domingo, 19 de agosto de 2007

RASHMON

Título Original: Rashômon/Gênero: Drama/Duração: 88 minutos/Ano (Japão): 1950/Direção: Akira Kurosawa/Roteiro: Akira Kurosawa e Shinobu Hashimoto, baseado em estórias de Ryunosuke Akutagawa /Produção: Minoru Jingo /Música: Fumio Hayasaka /Fotografia: Kazuo Miyagawa /Edição: Akira Kurosawa

Harebell Suzuki - Flashback
Colocado por cinetvpr

“Eu não vejo a natureja como ela é. Ela é como eu a veja”, já dizia ninguém menos do que Pablo Picasso. E Akira Kurosawa, em Rashmon, envereda por essa trilha, discutindo o problema da verdade absoluta, que é inexistente, pois é sempre construída por olhares e pontos de vista humanos; portanto, subjetivos; portanto, parciais e detentores de visões particulares que não conseguem dar conta de abarcar os infinitos olhares sobre um objeto ou sobre um fato (no caso do filme, o assassinato). Em Rashmon, Kurosawa abusa dos flashbacks, como bem traz Márcio Mota, no blogspot “Hipertexto e cultura”. Acompanhe:
“A hipertextualidade no filme Rashomon é obtida durantes as várias e sucessivas utilizações de técnicas de flashback, aonde os personagens vão contando seus pontos de vista a partir de lembranças sobre um crime o qual envolve quatro personagens principais: o nobre marido assassinado, sua esposa violentada, um famoso bandido, um modesto lenhador e um monge Budista. Todos esses personagens possuem suas versões e justificativas, de forma que, ao longo do filme podemos comparar quais delas poderia ser a mais verdadeira”. E continua: “Essa técnica chamada de “Recolection” por Kurosawa faz com que o espectador vire testemunha do crime dramático, assim como leva o espectador a tomar o papel de Juiz na trama. Isso ocorre devido à força interativa que o filme propõe, mais precisamente quando a direção decide posicionar os personagens de frente para a câmera fazendo, com isso, que tanto o publico quanto os personagens troquem olhares diretos; como uma espécie de confessionário”.

(Publicado por Márcio Mota em FONTE)

Ou seja, ao buscar a suposta verdade por meio das diversas versões acerca do assassinato, os flashbacks ajudam a compor um mosaico de visões de mundo, marcadas por lembranças que nem sempre são fiéis à realidade. Assim, não só os personagens perseguem a pretensa verdade, mas Kurosawa coloca o próprio espectador como intérprete e para onde convergem os múltiplos pontos de vista. Nada de assistir passivamente!

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