sábado, 18 de agosto de 2007

DESCONSTRUINDO HARRY

Título Original: Deconstructing Harry/Gênero: Comédia/Duração: 96 minutos/Ano (EUA): 1997/Direção: Woody Allen/Roteiro: Woody Allen/Produção: Jean Doumanian/Direção de Fotografia: Carlo Di Palma/Direção de Arte: Tom Warren/Figurino: Suzy Benzinger/Edição:Susan E. Morse



Como artista, Woody Allen é um paradoxo vivo: como é possível que, apesar de vir interpretando o mesmo personagem há mais de 20 anos, ele consiga se reinventar a cada novo filme, introduzindo sua já clássica persona cinematográfica em histórias que, independente de sua complexidade, são verdadeiras sessões de auto-análise? E como seu alter-ego em celulóide, sempre ansioso, agitado e gesticulando muito, ainda é capaz de nos fazer rir depois de tantos anos?
A resposta: Allen não é apenas um cineasta dotado de extrema cultura e de um timing cômico irrepreensível. Ele é, antes de tudo, um dos mais talentosos roteiristas que o Cinema já produziu - e não estamos exagerando. Tomemos, como exemplo, Desconstruindo Harry, um dos mais ácidos, inteligentes e divertidos roteiros que este diretor já escreveu. Aqui, o alter-ego de Woody Allen se chama Harry Block. Block é um escritor de sucesso que, infelizmente, se encontra no meio de um terrível `bloqueio` que o impede de trabalhar em seu novo livro. É quando sua antiga Faculdade (da qual foi expulso) resolve homenageá-lo e ele começa a procurar por alguém que aceite acompanhá-lo até a cerimônia.
Todavia, por mais bem-sucedido que ele seja em sua vida profissional, sua vida particular é um verdadeiro caos. Depois de passar por `6 psiquiatras e 3 esposas`, Block ainda é um homem cheio de neuroses e conflitos. Para piorar, ele tem a mania de basear seus livros em acontecimentos reais de sua vida pessoal - o que faz com que suas ex-esposas, sua meia-irmã e seu cunhado nutram verdadeira aversão por ele. Durante sua trajetória em busca de uma companhia para a cerimônia de homenagem, o escritor acaba reencontrando todos os personagens que criou ao longo dos anos, numa referência mais do que óbvia ao clássico Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman.
A partir destes elementos aparentemente dramáticos, Woody Allen constrói uma comédia deliciosamente mordaz - talvez uma das mais `rasgadas` de toda sua carreira. Desta vez, o diretor não economiza nos palavrões e nas referências sexuais mais explícitas. Em certo momento, por exemplo, ele pergunta para a prostituta Cookie, vivida pela ótima Hazelle Goodman: `Você já ouviu falar dos buracos negros?`. Sem pestanejar, a prostituta (que é negra) responde: `É assim que eu ganho a vida. `.

FONTE
(acessado em 29/06/07)

Nenhum comentário: