Título Original: The Lord of the Rings: The Two Towers/Gênero: Aventura/Duração: 179 minutos/Ano (EUA): 2002/ Direção: Peter Jackson; Roteiro: Philippa Boyens, Peter Jackson, Stephen Sinclair e Frances Walsh, baseado em livro de J.R.R. Tolkien/ Produção: Peter Jackson, Barrie M. Osborne e Frances Walsh/ Música: Howard Shore/Fotografia: Andrew Lesnie/Direção de Arte: Dan Hennah e Philip Ivey / Figurino: Ngila Dickinso/Edição: D. Michael Horton
Não há necessidade de apresentações. Nessa altura, todo mundo que conhece um mínimo de cinema já sabe o que é e sobre o que é O Senhor dos Anéis: As Duas Torres. Portanto, passemos por cima de introduções e sinopses, indo direto ao ponto. Também saliento que aqui não serão analisados os pontos do filme que divergem da história do livro. O filme será analisado pelo que ele é, pois acima de tudo é a visão de Peter Jackson sobre a obra de Tolkien que está em foco. As Duas Torres é, primeiramente, um filme bem diferente do original. O clima fantástico é deixado um pouco de lado por um clima mais realista. A ação toma conta do filme, e os personagens-chave são diferentes. Agora, os hobbits aparecem menos tempo na tela, e são os homens os principais protagonistas. Porém a sensação de grandeza épica não só continua, como se vê aumentada neste novo filme. É tudo maior, melhor, e mais divertido para o espectador. Temos uma das melhores cenas de ação já criadas para o cinema, a esperada batalha entre humanos e as forças de Saruman combatendo no Abismo de Helm. E ela é tudo que foi prometido... precisa dizer mais? Todos os personagens estão excelentemente interpretados. Desde Gríma (Brad Dourif), até a bela Éowyn, interpretada por Miranda Otto, todos aparecem caracterizados na tela como o mais exigente fã de Tolkien gostaria que aparecessem. As Duas Torres também marca a entrada da poesia de Tolkien na trilogia, praticamente ignorada no primeiro filme. Sam, em seu monólogo final, recitando um belíssimo trecho do livro, emociona com sua mensagem de coragem, que dá forças a Frodo continuar na sua jornada para a destruição do Um Anel. Tecnicamente falando, Senhor dos Anéis eleva novamente o limite em termos de efeitos especiais, e o que é melhor: sempre em favor da história. O número de efeitos é muito maior do que no filme original, porque a história assim exige. E eles não decepcionam em momento algum. O destaque, é claro, é a criatura Gollum, que, embora ainda não seja perfeita (ainda dá pra perceber que é criada no computador), está à frente de recentes “invenções” incríveis da tecnologia, como Yoda de Star Wars e também de todos os humanos de Final Fantasy. A movimentação dele é incrivelmente realista, assim como a interação com os ambientes e objetos (muitas vezes um problema na criação de personagens digitais). Tudo isso, claro, graças ao fato do ator Andy Serkins ter dado vida ao personagem gravando as cenas juntamente com os atores, para depois ser substituído pela versão digital. Além do departamento de efeitos especiais ter se mostrado extremamente competente, todos os outros aspectos técnicos do filme estão incríveis. As novas locações são magníficas (sempre ajudadas pela beleza natural que as cerca), o figurino é belíssimo, e a maquiagem melhorou ainda mais. O Rei Théoden envelhecido por feitiço é um exemplo disso. A trilha sonora de Howard Shore continua tão boa quanto no capítulo inicial. Acho que o melhor que uma trilha sonora pode fazer para um filme como este é deixá-lo melhor, mais emocionante, intenso. A música não pode jamais se sobressair às imagens (sendo mais notável que a história), porém também não pode ficar “invisível” em relação a elas (afinal, cinema é também som). Música e imagem devem se completar, em igualdade de importância, acrescentando energia à história. Howard Shore fez uma das melhores trilhas sonoras dos últimos anos, e em As Duas Torres ela continua tão boa quanto no filme original, ganhador do Oscar nessa categoria. Utilizando temas novos, como o de Gollum, com temas já conhecidos do primeiro filme, a trilha de As Duas Torres é daquelas para se ter em casa, colocar pra escutar, fechar os olhos, e relembrar os grandes momentos do filme. Poucos filmes do gênero têm um número tão grande de cenas tão intensas, divertidas, ou simplesmente plausíveis aos olhos como tem As Duas Torres. Algumas são longas seqüências de ação, como a batalha do Abismo de Helm; outras, como o monólogo final de Sam sobre o porquê de toda a jornada, são emocionantes ao extremo; outras, fazem bem para os olhos, como as imensas e belíssimas paisagens; outras, são simplesmente utópicas (antes), como a cena em que Smeágol trava um combate mental com Gollum. Certamente, As Duas Torres é o filme com mais momentos “antes nunca imaginados” que já foi lançado. Por isso, o filme será lembrado por décadas e décadas, assim como foram outros tantos (e ainda são), como Ben-Hur e Star Wars. E isso não é pouco... O grande trunfo do filme, de maneira geral, é fazer com que o espectador seja transportado para uma época distante, porém de fácil reconhecimento pelo tom de realismo dado à história e, durante quase três horas, acompanhe intensamente a vida de todo um mundo passar por inúmeras transformações, através de seus personagens: ódio, amor, esperança, desespero, alegria, tristeza, devoção, incredulidade, angústia, paciência e, para o espectador, divertimento, como poucas vezes se viu antes no cinema. O melhor disso tudo é saber que o melhor ainda está por vir...
(Por Alexandre Koball em FONTE extraído dia 27/06/07.)
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