Título Original: Happiness/Gênero: Drama/ Duração: 134 minutos/Ano (EUA): 1998/Direção: Todd Solondz/Roteiro: Todd Solondz/Produção: Ted Hope e Christine Vachon/Música: Robbie Kondor/Direção de Fotografia: Maryse Alberti/Direção de Arte: John P. Bruce/Figurino: Kathryn Nixon/Edição: Alan Oxman
O filme de Solondz move-se muito lentamente e, para uma plena apreciação, convém estar preparado e na disposição certa (não convém ser o terceiro ou quarto filme visto no mesmo dia, depois de uma noite mal dormida). A cena inicial é emblemática do tempo, mas também do tom e conteúdo do filme. O diálogo é entre Jane Adams e Jon Lovitz, e é incômodo, humilhante e com sutis requintes de sadismo. Tudo na forma verbal, pois é pelo texto que a "felicidade" se vai espalhando ao longo das mais de duas horas do filme.
È impossível não ficar afetado, de um modo ou de outro, com os diálogos entre Dylan Baker e Rufus Read. É certo que há momentos em que o humor está patente, mas a seriedade das situações nunca é abafada. As perguntas que o menino faz ao pai, mas sobretudo as respostas deste e a sua disponibilização para dissipar quaisquer dúvidas, não deixarão de incomodar algumas pessoas. Reforça o impacto desses diálogos o conhecimento que já temos das práticas sexuais do personagem de Baker com colegas do filho, o qual usa para lhes ter acesso. Tal como caminha sobre uma tênue linha entre o drama e a comédia, Solondz também apresenta magistralmente um personagem atormentado por desejos que o forçam a cometer atos criminosos e reprováveis, sem que pareça um sujeito odioso perante os nossos olhos. É óbvio que os atos são condenáveis (moral e legalmente), e tal ninguém no seu perfeito juízo em causa, mas o que os censores de serviço não gostam é que os cidadãos formem juízos morais sem uma ajudinha, vulgo interpretação autêntica.
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