sábado, 18 de agosto de 2007

A PEDRA DO REINO


“Entrevista: Braulio Tavares, roteirista
Sábado, 23 de junho de 2007, 07h41
Roberto de Sousa Causo
(...)
Seu nome tem sido associado ao trabalho de Ariano Suassuna há algum tempo, da orelha da nova edição de A Pedra do Reino, ao roteiro da adaptação desse romance para a televisão. O que o atrai na obra dele?Por ordem cronológica, o que primeiro me atraiu foi a "paraibanidade", o fato de ser um escritor cujas peças de teatro li desde a infância a conselho de meu pai. Quando li o Romance da Pedra do Reino pela primeira vez percebi que a Paraíba que eu julgava pobre, feia, poeirenta, inculta, era um lugar mágico, mitológico, o lugar mais importante do mundo. Neste aspecto, a obra de Ariano teve em mim o impacto que a de Guimarães Rosa tem para um mineiro ou a de Tolkien para um britânico.
E há as qualidades literárias: a imaginação transbordante, o diálogo ora profético ora cômico, a dissecação da História do Brasil vista pelo avesso, pelo lado dos despossuídos, a recuperação da poesia popular etc.(...)”
“ Três perguntas para- Braulio Tavares
Marcos Michelin/EM - 21/7/04O que mais o fascina em A pedra do reino?Há um lado pessoal, biográfico: foi o primeiro livro que li que elevou a Paraíba, sua geografia, seus topônimos, sua História, a um nível mítico. Me fez (aos 21 anos, quando li pela primeira vez) ver que aquilo era um lugar como a Grécia Antiga, como a Macondo de Gabriel García Márquez ou como o Marte de Ray Bradbury. Depois há o romance em si, um labirinto de coisas interessantes (que eu concedo que não são interessantes para todo mundo, mas afinal isso se aplica a qualquer romance), uma estrutura complexa revelando aos poucos um universo ao mesmo tempo intensamente familiar e estranhamente fantástico. Personagens excêntricos; diálogos labirínticos, com um coloquialismo saboroso; situações vívidas; imageria rica e cheia de alusões simbólicas; prosa alternadamente cordelesca e mística, poética e profética. E muito mais.”
“ ‘A Pedra do Reino’ fracassa no Ibope, e daí?
Depois de décadas viciando seu público em histórias bobas baseadas em um maniqueísmo primário, alavancadas por carinhas bonitas e sustentada pela autopromoção do seu império de Comunicação, a Rede Globo lança um programa de alta qualidade dramatúrgica, com direção e elenco impecáveis. Observando isso me ocorreu a seguinte questão. Será que exibindo uma atração com tanta qualidade como esta, que mostra um Brasil bem distante do paraíso tropical, dispensando galãs sem camisa e seu habitual elenco estrelar, achava a Rede Globo que o eu público poderia tolerar tamanha ousadia em horário nobre sem a devida punição?(...)
Não paira a menor dúvida sobre a qualidade do casting da microsérie, mas isso não faz a menor diferença para a grande maioria do publico global, ele não quer qualidade, o público da Globo quer ver gente famosa, ou se tornando famosa na tela. Como o tempo da atração é curto, pelo menos comparado a outras atrações emfamadoras, como o Big Brother que ocupa a mídia massivamente por várias semanas, e das novelas, que além de meses no ar, ainda são puxados por elencos de celebridades, esta máquina que dá notoriedade a Ban-Bans e Alemães do nada, e torna ator famoso a qualquer Pasquim da vida, não deverá ter tempo de celebrizar o batalhão de nordestinos desconhecidos que desembarcam na telinha. Irandir Santos o protagonista e os demais atores da microsérie não terão tempo de ficar famosos, e a atração deve manter a baixa audiência até o final, porque o público da globo, repetindo, não está mais acostumado com qualidade, seu perfil mudou.(...)Enfim, a Globo, que não é boba, acertou de novo, e como se fosse um pecador em martírio, sacrifica sua pele com sulcos de baixa audiência, purgando o pecado de oferecer o que o publico deseja, e desta oferta colher os seus melhores frutos. Parabéns à Globo pela microsérie a “A Pedra do Reino”, só lamento estar parabenizando por uma exceção.”
Julio Rodrigues · Cuiabá (MT) · 19/6/2007 14:44

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