro: Stuart Beattie /Produção: Julie Richardson /Música: James Newton Howard /Fotografia: Dion Beebe e Paul Cameron /Departamento de Arte: Daniel T. Dorrance /Edição: Jim Miller e Paul Rubell


Um filme policial charmoso, de bela fotografia e muito bem interpretado por sua dupla de protagonistas.

Particularmente falando, adoro quando um filme como Colateral estréia, chega sem fazer muito barulho, com baixa exposição, mas com aquele ar de que promete muito. Assim foi com Magnólia, um sucesso de crítica estrondoso e um dos melhores filmes, hoje considerado cult, dos anos 90. E Colateral parecia seguir essa mesma linha. Infelizmente, o filme não tem arrebatado a crítica da forma como era esperado, mas, apesar de seus defeitos, consegue ser um filme muito bonito com algumas boas revelações.
Sem estender demais essa pequena introdução, vamos falar diretamente e abertamente dos melhores e principais pontos do filme. E o primeiro desses pontos pode ser percebido, ou constatado, com meros 15 minutos de projeção... A fotografia é magistralmente bem conduzida, perfeita. As tomadas de Los Angeles são incríveis. Apesar do filme se passar totalmente em uma noite (a mote do filme é "It Started like any other night...") e possuir várias tomadas em pleno breu, quando lembro do filme me vem à cabeça as bem trabalhadas luzes da cidade de Los Angeles. Dion Beebe e Paul Cameron, responsáveis pela edição fotográfica, fizeram um trabalho competente e perfeito ao lado do diretor Michael Mann.
Outro ponto a ser tocado, tão magistral quanto a fotografia, vem a ser a direção de Colateral. A película é um filme coeso que tem todos seus quesitos técnicos minuciosamente interligados entre si, um aperfeiçoando cada vez mais o outro. Explico. Colateral tem um ritmo bem lento, apesar das cenas de ação em seu final sejam de prender a atenção do público. Mas esse ritmo lento é recompensado pelo brilhante trabalho de Stuart Beattie, que escreveu seqüências de diálogos incríveis. Poderia citar umas quatro ou cinco frases marcantes do filme...
Michael Mann, que já havia trabalhado em outro filme com ritmo lento e diálogos incríveis, um dos meus favoritos, devo dizer (O Informante, de 1999 com Russell Crowe e Al Paccino), parece ter aperfeiçoado ainda mais sua técnica. Uma pena que o diretor não publique obras como essas com maior freqüência. Mann consegue manter os atores em linha e conduzir as cenas de ação e tensão psicológica com perfeição ímpar.
No filme, Tom Cruise (de O Último Samurai) interpreta Vicent, um matador de aluguel de alta classe que é contratado para fazer alguns serviços durante uma única noite na cidade de Los Angeles. Seu envolvimento com o taxista Max (Jamie Foxx, que já havia trabalhado com o diretor em Ali) é iminente a partir do momento em que Vicent entra em seu táxi.
As atuações estão impecáveis. Cruise, com Colateral, confirma a ótima fase em que está. Se ainda estivesse casado com Nicole Kidman, poderia até dizer que seriam o casal mais produtivo da atualidade. Mas levando em consideração os filmes que ambos faziam enquanto ainda eram casados, foi melhor (para o cinema) que o destino os separassem mesmo. Na película de Mann, Cruise esbanja expressão corporal e, principalmente, sua inconfundível presença em cena, sempre marcante com raras exceções.
Mas a boa surpresa do filme vem por parte do coadjuvante Jamie Foxx, que fica quase tanto tempo em cena como o próprio Cruise. Apesar de Vincent ser o personagem que mais chama a atenção no filme, é em Max, o taxista, que ele é centrado. E o ator felizmente corresponde à todas as expectativas. Faz um trabalho sólido e coeso ao lado de Cruise, proporcionando momentos que até geram certos tipos de risos no público.
Outro grande ponto forte de Colateral vem a ser a trilha sonora, que ajuda a manter brilhantemente as tomadas editadas por Mann. E por falar em edição, apesar da película não possuir nada demais aqui, sem novidades, ela é extremamente bem conduzida e montada por Jim Miller e Paul Rubell, editores chefes da produção. E tudo isso somado à direção belíssima, às atuações sólidas, à fotografia perfeita, diálogos inteligentes e uma trilha sonora pra lá de adequada, dão ao filme um clima noir arrebatador que com certeza irá agradar aos amantes dos filmes do gênero.
Mas então Colateral é uma obra-prima? Não. Apesar de tudo, o filme possui algumas passagens em que podemos constatar uma queda de ritmo que chega a incomodar, principalmente ao público mais casual. O final, também, a partir da metade do filme para frente, começa a ficar bastante transparente, previsível e evidente, sem surpresas ou inovações nessa área. E é justamente por isso que o filme acaba por cair em alguns clichês menores, mas que não chegam a incomodar tanto assim.
Mas a dica está ai... Se você adora filmes como O Informante não perca a chance de ir correndo assistir Colateral, a segunda melhor obra do diretor Michael Mann.

