domingo, 19 de agosto de 2007

PSICOSE

Título Original: Psycho/Gênero: Suspense/Duração: 107 minutos/Ano (EUA): 1960/Direção: Alfred Hitchcock/Roteiro: Joseph Stefano, baseado em livro de Robert Bloch/Produção: Alfred Hitchcock/Música: Bernard Herrmann/Direção de Fotografia: John L. Russell/Direção de Arte: Robert Clatworthy e Joseph Hurley/Figurino: Helen Colvig e Rita Riggs/Edição: George Tomasini


Thiago Benites - Trilha Sonora
Colocado por cinetvpr

Dizem que somente aquelas musiquinhas de refrão fácil é que entram na nossa cabeça. Não é bem assim. Alguns sons afiados como faca (e a associação com faca aqui não é gratuita), associados a imagens que impregnam a nossa retina imaginativa, também são capazes de ficar ressoando na nossa caixa acústica. Bons filmes fazem isso. Trilha em perfeita harmonia com a imagem, com os cortes das cenas se eternizam... por que um aparentemente simples feixe de sons continua reverberando? O músico e estudante de artes Alfredo Werney ajuda a entender. Veja:
“O banho, todos hão de concordar, é um dos momentos mais relaxantes do nosso dia (principalmente no caso de Marion, que vinha de uma fuga). Porém a condução de Hitchcock nos surpreendeu: o banho foi o instante fatal e mais violento de todo o enredo. Notemos que a música entra com o abrir das cortinas, como se fosse iniciar um espetáculo circense, e os violinos tocam (glissandos) notas fortíssimas (molto sforzato) no registro agudo. Os sons se (con) fundem com os gritos da atriz. Relação entre a trilha sonora e a faca – Em alguns planos o ritmo das punhaladas está sincronizado com o ritmo das notas agudas do violino. Além disso, há uma relação com a textura da faca. Da mesma forma que a faca é bem fina as notas são bem agudas. A intensidade das punhaladas é reforçada pelas arcadas intensas dos violinos. “São os acordes musicais que fazem o corte no corpo de Marion”, nos disse Heitor Capuzzo em seu trabalho “Alfred Hitchcock: o cinema em construção”; O som em Psicose é construído a partir da densidade psicológica da obra. Torna-se praticamente impossível esquecermos alguns trechos de sua música penetrante. Basta citar o trecho dos violinos na reverenciada “cena do banheiro”. O fragmento musicalmente é simples: os violinos são friccionados fortemente na mesma nota com a célula rítmica repetitiva, enquanto os outros instrumentos (cellos e baixos) fazem o contraponto com notas mais graves, que vão ralentando. Mesmo o fragmento musical sendo simples, ele fica reverberando em nossa consciência. A intenção do diretor era nítida: ele
queria que este assassinato ficasse marcado por todas as outras seqüências do filme.”


(Alfredo Werney em FONTE)

Pois bem, o assassinato não só ficou marcado “por todas as seqüências do filme”, mas saiu da tela e continua ribombando por aí... cuidado!



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