Mostrando postagens com marcador 03. Matheus Marco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 03. Matheus Marco. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de agosto de 2007

RASHMON

Título Original: Rashômon/Gênero: Drama/Duração: 88 minutos/Ano (Japão): 1950/Direção: Akira Kurosawa/Roteiro: Akira Kurosawa e Shinobu Hashimoto, baseado em estórias de Ryunosuke Akutagawa /Produção: Minoru Jingo /Música: Fumio Hayasaka /Fotografia: Kazuo Miyagawa /Edição: Akira Kurosawa



Pegue meu eu, subtraia dele filmes e o resultado será zero.” Assim Akira Kurosawa se definia, demonstrando a importância que o cinema adquiriu em sua vida. A frase, no entanto, poderia também estar invertida: pegue os filmes do cineasta, subtraia o autor Kurosawa deles e o resultado também será nulo. Se sua vida podia ser contada através de sua obra, esta tão pouco existiria dissociada da formação político-cultural do homem e do caráter humanista do artista. Junto com Kenji Mizoguchi e Yasujiro Ozu, formou o trio de cineastas mais importante do cinema japonês. Akira Kurosawa nasceu em 1910, em Tóquio. Era o filho caçula de Isamu e Shima. Tinha oito irmãos e irmãs, entre os quais Heigo, quatro anos mais velho e que teria grande influência na vida do futuro cineasta. Desde criança, Kurosawa dedicou-se à pintura. Em 1928, com 18 anos, após formar-se no Ginásio Keika, começou a freqüentar o Centro de Pesquisa de Arte Proletária. Nessa época, o Japão passava por uma grande transformação social, com a prisão de membros do Partido Comunista e o assassinato de líderes militares. Além disso, o país sofria também, como o resto do mundo, com o pânico econômico gerado pela Grande Depressão. O inquieto Kurosawa já não conseguia mais se dedicar apenas à pintura. Começou, então, a explorar os férteis domínios da literatura, do teatro, da música e do cinema. Com “Rashomon”, Kurosawa retoma o principal tema de Pirandello, dramaturgo e escritor italiano: a pluralidade do ser humano e sua inútil tentativa de buscar a verdade, sempre fragmentada e relativa. A estrutura em flashbacks era a forma ideal de construção dos vários pontos de vista da narrativa. Dificilmente o flashback aparecia no cinema japonês, pois, geralmente, era considerado desnecessário. Aqui, no entanto, tal dispositivo estrutural foi fundamental para que Kurosawa atingisse seus objetivos. Francisco Luiz de Almeida Salles considerava “Rashomon” “uma obra de grande beleza, de superior força expressiva e de sentido temático.” O filme abriu as portas para o cinema japonês no Ocidente ao ganhar o Leão de Ouro no Festival de Veneza, em 1951. Posteriormente, foi premiado também com o Oscar de melhor filme estrangeiro. “Rashomon” foi também adaptado pelo cinema americano. Sua história serviu de base para o filme “Quatro Confissões”, de Martin Ritt, realizado em 1964, além de ecoar, até hoje, em produções distintas. Após o sucesso de “Rashomon”, Kurosawa continuou realizando obras-primas, como “Hakuchi, o Idiota”, de 1951, baseado no livro de Dostoievski, e “Viver”, de 1952, premiado no Festival de Berlim. Mas foi com “Os Sete Samurais” que novamente teve grande repercussão mundial.

FONTE



NOSSA MÚSICA

Título Original: Notre Musique/Gênero: Drama/Duração: 80 minutos/Ano (França): 2004/Direção: Jean Luc Godard/Roteiro: Jean Luc Godard /Produção: Alain Sarde e Ruth Waldburger /Música: Hans Otte/Fotografia: Julien Hirsch / Direção de Arte: Anne Marie Miéville /Edição: Jean Luc Godard