ALUNO NÃO ESPECIFICOU FONTE.

sábado, 18 de agosto de 2007

ACCATTONE - DESAJUSTE SOCIAL

Título Original: Accattone/Gênero: Drama/Duração: 120 minutos/Ano (Itália): 1961/Direção: Pier Paolo Pasolini /Roteiro: Pier Paolo Pasolini /Produção: Alfredo Bini e Cino Del Duca /Música: Johann Sebastian Bach /Fotografia: Tonino Delli Colli /Edição: Nino Baragli


Do asceticismo de Accattone para a fisicidade esplendorosa e decadente de Saló, o cinema de Pasolini parece completar uma via inversa àquela que Vittore Branca particulariza em Decameron, onde, na distância que há entre as proezas libertinas de Ser Ciappelletto à trágica santidade de Griselda, o pesquisador reconhece, em contra-tendência com parte da crítica, uma visão do mundo e uma poética de Boccaccio ainda que aos poucos unidas ao asceticismo medieval.

A primeira fase do cinema pasoliniano (o ciclo nacional-popular) apresenta-se como um estudo à época dos humildes e emergentes, centralizando–se sobre uma representação dos bairros subproletariados que Pasolini - com espírito laico hagiográfico e gramsciano - tende a sacralizar, beneficiando-se ainda da contribuição musical excelsa de Johann Sebastian Bach. Este ciclo abre-se com a paixão de Accattone e se fecha com aquela do O Evangelho Segundo São Mateus. Muitos são os temas e os motivos que unem as duas obras e seus protagonistas: cada isomorfismo vem com efeito claríssimo da comum utilização de algumas bachianas, e particularíssimamente o Coro final da “Matthäus Passion”.

A opção de se servir de Johann S. Bach como pilar sonoro dos seus primeiros filmes responde a um preciso gosto estético do autor: Bach era o musicista predileto de Pier Paolo Pasolini - tomou conhecimento da obra bachiana pela amiga Pina Kalz, quando ela refugiava-se em Casarsa della Delizia, nos anos da Segunda Guerra Mundial. Nos seus encontros habituais com Pina, tinham como trilha sonora as Sonatas e Partitas para violino. Pasolini permanece resplandecente, e a essas bachianas dedica alguns artigos: passagens autobiográficas em forma de diário, passagens dos seus primeiros romances e um ensaio da juventude.

É a própria música que promove Accattone, pobre cristo, glutão bairrista, da pobreza na qual ele e o seu povo encontravam-se confinados; é a música que o mostra ao mundo, com sua coragem e a sua covardia, elevando-o aos céus com a morte, ao pó que sempre viveu. Os títulos principais – onde já encontramos o Coro final de “Matthäus Passion”, o próprio e verdadeiro leitmotiv do filme fecham-se com alguns hendecassílabos do Purgatório dantesco.

Accattone demonstra-nos um filme hagiográfico, sui generis, despido das simples retóricas e revestido pelo véu sublime da grande tradição musical. Uma símile contaminação não é, portanto, apenas uma escolha estética, nem tão pouco um hábito intelectualístico. É ainda uma ação moral e política, de resgate social e humano.

