Título Original: Cidade de Deus/ Gênero: Drama/ Duração: 135 minutos/ Ano (Brasil): 2002/Direção: Fernando Meirelles/ Roteiro: Bráulio Mantovani, baseado em romance de Paulo Lins/Produção: Walter Salles/ Música: Antônio Pinto e Ed Côrtes/ Fotografia: César Charlone/ Edição: Daniel Rezende.
Cidade de Deus" é um filme-marco não apenas pela discussão que suscita em torno de seus temas (favela, violência, juventude, drogas), mas por colocar em debate -e de certo modo em crise- o próprio cinema brasileiro. (...)Pode-se ainda criticar a adoção de fórmulas narrativas do filme de ação americano, destinadas a garantir a identificação do espectador com os bandidos "do bem", contra os "do mal". O que não se pode, porém, é dizer que se trata de um filme ruim, e muito menos rejeitá-lo em bloco sob o argumento de que estetiza a miséria, configurando uma "cosmética da fome".(...) Visual publicitário. Narração de videoclipe. Espetacularização da violência. Miséria estetizada. Muitas das críticas a "Cidade de Deus", filme de Fernando Meirelles baseado no romance de Paulo Lins, foram por essa linha. De fato, logo no começo de "Cidade de Deus", há uma cena filmada de modo muito vistoso, hábil e ligeiro, bem no estilo MTV. O narrador da história está no meio da rua. Um verdadeiro exército de traficantes está com as armas apontadas contra ele. Ele se vira de costas: a polícia acaba de chegar. A tensão é extrema: tudo indica que o garoto vai morrer no fogo cruzado. A filmagem da cena "real" se interrompe, então, para dar lugar a um malabarismo de câmera. Congela-se a imagem dos dois grupos armados, o narrador gira 360 graus, como num efeito de computador, e o truque nos indica o início de um longo flashback. Voltamos à década de 60, e o filme passa a contar a história dos primeiros bandidos naquele subúrbio carioca.(...) Todas essas conquistas -sem falar da hábil assimilação de técnicas da publicidade e do videoclipe com propósitos narrativos essencialmente cinematográficos- correm o risco de ser obscurecidas por uma reação defensiva e ressentida, armada com o slogan "cosmética da fome".
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