sábado, 18 de agosto de 2007

CARRIE, A ESTRANHA

Título Original: Carrie/Gênero: Terror/Duração: 98 minutos/Ano (EUA): 1976/Direção: Brian De Palma/Roteiro: Lawrence D. Cohen, baseado em livro de Stephen King/Produção: Brian De Palma e Paul Monash/Música: Pino Donaggio/Direção de Fotografia: Mario Tosi/Direção de Arte: Jack Fisk e Bill Kenney/Figurino: Rosanna Norton/Edição: Paul Hirsch


Foi pela falta de dinheiro que Stephen King escreveu um de seus melhores e mais famosos livros: Carrie, a estranha. Para compor esse complexo e interessante personagem, fundiu a personalidade de duas garotas que conheceu em sua adolescência. Uma que era o bode expiatório da turma e ia para o colégio sempre com a mesma roupa, sendo ridicularizada por todos; e a outra era sua vizinha, uma garota que não tinha muitos amigos e era chamada de estranha por ser, por influência da mãe, uma fanática religiosa, tendo em sua casa um gigantesco Jesus crucificado acima do sofá
[...] A versão para a tela grande é de apenas um ano depois, dado o estrondoso sucesso do livro, e dirigida por um de palma que era então conhecido somente por seu hitchcockiano "as irmãs diabólicas", na verdade um decalque de "festim diabólico". porém os traços característicos do diretor já estão lá: planos seqüência inacreditáveis, uso de split-screen, câmera lenta para sublinhar os momentos de tensão, etc.
Além de trabalhar com um contínuo suspense, o filme tem muitas cenas que misturam os mais diversos sentimentos. Como uma das seqüências iniciais, a da menstruação: a seqüência começa com muita delicadeza e suavidade, mostrando a brincadeira entre as meninas do colégio que estão muito felizes, e Carrie, com toda sua fragilidade e sensualidade se lavando. Mas em questão de minutos tudo se transforma no mais puro terror. Carrie menstrua e pensa que está morrendo de hemorragia, todas as outras garotas começam a humilhá-la sem pensar nas conseqüências. Até a professora primeiramente xinga Carrie, sem imaginar que ela, aos dezesseis anos, não sabe o que é menstruar. A partir daí o sangue passa a significar um grande tormento que acompanha Carrie, pois ela foi humilhada ao sangrar e a sua mãe diz que ele significa o pecado. Aí está um dos grandes motivos pela explosão de fúria no final do filme, pois o que é jogado em cima dela no baile é uma das coisas que ela mais odeia: sangue.
A seqüência na qual Carrie leva um banho de sangue de porco no baile de formatura é um primor: desde o instante em que o anfitrião anuncia que carrie e tommy foram escolhidos como o casal do baile até o momento do que o balde de sangue localizado em cima do palco cai sobre a cabeça de carrie, tudo transcorre em câmera lenta e a música oscila entre o sublime, quando carrie caminha em direção ao palco, e o estridente, quando são mostrados os estudantes escondidos que vão puxar a corda para derrubar o balde. graças à montagem exemplar, ficamos genuinamente tensos enquanto o maldito balde não cai logo na cabeça da personagem de spacek e, quando ele de fato cai e o pau come com carrie usando sua telecinese para se vingar de todos, o ritmo fica frenético, com as famosas cenas em split-screen e os assustadores closes em carrie banhada em sangue.
Apesar de ser um filme de 1976, Carrie continua sendo um dos filmes de terror mais vistos e apreciados. Nele é mostrado, o tempo inteiro, o que vai acontecer antes do fato se consumar, não fica tentando dar sustinhos baratos, e mesmo o espectador já sabendo o que vai acontecer, o suspense não perde nada de seu valor, porque cada cena passa um sentimento. Para aumentar ainda mais o clima de suspense, De Palma trabalha com uma trilha muito parecida com a usada por Hitchcock, tendo em várias cenas a famosa música da cena do chuveiro de Psicose (Psycho, 1960).Carrie acabou ganhando uma continuação, A Maldição de Carrie (The Rage: Carrie 2, 1999), que, mesmo por muita insistência dos produtores, Brian de Palma não aceitou dirigir; daí quem assumiu a direção foi Katt Shea (Um Acampamento Só para Garotos, 1992).

(Por Tiago Coelho em FONTE e Fabiano Morais em FONTE1)


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