Tradicionalmente representante de uma classe culta burguesa, a música sacra de Bach aplicada ao mundo popular, cria um ponto de ruptura com o convencionalismo descritivo imperante no cinema, que prognosticava músicas populares para basear cenas de pessoas comuns: músicas sacras para cenas religiosas, etc.. Expediente subversivo o qual Paolo Pasolini crera ser um dos principiais artifícios lingüísticos e de destruição dos clichês que investe o cinema de autores nos anos sessenta.
Se a Paixão Segundo São Mateus constitui, sem dúvida, o elemento musical de maior interesse nos dois filmes, a presença de outros trechos bachianos oferece porém muitos instantes para estudos. Em Accattone os movimentos lentos dos dois primeiros Brandemburgueses contraponteiam a relação do protagonista com os personagens femininos do filme; os dois primeiros trechos comentam, de fato, todas as cenas na qual Accattone se encontra em companhia de Maddalena ou de Stella: a música, plácida mas de função pathos, dor e cor, com os instrumentos solistas (flauta, violino, oboé) que dialogam amavelmente, torna-se projeção sonora dos sentimentos dos protagonistas, sustentando à perfeição o ritmo das imagens. É exemplo, a seqüência do primeiro encontro com Stela, no espaço vazio das botelhas: o “andante” do “Segundo Brandemburguês” com o seu caráter triste e extremamente meditativo simboliza o amor de Accattone por Stella, contudo projeta ao mesmo tempo uma sombra trágica sobre esta relação.

No cinema pasoliniano, em alguns casos, a música (em particular a de Bach) é um dos traços para a singularização de um estilo transcendental, assim como teorizou Paul Schrader. Por tentar representar o Transcendental, e as suas manifestações, o cinema clássico (principalmente o holliwoodiano) sempre se serviu de estratégias imanentes, efeitos especiais e espetaculares. Autores como Yasajiro Ozu, Robert Bresson, Carl Dreyer puseram porém em ação uma de-espetaculosidade, persuasivos que o não- dizer, o não-mostrar são mais válidos. Para Pier Paolo Pasolini sempre em uma ótica de contaminação dos estilos, a vida cotidiana pobre e miserável é composta de pequenos acontecimentos ao modo sacro às suas formas sacras, de hierofanias. Eis que a “Matthaüs Passion” em Accattone assume ainda este significado: o sacro e sublime entrando em contato direto com o simples, o profano e o vulgar. O coro é observação de uma hierofania, uma manifestação do destino feral de Accattone, mas ainda, o prelúdio do seu resgate; e intervém para comentar seqüências que assumem então significado diverso - pretende-se numa ótica finalística. Portanto, a música antecipa isso que ainda não vem mostrado ou dito nas imagens.

"Esta música nos perdoa, nós pobres diabos, e promete-nos uma nova felicidade, chora para nós com toda a alma: Wir setzen uns mit Tränen nieder, com ela, por ela. Aquele que compreendeu beníssimo esse nexo, foi Pier Paolo Pasolini que em meados dos anos 60, no seu filme Accattone [o qual tratava da vida e do sofrimento do subproletariado romano, desocupados e criminosos] recorre à ajuda da música das Paixões bachianas. Movimentando do seu ponto estético e político, teve o propósito de promover mais uma vez a mensagem protocristão comunista do amor ao próximo e da solidariedade, de demonstrar quanto a música de Johann Sebastian Bach estava apta a levar a palavra em um contexto real de segregação, e quanto é irrelevante o perigo de equívocos sobre esta música ou do seu mau uso. Esta música está, como seu autor, da parte do povo, dos humildes e dos ofendidos, e ainda fala sua língua. Todos os mártires do mundo reconhecem-se e reencontram-se neste pedido de socorro e lamentações."

Hans Werner Henze

Pasolini concebeu o filme como um espetáculo multimídia completo, que representa a realidade através de uma síntese de meios e formas expressivas mutuadas das outras artes. Como está escrito, ele é “um homem de orquestra, um Rei Midas que dominava os materiais expressivos mais heterogêneos, transformando-os ao mínimo contato”.

O confronto com a mais alta tradição, a utilização da música de Bach neste caso, assume então um significado muito particular: entra de fato em jogo a questão do uso de materiais musicais preexistentes. O clássico e o inoxidável Bach entra em contato com o contemporâneo, em um mecanismo de permuta recíproca, de osmose. A sua música, por um lado, dá realce ao filme, torna-o seguramente mais interessante, rico de significado, mais maravilhoso. Por outro lado, adaptado a uma situação diversa dos contextos tradicionais, traz nova linfa vital, demonstrando perfeito ainda que em ambientes dificilmente imagináveis.