Se fosse música, seria um réquiem. Mas “Nossa Música” é cinema e, além, é Godard. Esse “filme-réquiem” se divide em três partes (movimentos). A primeira, “Inferno”, apresenta os temas tratados: as guerras, pegadas sangrentas da humanidade numa estrada chamada (talvez ironicamente) “civilização”. A montagem e a voz off desse primeiro segmento lembram as “Histoire(s) du Cinéma”, revisão crítica de Godard sobre a cinematografia mundial, especialmente a norte-americana. Nas “Histoires”, cinema e política se misturam de forma não pouco lasciva e imoral, como se fossem amantes culpados. Já em “Nossa Música”, o embate é com os fatos históricos recentes, especialmente com duas características aparentemente contraditórias: uma maior “unanimidade” no discurso das nações mundiais e um acirramento dos conflitos internacionais. Godard dinamita ambas. Contra a “unanimidade” (um discurso único, pacifista e politicamente correto), Godard opõe a confusão, a dúvida, a incerteza. O fascismo é límpido e correto, a liberdade é anárquica e confusa (e quem melhor filmou isso foi Eisenstein na antológica seqüência da escadaria de Odessa). “Nossa Música” não é um filme dramático, em que os conflitos caminham logicamente para uma conclusão, após o devido clímax. É um filme-ensaio. Não é ópera, é música de câmara — com o pendor modernista de um Arnold Schönberg. Ao tratar do acirramento dos conflitos internacionais — hoje reforçada pelo painel político das nações mais poderosas do globo —, “Nossa Música” escapa do fatalismo e do jogo melodramático, que simplesmente transforma uns em mártires e outros em demônios. Contra isso, Godard consegue reencontrar uma utopia, a do perdão e da aceitação do outro. É a busca dessa utopia que marca o segundo segmento do filme, “Purgatório”, gravado em Sarajevo. Sarajevo é a cidade-síntese da tensão entre uma Europa “civilizada” e uma outra Europa em guerra. Lá estourou o estopim da Segunda Guerra Mundial, maior genocídio da história contemporânea; lá teve lugar o último grande conflito europeu do século XX, a Guerra da Bósnia. “Nossa Música” encena um congresso de escritores (do qual faz parte o próprio Godard) em que uma jornalista procura descobrir essa nova e misteriosa utopia do século XXI. Aqui se instauram todas as dúvidas e incertezas desse projeto. Aqui a História parece encontrar um beco sem saída. Porém, na última parte, “Paraíso”, Godard aponta para a possível realização dessa utopia, sem excluir suas ironias, seus descaminhos. Outro gênio do cinema, Stanley Kubrick, parecia reafirmar em suas obras que a dita “civilização” precisa da violência para seguir em frente. Não é uma escolha entre “paz” ou “guerra”, mas algo inerente ao processo civilizatório. A escolha mais correta poderia ser “estagnar” ou “evoluir”, sendo que a última opção sempre implicará em algum derramamento de sangue. Quanto mais civilizados, mais violentos, mais agressivos — e não o contrário, como se imagina. Godard não endossa a idéia de Kubrick, mas o “paraíso” de “Nossa Música” não é totalmente destituído de ironia, o que salva “Nossa Música” de ter a sisudez de algumas obras mais ressentidas e amargas do diretor, como “Detetive” e “Nouvelle Vague”. Como um bom réquiem, “Nossa Música” precisa se equilibrar entre a beleza e o respeito ao luto. Precisa proporcionar conforto e manter a lembrança do que já se tornou passado. É falar abertamente sobre o mais universal dos temas: a morte. Aquele cinema feito para os adolescentes norte-americanos (em outras palavras, a avassaladora maioria da produção mundial) parece sempre escapar desses temas tão importantes: morte e renascimento. Aquilo que termina e aquilo que permanece. Não se trata aqui da morte de um indivíduo, mas de toda uma época. “Nossa Música” é ao mesmo tempo o último filme de Godard do século XX e o primeiro filme de Godard do século XXI.

FONTE

BILL AND TONY

Título Original: Bill and Tony/Gênero: Experimental/Duração: 5 minutos/Ano (Inglaterra): 1972/Direção: Antony Balch /Roteiro: Antony Balch e William S. Burroughs


Permutações de linhas faladas neste simples filme experimental.

William Burroughs e Antony Balch estão postos lado a lado, olhando diretamente para a câmera. O diálogo deles diz algo como, "I'm Tony, who are you? I'm Bill. Where are you Tony? I'm in London, where are you? I'm in a 1920s movie, Tony." Primeiro Bill fala as linhas de Tony, então depois o diálogo integral é repetido com a pessoa correta falando as linhas. Isto é repetido novamente depois com o diálogo de Bill sendo dito pelos lábios de Tony se movendo e vice versa. Há bem como outras permutações.

Entre estas cenas há planos de Burroughs e Balch sentados sozinhos para a câmera. Estão vestidos de como que suas cabeças parecem flutuar no espaço preto. As falas recitadas por Burroughs poderiam ser pedaços de um ritual de Cientologia(ele flerta com isso uma hora) sobre começar um "pre-iluminado" para imaginar a si mesmo fora de sua cabeça usando citações. Balch diz alguns diálogos do filme “Freaks”. Depois, Burrouguhs aparece novamente, mas Balch fala linhas sobre pré-iluminados. Do mesmo modo, quando Balch reaparece sozinho, Burroughs diz falas de “Freaks”.

(FONTE: traduzido por Matheus Marco)