FONTE

2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO

Título Original: 2001: A Space Odissey/Gênero: Ficção Científica/Duração: 149 minutos/Ano(EUA): 1968/Direção: Stanley Kubrick/Roteiro: Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke/Produção: Stanley Kubrick/Direção de Fotografia: Geoffrey Unsworth e John Alcott/Direção de Arte: John Hoesli/Figurino: Hardy Amies/Edição: Ray Lovejoy/Efeitos Especiais: MGM



2001: Uma Odisséia no Espaço, filme de Stanley Kubrick de 1968, é o que ossivelmente, Umberto Eco chamaria de "obra aberta": há sempre espaço para mais uma análise. Assim, são muitas as possibilidades de abordar o filme.
Este enfoque recai sobre a trilha sonora. No primeiro momento, surge a tela preta, simultaneamente com a música de Ligeti. A tela, quase nada diz ao espectador. Ele deixa de ver, para ouvir. O que o atrai, é essa música sem ritmo, sem melodia, estranha, infinita, indefinida, que começa quase em surdina e vai crescendo em dinâmica, para estacionar, numa certa altura, e decrescer. Num segundo momento, a música volta persistente, porém com alguns novos sons. Cresce. Os sons flutuam. Somem. No terceiro momento, ainda com outros sons, a música percorre o mesmo caminho.
Desaparece.
Por que a música aparece três vezes? Possivelmente, a intenção de Kubrick era antecipar o aparecimento do monólito. A música também antecipa o mergulho que a câmera dará em direção ao infinito. Silêncio. Na tela, o símbolo estilizado da MGM. Agora, a tela sem som e sem imagem, prende a atenção do espectador. Soam os primeiros acordes de Assim falou Zarathustra de Richard Strauss. Em seguida, aparecem às primeiras imagens: uma parte da curvatura, que presume-se seja a da Terra e, no alto um astro luminoso, despontando. Os tímpanos anunciam, provavelmente, o nascimento de um novo astro (ou uma nova era?).
Acordes finais coroam o nome do produtor: Stanley Kubrick. O ponto culminante da obra de Strauss acompanha o nascimento gradual deste novo astro que se desprende, luminoso, numa visão total, com a música chegando ao repouso.

FONTE

007: CASSINO ROYALE

Título Original: Casino Royale/Gênero: Aventura/Duração: 144 minutos/Ano (EUA / Inglaterra / República Tcheca): 2006/Direção: Martin Campbell/Roteiro: Neal Purvis e Robert Wade, baseado em livro de Ian Fleming/Produção: Barbara Broccoli e Michael G. Wilson/Música: David Arnold/Fotografia: Phil Meheux/Direção de Arte: Peter Francis, James Hambidge, Steven Lawrence e Dominic Masters/Figurino: Lindy Hemming /Edição: Stuart Baird/Efeitos Especiais: The Moving Picture Company


‘’Pela primeira vez desde a era de Sean Connery como o famoso James Bond, a franquia invocou as raízes do personagem e seguiu de perto um dos livros do criador, Ian Flemming.
Arnold consegue reter a fórmula geral da franquia (com a música de abertura e temas e estilos interpolados) enquanto oferece uma música que reflete as muito mais dramáticas e sérias necessidades do filme. A parte principal dessa formula, que os fãs vão reconhecer, é a música de abertura. O compositor estava diretamente envolvido com a criação e a execução de ‘’You Know My Name’’
Será interessante ver como Arnold irá lidar com o retorno do filme para um estilo mais convencional de Bond que caracterizará a era Daniel Craig que está por vir.

(FONTE traduzido por CÁSSIA MUGINOSKI)

LISBELA E O PRISIONEIRO

Título Original: Lisbela e o Prisioneiro/Gênero: Comédia/Ano (Brasil): 2003/Direção: Guel Arraes/Roteiro: Guel Arraes, Jorge Furtado e Pedro Cardoso/Produção: Paula Lavigne, Natasha Filmes, Fox Film do Brasil, Globo Filmes e Estúdios Mega/Música: João Falcão e André Moraes/Fotografia: Uli Burtin/Direção de Arte: Cláudio Amaral Peixoto/Figurino: Emília Duncan


BREGA CHIQUE, SOFISTICADO E PESADO

A bela regravação de Caetano Veloso para Você Não Me Ensinou A Te Esquecer, que transformou a música “brega” de Fernando Mendes num hit instantâneo, poderia dar a entender que o restante da trilha sonora de Lisbela e o Prisioneiro também seria, como o filme, um produto deliberadamente calculado para o êxito comercial.
Ledo engano. A balada dor-de-cotovelo cantada por Caetano é só isca para uma trilha eclética mas coerente, de alto nível artístico e conceitual, que faz pouquíssimas concessões comerciais. O trabalho de produção e arranjos de João Falcão (mais conhecido como encenador teatral) e André Moraes consegue a proeza de conferir unidade a um disco que reúne artistas de estilos tão variados quanto Sepultura, Elza Soares, Los Hermanos e Yamandu Costa.
Boa parte das canções segue o mesmo conceito de Você Não Me Ensinou A Te Esquecer: dar novos e sofisticados arranjos a pérolas do cancioneiro popular das décadas de 60 e 70. Nem todas funcionam, como Para o Diabo os Conselhos de Vocês (Carlos Imperial/Nenéo), que virou um rockinho convencional pelo grupo Os Condenados. Por outro lado, Elza Soares dá uma interpretação comovente a Espumas Ao Vento. E Caetano e Jorge Mautner parecem se divertir relendo, em clima de Jovem Guarda, Oh Carol, de Neil Sedaka.
A presença do Sepultura em duas faixas (uma delas com Zé Ramalho) repete a parceria do grupo com o produtor/músico/compositor André Moraes, com quem tinham trabalhado na ótima trilha de No Coração dos Deuses, filme dirigido pelo pai de André, o cineasta Geraldo Moraes. A forma como André adiciona elementos sinfônicos ao peso do som do Sepultura dá contornos épicos às músicas, que no filme encaixam bem nas cenas envolvendo o matador vivido por Marco Nanini. Aliás, a delicadeza das únicas duas (e pequenas) faixas instrumentais deixam a sensação de que o filme merecia um disco só com os scores da dupla.
Outra bola dentro de André Moraes e João Falcão como compositores é a canção O Amor é Filme, que encerra o filme. Ela parece ter sido escrita sob medida para a interpretação catártica de Lirinha, cantor do grupo Cordel do Fogo Encantado. Já a canção-tema Lisbela, composta por Caetano Veloso para a peça, aparece rapidinho no filme, na versão do Los Hermanos, mas ficou melhor gravada pelo Trio Forrozão, que entrou apenas como bonus-track do CD com a trilha. Um ótimo CD, muito menos pop que o filme, mas que graças ao toque de midas de Caetano certamente irá vender como água.

AUTOR:MARCELO JANOT
FONTE:http://www.criticos.com.br/new/artigos/critica_interna.asp?artigo=411


Tempo/Cena

02 - 24:07-26:26

Outras Sugestões

12 - 03:06-04:04
10 - 17:40-19:22
05 - 21:50-22:12
01 - 49:42-50:08
10 - 01:07:00-01:07:49
02 - 01:14:14-01:15:06
05 - 01:25:26-01:25:55

TODOS DIZEM EU TE AMO


Título Original: Everyone Says I Love You/Gênero: Musical/Duração: 101 minutos/Ano (EUA): 1996/Direção: Woody Allen/Roteiro: Woody Allen/Produção: Robert Greenhut/Música: Dick Hyman/Direção de Fotografia: Carlo Di Palma/Direção de Arte: Tom Warren/Figurino: Jeffrey Kurland/Edição: Susan E. Morse


Thaisa Pinheiro - Trilha Sonora
Colocado por cinetvpr

Em Todos Dizem Eu Te Amo, Allen faz uma bela e divertida homenagem aos musicais. Seus personagens são pessoas comuns que têm a estranha mania de cantar nas horas mais impróprias (exatamente como nos musicais tradicionais). A diferença, aqui, é que muitos deles não sabem cantar.
Bob (Alda) é o chefe de uma família da classe alta de Nova York. Sua esposa, Steffi (Hawn), sente culpa por ter tanto dinheiro e passa a vida inventando novos meios de fazer caridade, como, por exemplo, conseguir a liberdade condicional de um perigoso bandido (Roth). Bob é um sujeito liberal, simpático e, assim sendo, tem grande amizade pelo ex-marido de sua esposa, o complicado Joe (Allen), um homem que é sistematicamente abandonado por todas as suas namoradas.
As cenas musicais são o ponto alto do filme, como não poderiam deixar de ser. É extremamente divertido ver atores que, sem nenhum talento musical, se põem a cantar como se fossem Gene Kelly ou Barbra Streisand. É como na vida real: os personagens não conseguem conter suas emoções e as traduzem em forma de música. As coreografias também são hilárias: os atores, atrapalhados, tentam seguir os passos de dançarinos profissionais que compõem as cenas.
Duas cenas em particular me impressionaram: a seqüência em que vários fantasmas dançam, enquanto cantam as virtudes em aproveitarmos a vida enquanto podemos; e a dança de Woody Allen e Goldie Hawn em Paris.

(FONTE acessado em 29/06/07)